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	<title>Arquivo de Opinião - OvarNews</title>
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	<description>Actualidade Vareira</description>
	<lastBuildDate>Sun, 09 Aug 2026 14:27:12 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - OvarNews</title>
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	<item>
		<title>Convenção Europeia de Juggling está de volta a Portugal &#8211; Por Nuno Pinto</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/convencao-europeiade-juggling-esta-de-volta-a-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 17:23:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após a decisão da Assembleia Geral da EJA, temos o prazer de anunciar que Espinho sediará o European Juggling Convention &#8211; EJC 2028, organizado mais uma vez pela equipa excepcional responsável pelo inesquecível EJC 2024 em Ovar. Situada na deslumbrante costa atlântica de Portugal, Espinho é uma cidade litoral vibrante, famosa pelas suas amplas praias &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/convencao-europeiade-juggling-esta-de-volta-a-portugal/">Convenção Europeia de Juggling está de volta a Portugal &#8211; Por Nuno Pinto</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após a decisão da Assembleia Geral da EJA, temos o prazer de anunciar que Espinho sediará o European Juggling Convention &#8211; EJC 2028, organizado mais uma vez pela equipa excepcional responsável pelo inesquecível EJC 2024 em Ovar.<br />
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Situada na deslumbrante costa atlântica de Portugal, Espinho é uma cidade litoral vibrante, famosa pelas suas amplas praias de areia, surf de classe mundial, belo calçadão, frutos do mar frescos e atmosfera descontraída.</p>
<p>Localizada a apenas 20 minutos do Porto de comboio, a cidade oferece excelentes ligações de transporte, mantendo o charme de um destino costeiro acolhedor.</p>
<p>A equipa portuguesa já demonstrou a sua capacidade ao realizar um dos EJC&#8217;s mais memoráveis ​​dos últimos anos. A experiência, paixão e dedicação dão-nos todos os motivos para acreditar que o EJC 2028 será mais uma celebração incrível de malabarismo, circo, criatividade e amizade.</p>
<p>Do pôr do sol na praia às *renegades* (apresentações espontâneas) que avançam pela noite dentro, de oficinas inspiradoras a espetáculos inesquecíveis&#8230; Espinho está pronta para receber novamente a comunidade europeia de malabarismo.</p>
<p>Parabéns a toda a equipa organizadora! Mal podemos esperar para vos encontrar a todos em Espinho, em 2028!</p>
<p><strong>Nuno Pinto (em <em>Ptuj, Eslovénia)</em></strong></p>
<p><iframe style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?height=476&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Freel%2F1583322693368044%2F&amp;show_text=false&amp;width=357&amp;t=0" width="357" height="476" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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            	</item>
		<item>
		<title>Cine-Teatro de Ovar (IV) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/cine-teatro-de-ovar-iv-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 15:18:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual. Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar qualquer ânimo. &#160; Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os olhos pousam, &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/cine-teatro-de-ovar-iv-por-edgar-branco/">Cine-Teatro de Ovar (IV) &#8211; Por Edgar Branco</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual. Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar qualquer ânimo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os olhos pousam, por acaso, nos posters envelhecidos ainda presos às janelas do antigo Cine-Teatro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E recorda.</p>
<p>Recorda&#8230;</p>
<p>A viagem no tempo começa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Era um dia morno. O tipo de dia em que nada acontece, em que a cidade parece adormecida, sem grandes atividades para oferecer.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas Marília sempre teve um talento especial para encontrar soluções.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pegou no telefone e marcou encontro com as suas melhores amigas, Cíntia e Mónica. Cresceram juntas — a mesma escola, a mesma cidade, a mesma infância. Mas agora, tudo estava prestes a mudar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O 12º ano tinha chegado ao fim, os exames de acesso à universidade tinham corrido bem&#8230; mas seguiriam caminhos diferentes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nenhuma delas falava sobre isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Havia um silêncio estranho entre as três, uma espécie de pacto não declarado para evitar o inevitável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sem planos para o dia, decidiram fazer o que sempre faziam: perder-se pelas ruas da cidade. Caminhar juntas, rir sem pressa, fingir que o tempo não estava prestes a separá-las.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Então, um filme?</p>
<p>— Qual?</p>
<p>— Só há uma tela. Ou vamos às 14h ou então só às 17h, e isso já fica tarde.</p>
<p>— Sim, sim, vamos às 14h.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A decisão havia sido tomada e o filme era o menos importante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao entrar no Cine-Teatro, algo mudou. O riso voltou, a confusão de sempre instalou-se. O cheiro dos doces da zona, o burburinho das pessoas, a familiaridade daquele espaço.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Só que algo inesperado aconteceu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O filme não funcionava, tentativa após tentativa, sempre com o mesmo resultado, em nada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Vai haver um atraso, pedimos desculpa. — anunciou um dos funcionários.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas elas não se importaram. Aproveitaram para rir mais um pouco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E um novo anúncio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Podem ir ao quiosque, têm direito a um chocolatinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As três entreolharam-se.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— Olha que sorte. — brincou Cíntia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A sala estava quase vazia, então a oferta parecia um presente especial, mas o filme continuava sem arrancar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais conversa, mais risos, mais tempo passado sem preocupação, até que veio a confirmação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>— A fita está estragada. Só poderemos exibir o filme na próxima sessão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não fazia mal para as três, pois o que tinha começado como um plano para um dia sem graça, transformou-se numa memória.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A última memória das três juntas, na sua cidade, como sempre foi.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De volta ao presente, Marília sorri sozinha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ali está ela, feliz de novo, ainda que por um instante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma recordação simples, num lugar que já não existe da mesma forma, mas que nunca deixará de ser um eterno aconchego.</p>
