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“Cantar os Reis” e templo judaico em vias de serem classificados como património cultural

O Diário da República formaliza hoje novos avanços no processo de duas candidaturas do município de Ovar a património cultural, uma relativa à tradição natalícia conhecida como “Cantar os Reis” e outra respeitante a um antigo tempo judaico.

O primeiro caso envolve a proposta com que essa autarquia do distrito de Aveiro pretende ver os referidos cânticos de Natal inscritos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, sendo que o Governo está em vias de classificar esse costume local e abre hoje o respectivo período de consulta pública.

Segundo explica o jornal do Estado, a população tem agora 30 dias para se pronunciar sobre a candidatura, remetendo à Direcção-Geral do Património Cultural quaisquer elementos que considerem pertinentes para que a classificação seja aceite ou recusada.

Embora semelhantes aos grupos de cantares das “Janeiras” existentes um pouco por todo o país, as chamadas “troupes de Reis” de Ovar também apresentam letras e músicas originais, mas desenvolveram particularidades próprias ao longo de várias décadas, registando o que fonte da autarquia descreve como “um processo de codificação artística, social e performativa considerada diferenciadora, uma vez que adquiriu um recorte cultural próprio, sofisticado ao nível da composição musical e poética, e especializado ao nível da performance”.

Já no que se refere ao antigo tempo judaico descoberto em 2012 na freguesia de São Vicente Pereira e adquirido pela Câmara Municipal de Ovar em 2016, o objectivo é vê-lo reconhecido como Monumento de Interesse Público e o processo já obteve o pré-aval do  subdirector-geral do Património Cultural, João Carlos dos Santos, que remete agora o tema para aprovação superior.

No anúncio de hoje, esse responsável adianta: “Com fundamento em parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura de 17 de julho de 2019, que mereceu a minha concordância, é intenção da Direcção-Geral do Património Cultural propor à Secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural a classificação como Monumento de Interesse Público da estrutura em que se integra o Aron Hakodesh – ou Ekhal – da Rua Padre Juiz Oliveira Martins, [no lugar de] Câssemes”.

Envolvendo um período de consulta pública que também é de 30 dias, o processo tem como peça central um armário de madeira que, por destinar-se especificamente à guarda da Tora e de outras peças utilizadas no culto religioso juntamente com esse livro de textos hebraicos, é encarado pela comunidade judaica como revestindo-se de carácter sagrado.

O “Aron Hakodesh” de Ovar foi encontrado numa propriedade rural com edifícios datados do século XIV e XVII, sendo que, após a sua classificação definitiva, poderá integrar a Rede Portuguesa de Judiarias – Rota de Sefarad, como é intenção da autarquia desde 2016.

Segundo a Direcção-Geral do Património Cultural, o móvel sagrado de São Vicente Pereira exibe, aliás, “muitas semelhanças com outros armários do mesmo género encontrados nas judiarias de Castelo de Vide e de Freixo de Espada à Cinta” – já integradas na mencionada rede nacional de templos judaicos.

Alexandra Couto

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