<p>(Continua)</p>
<p>Edgar Branco.</p>
<p>&nbsp;</p>
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            	</item>
		<item>
		<title>Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ate-quando-sobrevivera-portugal-na-bandeira-de-ceuta-por-paulo-freitas-do-amaral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Amaral]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 16:07:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ceuta voltou a ocupar as manchetes. A crise migratória, a pressão sobre uma das fronteiras externas da União Europeia e as tensões diplomáticas colocaram novamente aquela pequena cidade africana no centro da atualidade. Contudo, entre imagens de vedações, patrulhas e embarcações, há um pormenor que passa despercebido à esmagadora maioria dos portugueses. Sobre os edifícios &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ceuta voltou a ocupar as manchetes. A crise migratória, a pressão sobre uma das fronteiras externas da União Europeia e as tensões diplomáticas colocaram novamente aquela pequena cidade africana no centro da atualidade. Contudo, entre imagens de vedações, patrulhas e embarcações, há um pormenor que passa despercebido à esmagadora maioria dos portugueses. Sobre os edifícios oficiais de Ceuta continua a tremular uma bandeira que guarda, há mais de seis séculos, uma das mais extraordinárias memórias da História de Portugal.</p>
<p>Talvez muitos se surpreendam ao descobrir que aquela bandeira conserva ainda o escudo português e as cores da antiga bandeira de Lisboa. O preto e o branco que hoje identificam Ceuta não foram escolhidos por acaso. Recordam a bandeira da cidade de Lisboa, levada pela grande armada de D. João I que, em agosto de 1415, partiu do Tejo rumo ao Norte de África para conquistar a cidade. A memória dessa expedição ficou perpetuada na própria bandeira de Ceuta, como se o tempo tivesse decidido conservar um testemunho silencioso do início da expansão portuguesa.</p>
<p>Foi dali que começou uma das maiores aventuras da História da Humanidade.</p>
<p>Quando D. João I decidiu atacar Ceuta, não estava apenas a planear uma campanha militar. Estava a abrir uma nova etapa na História de Portugal. Acompanhavam-no os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, jovens príncipes que encontrariam naquela expedição uma experiência decisiva para o futuro do reino. O cronista Gomes Eanes de Zurara descreve o entusiasmo das tropas, a coragem dos combatentes e a rapidez com que a cidade caiu nas mãos portuguesas. Aqueles homens dificilmente imaginariam que estavam a escrever o primeiro capítulo de uma epopeia que levaria Portugal aos quatro cantos do mundo.</p>
<p>Ceuta transformou-se na primeira grande conquista ultramarina portuguesa. Muito antes de Vasco da Gama chegar à Índia, de Cabral avistar o Brasil ou das naus portuguesas alcançarem o Japão, foi naquela cidade africana que Portugal começou a afirmar uma vocação marítima e universal sem paralelo na Europa do seu tempo.</p>
<p>Mas essa conquista teve um preço elevadíssimo.</p>
<p>Durante mais de dois séculos, Ceuta exigiu homens, navios, armas, alimentos e recursos financeiros. Manter uma praça portuguesa em território africano implicava um esforço permanente, quase sempre esquecido quando se fala da expansão marítima. Gerações de portugueses combateram nas suas muralhas, perderam familiares e viveram convencidas de que defender Ceuta era defender o próprio reino.</p>
<p>Nenhuma figura simboliza melhor esse sacrifício do que o Infante D. Fernando. Capturado após a expedição a Tânger, permaneceu durante anos em cativeiro porque Portugal recusou entregar Ceuta em troca da sua libertação. O reino preferiu perder um príncipe a perder a cidade conquistada por D. João I. O Infante Santo morreria longe da pátria, tornando-se um dos maiores símbolos de fidelidade e abnegação da História portuguesa.</p>
<p>Décadas mais tarde, Luís de Camões transformaria em poesia a grande epopeia nacional. Embora <em>Os Lusíadas</em> celebrem sobretudo a viagem de Vasco da Gama, a verdade é que essa epopeia começou muito antes. Começou em Ceuta. Sem a conquista de 1415 dificilmente se compreenderia o impulso que conduziu Portugal ao longo da costa africana, ao cabo da Boa Esperança, ao Índico, ao Brasil e ao Extremo Oriente. Ceuta foi o primeiro degrau da aventura que Camões haveria de eternizar.</p>
<p>Também D. Sebastião encontraria em terras do Norte de África o seu destino trágico. Em Alcácer Quibir, não muito longe de Ceuta, desapareceu o jovem rei cuja morte mergulhou Portugal numa das maiores crises da sua História. A partir desse momento, o sonho africano iniciado por D. João I conhecia o seu episódio mais dramático. A perda da independência em 1580 acabaria por alterar profundamente o destino de Ceuta.</p>
<p>Quando Portugal recuperou a independência em 1640, a cidade decidiu permanecer fiel à Coroa espanhola. A soberania portuguesa terminava, mas a memória não. O escudo português permaneceu na bandeira e o preto e o branco da antiga bandeira de Lisboa continuaram a recordar a armada que atravessou o estreito de Gibraltar em 1415. É raro encontrar na História um símbolo oficial que tenha sobrevivido durante mais de seis séculos à mudança de soberania.</p>
<p>Hoje, quando as câmaras de televisão mostram Ceuta como um dos principais pontos de entrada de migrantes em território europeu, quase ninguém repara que aquela bandeira continua a contar uma história muito diferente. Conta a história de um pequeno reino que ousou atravessar o mar, iniciar a expansão ultramarina e mudar para sempre o curso da História mundial. Conta a história de reis, infantes, marinheiros, soldados, cronistas e poetas que fizeram daquela cidade o primeiro capítulo da extraordinária aventura portuguesa.</p>
<p>Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? Ninguém o sabe. A História ensina-nos que nenhum símbolo é eterno. As bandeiras mudam, os escudos transformam-se e as identidades evoluem ao longo dos séculos. Mas, enquanto o escudo português permanecer ao centro daquela bandeira e enquanto o preto e o branco da antiga Lisboa continuarem a desafiar o tempo, Ceuta recordará ao mundo que foi ali, nas muralhas daquela cidade africana, que Portugal iniciou uma das mais extraordinárias epopeias da História da Humanidade. E há memórias que, mesmo quando deixam de pertencer a um país, passam definitivamente a pertencer à História.</p>
<p><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-97798" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-1024x456.jpg" alt="" width="312" height="139" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-1024x456.jpg 1024w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-300x134.jpg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-768x342.jpg 768w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 312px) 100vw, 312px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Paulo Freitas do Amaral, </strong></em><strong>Professor, Historiador e Autor</strong></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/ate-quando-sobrevivera-portugal-na-bandeira-de-ceuta-por-paulo-freitas-do-amaral/">Até quando sobreviverá Portugal na bandeira de Ceuta? &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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            	</item>
		<item>
		<title>O General que poderia ter sido o ditador em vez de Salazar &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-general-que-poderia-ter-sido-o-ditador-em-vez-de-salazar-por-paulo-freitas-do-amaral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 15:37:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A História tem um estranho hábito de nos convencer de que aquilo que aconteceu era inevitável. Olhamos para trás e parece-nos impossível imaginar Portugal sem Salazar à frente do Estado Novo, como se o professor de Coimbra tivesse caminhado sozinho para o poder, sem rivais, sem alternativas e sem que o destino pudesse ter escolhido &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/o-general-que-poderia-ter-sido-o-ditador-em-vez-de-salazar-por-paulo-freitas-do-amaral/">O General que poderia ter sido o ditador em vez de Salazar &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div>A História tem um estranho hábito de nos convencer de que aquilo que aconteceu era inevitável. Olhamos para trás e parece-nos impossível imaginar Portugal sem Salazar à frente do Estado Novo, como se o professor de Coimbra tivesse caminhado sozinho para o poder, sem rivais, sem alternativas e sem que o destino pudesse ter escolhido outro protagonista. Mas a verdade é muito diferente. Houve um tempo em que muitos portugueses olhavam para outra figura com igual ou maior expectativa. Não era um académico. Não era um financeiro. Não era um político profissional. Era um general cuja vida parecia reunir todas as qualidades que um país cansado da desordem procurava: coragem, prestígio, autoridade, inteligência e uma obra feita. O seu nome era João de Almeida.</div>
<div></div>
<div>Hoje, quase ninguém fala dele. E, no entanto, se perguntarmos quem foi responsável por uma parte decisiva da definição da fronteira meridional de Angola, quem administrou territórios africanos com reconhecida competência, quem arriscou a vida inúmeras vezes nas campanhas de África, quem chegou a ministro, quem revelou igualmente talento como empresário e quem, depois do 28 de Maio de 1926, era apontado por muitos como um possível Presidente do Conselho de Ministros, a resposta conduz-nos sempre ao mesmo homem.</div>
<div>Poucas biografias portuguesas conseguem reunir tantas vidas numa só. João de Almeida começou por estudar Filosofia e Engenharia Civil na Universidade de Coimbra, formação que lhe deu um método de pensamento rigoroso e uma capacidade de organização pouco comum. Poderia ter seguido uma carreira técnica confortável. Preferiu a farda. E foi nela que construiu uma reputação que rapidamente ultrapassou os quartéis.</div>
<div></div>
<div>África transformou-o. Ou talvez seja mais correto dizer que foi em África que Portugal descobriu verdadeiramente João de Almeida. As campanhas militares colocaram-no diante de perigos permanentes, doenças, longas marchas, emboscadas e combates em condições extremas. Houve momentos em que a morte esteve perigosamente próxima e em que bastaria um pequeno acaso para que o seu nome figurasse apenas entre tantos oficiais tombados nas campanhas ultramarinas. Sobreviveu. E dessa sobrevivência nasceu uma lenda.</div>
<div></div>
<div>Não por acaso, ficou conhecido como o &#8220;Herói dos Dembos&#8221;. Não era apenas um comandante que sabia vencer batalhas. Era também um administrador capaz de transformar territórios, compreender populações e pensar estrategicamente o futuro da presença portuguesa em África. Foi-lhe confiada uma das mais delicadas missões da política ultramarina portuguesa: consolidar a fronteira meridional de Angola numa época em que as grandes potências europeias disputavam cada parcela do continente africano. Aquilo que hoje observamos num mapa parece uma simples linha. Naquele tempo, essa linha representava diplomacia, autoridade, estratégia militar e capacidade política. João de Almeida deixou nela uma marca duradoura.</div>
<div></div>
<div>Seria injusto, porém, vê-lo apenas como um militar. Terminada a fase mais intensa da sua carreira nas armas, demonstrou possuir uma rara capacidade de gestão, assumindo responsabilidades em importantes empresas portuguesas. Presidiu conselhos de administração, dirigiu companhias e provou que a liderança não dependia exclusivamente do uniforme. Poucos generais da sua geração conseguiram afirmar-se simultaneamente como militares, administradores públicos e empresários de sucesso.</div>
<div></div>
<div>Entretanto, Portugal vivia um dos períodos mais turbulentos da sua História. A Primeira República acumulava crises políticas, governos efémeros, instabilidade social e dificuldades financeiras. O descrédito das instituições crescia e, para muitos portugueses, apenas um homem de autoridade poderia devolver ao país a estabilidade perdida. Quando a Ditadura Militar surgiu na sequência do movimento de 28 de Maio, ninguém sabia quem seria o verdadeiro líder do novo regime. Havia vários candidatos naturais. Entre eles, destacava-se João de Almeida.</div>
<div>O seu currículo impressionava. Era respeitado no Exército, possuía experiência governativa, tinha prestígio junto de amplos setores conservadores, revelara competência administrativa em África e conquistara notoriedade nacional. Não surpreende, por isso, que o seu nome fosse frequentemente referido como uma solução credível para chefiar o Governo. Tudo parecia apontar para um militar consagrado.</div>
<div></div>
<div><strong>Mas a História gosta de surpreender.</strong></div>
<div>Enquanto os olhares se concentravam nos generais, um professor de Economia da Universidade de Coimbra ia conquistando espaço com uma estratégia completamente diferente. António de Oliveira Salazar nunca teve o carisma militar de João de Almeida, nunca comandou tropas em campanha nem construiu a sua autoridade no campo de batalha. A sua força encontrava-se noutro lugar: na disciplina financeira, na paciência política e numa capacidade extraordinária para tornar indispensável um homem que parecia não desejar o poder.</div>
<div>Foi essa a diferença decisiva.</div>
<div></div>
<div>João de Almeida representava a autoridade visível. Salazar representava a autoridade silenciosa. Um impressionava pela biografia; o outro pela eficácia. Um chegava através da espada; o outro através da caneta. Um parecia destinado a governar; o outro acabou por convencer todos de que só ele podia fazê-lo.</div>
<div></div>
<div>Se João de Almeida tivesse recebido a missão de formar Governo, talvez Portugal tivesse conhecido um regime mais assumidamente militar, com maior protagonismo dos generais e uma organização política diferente daquela que acabámos por conhecer. Nunca o saberemos. A História não permite repetir experiências.</div>
<div></div>
<div>Mas é precisamente por isso que figuras como João de Almeida merecem regressar ao debate histórico. Não porque possamos afirmar que teria governado melhor ou pior do que Salazar, nem porque possamos garantir que teria seguido exatamente o mesmo caminho. Merecem ser recordadas porque nos lembram de uma verdade frequentemente esquecida: Salazar não era inevitável.</div>
<div></div>
<div>A História de Portugal poderia ter seguido outro rumo. E esse caminho alternativo tinha o rosto de um homem que quase morreu em África ao serviço do país, ajudou a definir as fronteiras portuguesas no continente africano, revelou talento como administrador e empresário e chegou tão perto do centro do poder que, durante algum tempo, muitos acreditaram que seria ele — e não Salazar — a dirigir o destino da nação.</div>
<div></div>
<div>Talvez seja essa a maior injustiça da História. João de Almeida não perdeu uma eleição nem foi derrotado numa batalha decisiva. Foi simplesmente ultrapassado por um homem cuja forma de conquistar o poder ninguém conseguiu antecipar. E, por vezes, basta isso para que um protagonista quase desapareça da memória coletiva.</div>
<div>Há heróis que entram para a História porque governaram. Outros merecem ser lembrados porque estiveram suficientemente perto de a mudar.</div>
<div></div>
<div><strong><em>Paulo Freitas do Amaral</em></strong></div>
<div><em>Professor, Historiador e Autor</em></div>
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		<item>
		<title>Cine-Teatro de Ovar: Sexo, mentiras e video</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/cine-teatro-de-ovar-sexo-mentiras-e-video/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[lobo mau]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 13:28:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Passei lá hoje à porta e lembrei-me de que o cineteatro de Ovar prepara-se mesmo para trocar a plateia, os camarotes e os fantasmas de Charlie Chaplin — já todos destruídos — por uma praça estranha: primeiro deixa-se morrer, depois chama-se uma coisa qualquer sem pingo de criatividade. Ovar vai perder mais uma parte &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Passei lá hoje à porta e lembrei-me de que o cineteatro de Ovar prepara-se mesmo para trocar a plateia, os camarotes e os fantasmas de Charlie Chaplin — já todos destruídos — por uma praça estranha: primeiro deixa-se morrer, depois chama-se uma coisa qualquer sem pingo de criatividade.</p>
<p>Ovar vai perder mais uma parte importante do seu parco património sentimental e arquitetónico. Aliás, já estava perdido há muito tempo. Mas dito assim parece uma frase feita, daquelas que se escrevem entre dois encerramentos na cidade: fechou o Carvão, fechou o Patteo, fechou o Toca, fechou, fechou, fecha tudo&#8230;.</p>
<p>Ora então, vamos de modas: o antigo cineteatro prepara-se para desaparecer de vez. Aquele “mono” meio destruído, em zona nobre da cidade, vai abaixo. De vez mesmo.</p>
<p>Depois de décadas fechado, saqueado, emparedado, insultado pela chuva, pela burocracia, pelos pombos, pelos pareceres, pelas subalíneas e por essa forma muito portuguesa — ou simplesmente burocrática — de proteger património, que consiste em olhá-lo durante trinta anos sem se fazer nada, até ele pedir a eutanásia ou até aparecer um promotor imobiliário, perdão, um investidor, para o “salvar”, vai finalmente ser demolido para dar origem a uma praça que se vai chamar &#8220;cineteatro de Ovar&#8221;. Um luxo, certamente.</p>
<p>O cineteatro de Ovar tinha aquela coisa que hoje é quase uma raridade: pessoas sentadas juntas a olhar para a mesma imagem projetada num grande ecrã, sem poderem fazer pausa para ir ver as notificações ou as mensagens da prima ou da amiga no telemóvel.</p>
<p>O cineteatro de Ovar não era apenas uma sala. Era uma verdadeira experiência de vila, ou bairrista, como se dizia antes e como agora só se usa durante o Carnaval &#8211; e tanta folia por ali desfilou. Tantos bailes, tantas fantasias, tantos amores. Um edifício onde se entrava para sair do nosso provincianismo sem sair de Ovar. Já tínhamos jardim, igreja, boutique, velhas senhoras, criadas de outros tempos, estudantes, funcionários, hospital e famílias inteiras, ganhavam ali uma porta para Xangai, Roma, Hollywood, Paris, o deserto, a guerra, o amor impossível e a tragédia em Cinemascope. Um cinema de vila era isso: a agência de viagens de quem não podia viajar, ou pouco mais do que viajar na linha do norte. Era a janela grande de quem morava em casas pequenas. O divã coletivo de uma vila que ainda não sabia dizer “saúde mental”, mas sabia perfeitamente o que era sair de uma sessão mais leve, mais triste, mais apaixonado ou mais desconfiado da humanidade.</p>
<p><strong>Depois vieram os anos 80, a televisão mais forte, os centros comerciais, os multiplexes, a mudança dos hábitos, a preguiça pública, os muitos carros na cidade, a falta de estacionamento como nova religião nacional. O cineteatro de Ovar perdeu fulgor, ganhou o OvarVídeo e as sessões da Meia-Noite. </strong></p>
<p>No limiar dos anos 90 fechou, foi posto à venda numa imobiliária e desde então foi entrando naquela categoria que é uma antecâmara da morte: edifício devoluto com biografia, ferida aberta com dono, património com parecer, ruína com potencial, chaga com vista. Passou de cinema a problema. De problema a caso. De caso a dossier. De dossier a PIP — Pedido de Informação Prévia — camarário. De PIP a praça. E, neste país, quando uma sala de cinema chega a PIP, está o caso arrumado: já não há projecionista que a salve.</p>
<p>Durante anos, discutiu-se se o &#8220;cinema&#8221; devia ser recuperado, se podia virar equipamento cultural, Museu do Carnaval, o último combate de Santa Camarão, se a Câmara devia intervir, se o Estado devia comprar, se os privados tinham obrigações, se a proteção patrimonial protegia alguma coisa, se a Zona Especial de Protecção das Capelas dos Passos era proteção ou apenas poesia administrativa. O resultado está à vista: protegeu-se tanto, tanto, que o edifício apodreceu de protegido. É um método antigo, também muito nosso. Primeiro, afirma-se que o imóvel tem valor. Depois, não se faz nada. A seguir, constata-se que já não tem valor porque ninguém fez nada. Finalmente, autoriza-se a demolição com ar grave, invocando segurança pública, degradação avançada e pareceres competentes. A cidade e o município lavam as mãos, os moradores suspiram, os nostálgicos, como eu, escrevem crónicas que não têm impacto nenhum, e o camartelo espera entrar em cena como protagonista.</p>
<p><strong>Viva o progresso e Ovar aberta ao turismo dos azulejos.</strong> Viva também quem promove a transformação de memórias em cinzas. E, no caso do cineteatro, arde uma parte da história cultural de Ovar, aquela que não cabe bem nos roteiros turísticos nem nas fotografias oficiais porque cheira a mofo, bilheteira, veludo gasto, pó de cabine, caramelos, humidade e adolescência.</p>
<p>O mais cruel é que o cineteatro já tinha morrido antes da sentença final com assinatura de Domingos Silva. A demolição física é apenas uma cerimónia fúnebre atrasada. Durante décadas, quem passava por ali via uma espécie de cadáver urbano com fachada. <strong>Um zombie Art Déco.</strong> Um cinema assombrado por sessões que já ninguém viu, por empregados que já ninguém conhece, por espectadores que talvez tenham ido ali ao primeiro encontro e hoje já têm netos que veem filmes no telemóvel, na vertical, com legendas automáticas e atenção de esquilo anfetamínico. Mesmo assim, a ruína ainda dizia qualquer coisa. As ruínas dizem sempre qualquer coisa.</p>
<p>Dizem: isto existiu. Isto juntou gente. Isto tinha luz lá dentro. Isto foi uma promessa. Isto foi abandonado por todos aqueles que agora explicam, com grande serenidade técnica, que já não há nada a fazer. Como aquele deputado municipal da maioria que defendeu a pés juntos que o projeto da praça foi apresentado e sufragado nas urnas com a vitória do PSD nas últimas autárquicas.</p>
<p><strong>Ovar tem sido especialmente competente a desfazer os seus cinemas, ao contrário de outras cidades vizinhas como Estarreja, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis e outras. Mas não são falácias destas que justificam o botábaixo: O PSD não teve maioria, logo recebeu um cartão amarelo da população, e para governar aliou-se a Lígia Pode que era cabeça de lista de uma lista independente que não advogava nenhuma praça nua para ali. Agora, esqueceu tudo o que disse e votou ao lado de Domingos Silva, Alexandre Rosas, António Bebiano e Ana Cunha transformando-se em mais uma coveira do cineteatro. Quando se atualizar a história, na placa de inauguração da praceta inscrevam estes nomes como coveiros do cineteatro.</strong></p>
<p>Agora que os partidos da oposição não se entendem para uma união que chegue para interpor uma providência cautelar contra a demolição, quando o cineteatro cair, não cairão apenas paredes, porque o telhado já não tem há muito tempo. Cairá a ideia de que as promessas são para cumprir &#8211; Salvador Malheiro garantiu que o cineteatro ia ser devolvido à cidade. Cairá mais um pedaço da Ovar que sabia sonhar sentada no escuro. Um dia, talvez uma placa diga: <em><strong>“Aqui existiu o cineteatro de Ovar.”</strong></em> E alguém passará, lerá, encolherá os ombros e perguntará no telemóvel onde fica o café ou o bistrô mais próximo que serve brunch em vez de um galão e um pão com manteiga.</p>
<p>Ovar não destrói a memória de repente. Vai-a deixando ao abandono, com delicadeza, até a memória parecer culpada por ocupar espaço. Foi assim com o Velho Teatro Ovarense feito à boa maneira parisiense que um dia já não estava lá. Um cinema fechado continua a projetar. Projeta ausências, tardes perdidas, beijos clandestinos, filmes esquecidos, espectadores desaparecidos, bilhetes rasgados, lanterninhas com os bolsos a tilintarem com as moedas da gorjeta, cortinas, intervalos, medo da bruxa, desejo, espanto e aquela felicidade simples de entrar numa sala anónima e sair de lá ligeiramente diferente.</p>
<p>O cineteatro de Ovar vai abaixo. Ficará apenas na memória.<strong> E a memória, como se sabe, não tem licença de construção, não tem pracetas, não ganha a meio tempo e raramente passa na reunião de câmara. Mas, ainda assim, é o único lugar onde o belo e elogiado edifício do Cineteatro de Ovar continuará aberto para sempre.</strong></p>
<p><em><strong>O Lobo Mau</strong></em></p>
<p>*autor devidamente identificado</p>
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		<item>
		<title>Deixem-me envelhecer (17/07/1940 &#8211; 17/07/2026) &#8211; Por Florindo Pinto</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/deixem-me-envelhecer-17-07-1940-17-07-2026-por-florindo-pinto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 10:08:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“desembaraça-te e, não guardes, tudo aquilo, que não te for necessário, que não seja belo, ou não te torne feliz” É da sabedoria popular, que considero ser um “poço” de sabedoria; “quem de novo não vai, de velho não escapa”, esta verdade inquestionável, tem sido transmitida de geração em geração e, continua bem presente, nos &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>“desembaraça-te e, não guardes,</strong><br />
<strong>tudo aquilo, que não te for necessário,</strong><br />
<strong>que não seja belo, ou não te torne feliz”</strong></p>
<p>É da sabedoria popular, que considero ser um “poço” de sabedoria; “quem de novo<br />
não vai, de velho não escapa”, esta verdade inquestionável, tem sido transmitida de<br />
geração em geração e, continua bem presente, nos dizeres e, no sentir de algumas<br />
pessoas, nos dias de hoje, perante a indiferença de uns e, a preocupação de outros,<br />
mas, também, não é menos verdade, que “não há idoso, que não queira viver mais um<br />
ano”, se é que não anda a sofrer e, a estorvar, ou se sente que pode alguma coisa mais<br />
realizar, mais fazer, mais deixar, se acaso isso conseguir e, que disso os outros, no<br />
amanhã, possam beneficiar.</p>
<p>E, por que tenho a noção de que assim é e, sempre assim será, vou tentando manter-<br />
me activo, procurando conservar e, usar o que me foi dado à nascença, não esquecer o<br />
aprendido e, sempre que oportuno, acrescentar ao meu pouco saber, mais algum novo<br />
saber e, não negar, nem descurar o “mais aprender”, mantendo-me atento à evolução<br />
imposta pelos tempos e, sempre, num natural, mas já muito condicionado, disfrutar<br />
dos prazeres da vida.</p>
<p>Como os outros, de idade mais avançada, que nem sempre são bem compreendidos,<br />
entendidos, ou tolerados, sei, que o saber adquirido ao longo dos já muitos anos de<br />
vida, nesta caminhada terrena, pode esquecer, se diluir, se dissipar e, de forma<br />
simplista, se resumir em um “agora não me lembro”.</p>
<p>E, como um qualquer ser prevenido e observador, na tentativa de o saber reter, dedico<br />
muitas horas do meu viver, que pouco mais tempo terá para me oferecer, apesar dos<br />
louváveis esforços de médicos, dedicados, com forte sentido humanista, que muito<br />
fazem para o “alongar”, continuo a ler, a reter, a memorizar a escrever, a consultar,<br />
para esse saber deixar, para outros dele se aperceber e, talvez aprender e, às gerações<br />
futuras, poderem eles, como eu estou a fazer e, sempre fiz, o oferecer.</p>
<p>No dia a dia, no seio da sociedade, não receio um possível comentário mais jocoso,<br />
vindo de um jovem, quando, em conversa, com quem me ouve, falo dos outros<br />
tempos, daquilo que sei, daquilo que vivi, daquilo que foi a realidade de um passado e,<br />
também, não escondo as minhas perspectivas, daquilo, que, segundo a minha visão<br />
das coisas, virá do desconhecido, no decorrer dos próximos tempos e, disso falo para<br />
gente, seja ele um amigo, um qualquer grupo de pessoas, ou um mero desconhecido.<br />
Falo, por que sinto ser necessário manter em “actividade” o cérebro, que, quando<br />
“consultado”, rebusca nos seus recantos, as memórias e, se estiver “em bom estado”<br />
as faz discorrer, de forma clara, para aos outros, do pensamento, os fazer<br />
compreender e, também, se necessário, melhor se defender, quando confrontados,<br />
com uma opinião diferente da sua/deles.</p>
<p>Gente há, da minha idade, que se retrai de manifestar a sua opinião, quando<br />
intimamente discorda daquilo que ouve, que acontece, com o que não concorda. E,<br />
por que se cala, nem sempre o faz por incapacidade de chegar à resposta certa, com as<br />
palavras adequadas, prefere, então, por “simpática” benevolência, ou estranho<br />
comodismo, para não dizer, por compaixão, passar por “ignorante, ou lorpa”.</p>
<p>Não, o idoso, não tem que ser somente um ser servil, acomodado, calado, demasiado<br />
tolerante, mas sim; deve ser frontal, nunca guardar no seu coração, aquilo que o<br />
incomoda, que sabe, ou pensa que sabe, que não está certo, que deve ser corrigido e,<br />
por isso, em todas as situações, se verdade, deve defender, com arreganho, com<br />
determinação, o seu ponto de vista.</p>
<p>E, sobre o falar, encontrei escrito por um médico, uma sua opinião, que me permito<br />
aqui transcrever; “A fala exercita os músculos activos da face, exercita a garganta,<br />
aumenta a capacidade dos pulmões e reduz os perigos ocultos da vertigem e da surdez,<br />
que frequentemente prejudicam os olhos e os ouvidos”.</p>
<p>Mas, sem recurso à medicina, podemos muito remediar, a velhice adiar, muito menos<br />
os outros incomodar, por que existem maneiras mil de conviver, de dialogar, de<br />
aprender, de ensinar, com o simples acto de falar, sem deixar de a idade respeitar.</p>
<p>E, porque a viagem em vida, de cada um de nós, pode ser “boa/tranquila”, mas a cruz,<br />
a tua cruz, tem de ser por ti carregada, não percas o teu tempo a falar “para o<br />
boneco”. Se estás sozinho pensa, medita, recorda, lembra, estuda a melhor fórmula de<br />
guardar, para aos outros devolver, em momentos de dar e, por que não se deve falar<br />
por falar, procura fazer amigos, com eles conviver, conversar, opinar, discordar, aceitar<br />
e, melhor estarás, se alguns expurgares, repudiares e, deles te afastares, por que um<br />
adulto, quando teimoso, vaidoso, maldoso, casmurro, parvo, não mais se deixa educar<br />
e, muito menos, aceita, que as palavras dos outros, tenham sido proferidas, para o<br />
ajudar a não mais ter atitudes de aborrecer, erros cometer e, de assumir, acções de<br />
envergonhar.</p>
<p>Em verdade, a vida, está recheada de escolhas, daquelas escolhas, que fazes e, das<br />
escolhas, que não fazes, por isso procura a harmonia, o lado bom das coisas, o respeito<br />
pela dignidade humana, por que no meu conceito dessas coisas, a sobranceria, a<br />
exploração, o desprezo, a arrogância, tem o seu preço, na extensa tabela das<br />
condições de vida, por que ela é, fruto da natureza e, funciona, como uma roda<br />
gigante, sempre a deixar o aviso; “quem estiver em cima, não deve pisar, quem está em<br />
baixo. Mais tarde, ou mais cedo, a roda gira e, a troca, é mesmo inevitável”.<br />
O que julgo estar certo, aqui vos deixo, é a minha opinião, em dia especial e de mais<br />
um aniversário.</p>
<p><strong>Florindo Pinto</strong><br />
17/07/2026</p>
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            	</item>
		<item>
		<title>Um apelo à cidadania e ao civismo num dos espaços mais emblemáticos de Ovar (Correio do Leitor)</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/um-apelo-a-cidadania-e-ao-civismo-num-dos-espacos-mais-emblematicos-de-ovar-correio-do-leitor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Correio do Leitor]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 17:40:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivo em Ovar há cerca de três anos e posso dizer, com toda a convicção, que me apaixonei pela cidade. Entre a qualidade de vida, a receção calorosa dos ovarenses e o património natural e urbano que temos ao nosso dispor, é um verdadeiro privilégio fazer parte desta comunidade e caminhar diariamente pelas nossas ruas. &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div dir="auto">Vivo em Ovar há cerca de três anos e posso dizer, com toda a convicção, que me apaixonei pela cidade. Entre a qualidade de vida, a receção calorosa dos ovarenses e o património natural e urbano que temos ao nosso dispor, é um verdadeiro privilégio fazer parte desta comunidade e caminhar diariamente pelas nossas ruas.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">No entanto, quem ama a sua cidade não pode ficar indiferente quando vê o seu património ser desvalorizado por pequenos atos de incivismo.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Como leitor do OvarNews e munícipe atento, faço um trajeto diário que passa pelo Jardim Câster — um dos pulmões verdes e ponto de encontro centrais da nossa cidade. Lamentavelmente, tenho assistido a uma degradação preocupante no que toca à limpeza do espaço. A presença de dezenas de raspadinhas usadas continuamente espalhadas pelo chão tornou-se habitual. Junto à ponte pedonal, um pano abandonado arrasta-se há semanas sem que ninguém o recolha e, mais recentemente, acumulam-se por lá garrafas e embalagens vazias de vinho, e até cartas de baralho.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Certamente que a autarquia e os serviços de limpeza urbana têm a responsabilidade de assegurar a manutenção e a higienização dos espaços públicos. Mas a verdade é que nenhuma equipa de limpeza consegue ser eficaz se a própria população não fizer a sua parte. Manter Ovar limpa, bonita e acolhedora não é apenas uma obrigação do município; é, acima de tudo, uma responsabilidade coletiva.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">O Jardim Caster é um espaço de todos e para todos: para as famílias que passeiam, para as crianças que brincam, para os idosos que ali descansam e para os visitantes que acolhemos. Ver este local transformado num depósito de resíduos é algo que devia incomodar-nos a todos.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Deixo, por isso, através destas linhas, um apelo sincero ao civismo e à consideração de todos os ovarenses e de quem nos visita: vamos cuidar do que é nosso. Usar os caixotes do lixo, recolher o que sujamos e zelar pelos nossos espaços verdes são gestos simples, mas que fazem toda a diferença na imagem da nossa terra e no orgulho que sentimos nela.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Ovar merece mais. E o nosso Jardim Caster também.</div>
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto">Com os melhores cumprimentos,</div>
<div data-smartmail="gmail_signature">
<div dir="ltr">
<div>
<div><em><strong>André Guilhon</strong></em>, apaixonado por Ovar</div>
</div>
</div>
</div>
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            	</item>
		<item>
		<title>Uma conversa à boca da urna com Luís Represas &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/uma-conversa-a-boca-da-urna-com-luis-represas-por-paulo-freitas-do-amaral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 15:02:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há encontros que não duram muito tempo, mas ficam para sempre. Há pessoas que, pela forma como falam, pela forma como escutam ou simplesmente pela maneira como se apresentam aos outros, deixam uma marca que o tempo não apaga. Luís Represas foi uma dessas pessoas. A música e a política, duas das grandes paixões da &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h1></h1>
<p>Há encontros que não duram muito tempo, mas ficam para sempre. Há pessoas que, pela forma como falam, pela forma como escutam ou simplesmente pela maneira como se apresentam aos outros, deixam uma marca que o tempo não apaga. Luís Represas foi uma dessas pessoas.</p>
<p>A música e a política, duas das grandes paixões da minha vida, foram precisamente os caminhos que me fizeram cruzar com ele.</p>
<p>A primeira vez que me encontrei com Luís Represas foi nos bastidores do Festival da Canção de 2001, numa das eliminatórias do concurso da RTP. Eu concorria integrado numa banda que tinha fundado, os Baby Jane, com uma canção original intitulada “O Paraíso é uma onda”. Éramos jovens músicos a viver aquele momento entre a ansiedade do palco e o sonho de poder deixar uma marca na música portuguesa.</p>
<p>Luís Represas era o convidado de honra da segunda parte do espectáculo. Já era então uma referência da música nacional, uma voz que fazia parte da memória colectiva de muitos portugueses, mas nos bastidores mostrou uma simplicidade que me ficou gravada. Foi simpático com aquele grupo de jovens músicos, não se fechou numa posição distante e fez questão de trocar algumas palavras connosco.</p>
<p>Anos mais tarde, a política voltaria a juntar-nos. Eu era então presidente de junta no concelho de Oeiras e encontrava-me no Instituto Espanhol no dia de eleições. Luís Represas dirigiu-se a mim para perguntar qual era a secção onde o filho poderia votar. Uma pergunta simples, de um cidadão preocupado em exercer o seu direito, mas que acabou por proporcionar uma conversa que nunca esquecerei.</p>
<p>Enquanto o filho tinha tempo de votar, ficámos quase uma hora à conversa. Falámos de música, naturalmente, mas também de política, de Portugal e da sociedade. Foi uma conversa apaixonada, aberta e inteligente, onde Luís Represas demonstrou uma capacidade rara de olhar para os diferentes campos políticos sem preconceitos, reconhecendo vantagens e limitações em todos eles.</p>
<p>Talvez por se lembrar daquele jovem músico que tinha encontrado nos bastidores do Festival da Canção, talvez por me encontrar agora no papel de autarca, sentiu-se à vontade para partilhar opiniões, memórias e paixões. E eu tive a oportunidade de conhecer melhor não apenas o artista, mas o cidadão.</p>
<p>Se já tinha ficado com uma excelente impressão de Luís Represas no primeiro encontro, essa impressão saiu reforçada dessa longa conversa à porta de uma urna de voto. Curiosamente, foi precisamente a música e a política, dois mundos que tantas vezes parecem separados, que acabaram por criar esta ponte entre nós.</p>
<p>A música deu-me o primeiro encontro com Luís Represas. A política proporcionou-me uma conversa mais profunda. E talvez a paixão comum por estas duas dimensões da vida tenha criado uma ligação especial naquele momento.</p>
<p>Nunca esquecerei essas trocas de palavras com alguém que marcou a música portuguesa e que, de alguma forma, também marcou o meu percurso. As suas canções acompanharam gerações, acompanharam momentos da minha vida e foram também uma das razões que me fizeram pegar numa viola e continuar a acreditar que a música é uma forma de contar histórias e aproximar pessoas.</p>
<p>Hoje recordo Luís Represas não apenas como uma grande voz da música portuguesa, mas como um homem que sabia conversar, ouvir e reflectir.</p>
<p>Obrigado, Luís Represas, pelas canções e pela conversa.</p>
<p>Descanse em paz.</p>
<p><em><strong>Paulo Freitas do Amaral</strong></em><br />
Professor, Historiador e Autor</p>
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		<title>Ronaldo, Portugal e o Mundial de 2030. Um erro que não podemos cometer &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 14:24:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundial 2026]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lembram-se de Roger Milla? Eu lembro-me bem. Corria o Mundial de Itália, em 1990, e eu era ainda um jovem apaixonado pelo futebol e pela História que este também vai escrevendo. Havia algo de extraordinário naquele avançado dos Camarões. Muitas vezes começava no banco, outras era lançado de início, mas bastava entrar em campo para &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div><strong>Lembram-se de Roger Milla?</strong></div>
<div></div>
<div>Eu lembro-me bem. Corria o Mundial de Itália, em 1990, e eu era ainda um jovem apaixonado pelo futebol e pela História que este também vai escrevendo. Havia algo de extraordinário naquele avançado dos Camarões. Muitas vezes começava no banco, outras era lançado de início, mas bastava entrar em campo para mudar o rumo de um jogo. Os adversários receavam-no, os colegas acreditavam mais e o público levantava-se das cadeiras à espera de mais um daqueles momentos que acabariam por ficar para sempre na memória do futebol.</div>
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<div>Passaram quase quarenta anos e, quando há poucos meses me sentei no Estádio da Luz para assistir ao Portugal-Escócia, Roger Milla não me saía da cabeça. <strong>Muitos estranharão esta associação</strong>. O que poderia ter em comum um avançado camaronês de 1990 com Cristiano Ronaldo? A resposta surgiu poucos minutos depois. Roberto Martínez chamou Ronaldo ao jogo no minuto 80, ainda o jogo estava empatado. Bastaram alguns instantes para o estádio mudar de ambiente, tudo se galvanizou. Os adversários passaram a olhar mais para um homem do que para a bola, os colegas ganharam uma confiança renovada e Portugal encontrou o caminho da vitória. Ronaldo marcou, desempatou o jogo e deu a vitória a Portugal no dia 8 e setembro de 2024, e, durante aqueles minutos, senti exatamente aquilo que tinha sentido décadas antes ao ver Roger Milla: há jogadores que deixam de ser apenas futebolistas. Tornam-se acontecimentos.</div>
<div></div>
<div>É por isso que <strong>considero um erro pensar que Cristiano Ronaldo não deve fazer parte da seleção</strong> portuguesa no Mundial de 2030.</div>
<div></div>
<div>Repare-se que não estou a defender que seja titular por decreto. O futebol continua a ser um jogo de mérito, de rendimento e de forma física. Mas entre ser titular indiscutível e ficar de fora existe um enorme espaço. Um jogador como Cristiano Ronaldo pode entrar quinze ou vinte minutos, pode ser utilizado em momentos específicos, pode decidir partidas e, sobretudo, pode provocar um impacto psicológico que muito poucos atletas na história do futebol conseguiram produzir.</div>
<div></div>
<div>Os treinadores sabem-no. Os adversários sabem-no. Quando Cristiano Ronaldo se levanta do banco, toda a estratégia muda. Há defesas que recuam alguns metros, há marcações que se alteram, há colegas que acreditam um pouco mais. Nem tudo no futebol se mede em quilómetros percorridos ou em estatísticas. Existem jogadores cuja simples presença altera o estado emocional de uma equipa inteira.</div>
<div></div>
<div><strong>Mas há outra razão, talvez ainda mais importante.</strong></div>
<div>O Mundial de 2030 não será um Campeonato do Mundo qualquer. Será o Mundial do Centenário e ficará para sempre ligado à História de Portugal. Pela primeira vez, o nosso país será um dos organizadores da maior competição desportiva do planeta. Daqui a cinquenta ou cem anos, quando alguém abrir um livro de História do desporto português, encontrará inevitavelmente fotografias desse Mundial. Seria difícil explicar às futuras gerações que o maior futebolista português de todos os tempos não fazia parte dessa imagem.</div>
<div>Há quem olhe apenas para a idade de Cristiano Ronaldo. Eu prefiro olhar para a História.</div>
<div></div>
<div>Roger Milla tornou-se eterno porque, aos quarenta e dois anos, continuou a escrever páginas inesquecíveis em Campeonatos do Mundo. Cristiano Ronaldo poderá chegar aos quarenta e cinco em 2030 e ultrapassar precisamente esse marco histórico. Não se trata apenas de um recorde. Trata-se de mais um capítulo de uma carreira que há muito deixou de pertencer apenas ao futebol português para entrar definitivamente na História do desporto mundial.</div>
<div></div>
<div><strong>Mas existe um argumento que, para mim, ultrapassa todos os outros.</strong></div>
<div>A marca Cristiano Ronaldo é, neste momento, maior do que a própria marca Portugal.</div>
<div>Pode parecer uma afirmação ousada, mas basta viajar um pouco pelo mundo para perceber que é verdadeira. Em aldeias africanas, em cidades asiáticas, em escolas da América Latina ou nas praias do Médio Oriente, milhões de crianças conhecem primeiro Cristiano Ronaldo e só depois descobrem que existe um país chamado Portugal. Pouquíssimos portugueses, ao longo de mais de oito séculos de História, conseguiram levar o nome da sua pátria tão longe. Nem grandes navegadores, nem escritores, nem cientistas, nem políticos alcançaram uma notoriedade global comparável.</div>
<div></div>
<div>Portugal gastaria centenas de milhões de euros em campanhas de promoção turística sem conseguir obter a projeção internacional que Cristiano Ronaldo proporciona sempre que entra em campo com a camisola das quinas. Cada fotografia, cada transmissão televisiva, cada conferência de imprensa, cada celebração de um golo transforma-se automaticamente numa campanha mundial de promoção do nosso país.</div>
<div>Por isso, olhar para Cristiano Ronaldo apenas como um avançado é reduzir a dimensão daquilo que ele representa. Ronaldo é hoje um património nacional. É um dos maiores embaixadores que Portugal alguma vez teve.</div>
<div></div>
<div><strong>O Mundial de 2030 também viverá de histórias.</strong> A FIFA sabe-o. Os patrocinadores sabem-no. Os adeptos sabem-no. Milhões de pessoas comprarão um bilhete não apenas para assistir a um jogo, mas para poderem dizer aos filhos e aos netos que estiveram presentes no último Campeonato do Mundo de Cristiano Ronaldo. Há momentos que transcendem o resultado e entram diretamente na memória coletiva dos povos.</div>
<div></div>
<div>Naturalmente, caberá ao selecionador decidir qual deverá ser o papel de Ronaldo. Talvez titular em alguns jogos, talvez suplente utilizado em momentos decisivos, talvez líder silencioso de um balneário onde muitos dos mais jovens cresceram a imitá-lo nos recreios das escolas. O que me parece verdadeiramente incompreensível seria imaginar um Mundial organizado por Portugal sem a presença daquele que, goste-se ou não, é o português mais conhecido do planeta.</div>
<div></div>
<div><strong>Quando, daqui a muitos anos, alguém voltar a recordar Roger Milla</strong>, provavelmente não pensará apenas nos seus golos ou na dança junto à bandeirola de canto. Pensará na influência extraordinária de um jogador que parecia desafiar o tempo. Cristiano Ronaldo pode não chegar ao Mundial de 2030 para disputar todos os minutos, mas pode muito bem chegar para disputar os minutos que fazem a diferença.</div>
<div></div>
<div>Portugal não levará apenas um futebolista ao Mundial de 2030. Levará consigo o maior embaixador da sua História contemporânea. E um país inteligente nunca desperdiça um património dessa dimensão precisamente no momento em que o mundo inteiro estará a olhar para a sua casa.</div>
<div></div>
<div><strong>Paulo Freitas do Amaral</strong></div>
<div><em>Professor e Autor</em></div>
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		<item>
		<title>O Cine-Teatro (IV) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-cine-teatro-iv-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:48:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual. Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar qualquer ânimo. Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os olhos pousam, por acaso, &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Marília caminha sozinha pela cidade. Está cansada, trêmula, sente-se mais só do que o habitual.<br />
Aborrecida em casa, decide sair sem destino certo. Ovar e as suas ruas têm o dom de acalmar<br />
qualquer ânimo.<br />
Caminha com passos firmes, sem direção. A angústia no peito dissipa-se aos poucos, até que os<br />
olhos pousam, por acaso, nos posters envelhecidos ainda presos às janelas do antigo Cine-Teatro.</p>
<p>E recorda.<br />
Recorda&#8230;<br />
A viagem no tempo começa.<br />
Era um dia morno. O tipo de dia em que nada acontece, em que a cidade parece adormecida, sem<br />
grandes atividades para oferecer.</p>
<p>Mas Marília sempre teve um talento especial para encontrar soluções.<br />
Pegou no telefone e marcou encontro com as suas melhores amigas, Cíntia e Mónica. Cresceram<br />
juntas — a mesma escola, a mesma cidade, a mesma infância. Mas agora, tudo estava prestes a<br />
mudar.<br />
O 12º ano tinha chegado ao fim, os exames de acesso à universidade tinham corrido bem&#8230; mas<br />
seguiriam caminhos diferentes.</p>
<p>Nenhuma delas falava sobre isso.<br />
Havia um silêncio estranho entre as três, uma espécie de pacto não declarado para evitar o<br />
inevitável.<br />
Sem planos para o dia, decidiram fazer o que sempre faziam: perder-se pelas ruas da cidade.<br />
Caminhar juntas, rir sem pressa, fingir que o tempo não estava prestes a separá-las.<br />
— Então, um filme?<br />
— Qual?<br />
— Só há uma tela. Ou vamos às 14h ou então só às 17h, e isso já fica tarde.<br />
— Sim, sim, vamos às 14h.</p>
<p>A decisão havia sido tomada e o filme era o menos importante.<br />
Ao entrar no Cine-Teatro, algo mudou. O riso voltou, a confusão de sempre instalou-se. O cheiro dos<br />
doces da zona, o burburinho das pessoas, a familiaridade daquele espaço.<br />
Só que algo inesperado aconteceu.</p>
<p>O filme não funcionava, tentativa após tentativa, sempre com o mesmo resultado, em nada.<br />
— Vai haver um atraso, pedimos desculpa. — anunciou um dos funcionários.<br />
Mas elas não se importaram. Aproveitaram para rir mais um pouco.<br />
E um novo anúncio.<br />
— Podem ir ao quiosque, têm direito a um chocolatinho.<br />
As três entreolharam-se.<br />
— Olha que sorte. — brincou Cíntia.</p>
<p>A sala estava quase vazia, então a oferta parecia um presente especial, mas o filme continuava sem<br />
arrancar.<br />
Mais conversa, mais risos, mais tempo passado sem preocupação, até que veio a confirmação.<br />
— A fita está estragada. Só poderemos exibir o filme na próxima sessão.<br />
Não fazia mal para as três, pois o que tinha começado como um plano para um dia sem graça,<br />
transformou-se numa memória.<br />
A última memória das três juntas, na sua cidade, como sempre foi.<br />
De volta ao presente, Marília sorri sozinha.</p>
<p>Ali está ela, feliz de novo, ainda que por um instante.<br />
Uma recordação simples, num lugar que já não existe da mesma forma, mas que nunca deixará de<br />
ser um eterno aconchego. <em>(Continua)</em></p>
<p><strong>Edgar Branco</strong></p>
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