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	<title>Arquivo de Opinião - OvarNews</title>
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	<description>Actualidade Vareira</description>
	<lastBuildDate>Thu, 01 Oct 2026 18:39:32 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - OvarNews</title>
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	<item>
		<title>Os assobios de família que se deixaram de usar&#8230; &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/os-assobios-de-familia-que-se-deixaram-de-usar-por-paulo-freitas-do-amaral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Paulo Amaral]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 18:39:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Havia mesmo assobios de família&#8230; e quem viveu a infância há algumas décadas provavelmente ainda se lembra do seu. Quando eu era miúdo e brincava na rua, na Cruz Quebrada, em Oeiras, os meus pais tinham um assobio próprio para me chamar. Não era preciso gritar pelo meu nome, nem andar à minha procura &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/os-assobios-de-familia-que-se-deixaram-de-usar-por-paulo-freitas-do-amaral/">Os assobios de família que se deixaram de usar&#8230; &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Havia mesmo assobios de família&#8230; e quem viveu a infância há algumas décadas provavelmente ainda se lembra do seu.</p>
<p>Quando eu era miúdo e brincava na rua, na Cruz Quebrada, em Oeiras, os meus pais tinham um assobio próprio para me chamar. Não era preciso gritar pelo meu nome, nem andar à minha procura pelas ruas. Bastava aquele som, que eu reconhecia imediatamente, mesmo no meio de outros assobios, vozes e brincadeiras. E não era apenas a minha família que tinha o seu&#8230; outros miúdos tinham também o assobio através do qual os pais os chamavam, e nós acabávamos por conhecer os assobios das famílias da rua quase tão bem como conhecíamos as próprias pessoas.</p>
<p>Havia até uma hora certa para os assobios&#8230; pelas oito da noite começavam a ouvir-se pela rua os chamamentos para ir jantar. Um assobio aqui, outro mais adiante, e cada criança sabia qual era o seu. Não havia telemóveis, mensagens ou localizações partilhadas&#8230; havia o assobio dos pais e a obrigação, nem sempre cumprida à primeira, de aparecer em casa.</p>
<p>Era assim numa Lisboa que já não existe da mesma maneira, naquela Cruz Quebrada de Oeiras onde as crianças brincavam na rua, iam sozinhas para a escola, passavam horas fora de casa e até iam para a praia sem que os pais soubessem a cada instante onde estavam. Havia uma liberdade que hoje parece quase inimaginável&#8230; e havia também uma confiança que fazia parte da vida quotidiana.</p>
<p>O mais curioso é que, tantos anos depois, há um lugar onde esse velho hábito continua a funcionar.</p>
<p>Quando estou com a minha mãe num supermercado e, entre corredores, prateleiras e pessoas, nos perdemos um do outro, por vezes ela faz aquele assobio&#8230; e eu encontro-a imediatamente. É como se, por alguns segundos, desaparecessem o supermercado, os anos que passaram e todas as formas modernas de comunicação, ficando apenas aquele som que aprendi a reconhecer quando era miúdo.</p>
<p>O assobio de família foi caindo em desuso à medida que mudámos a maneira de viver. Primeiro vieram os telefones, depois os telemóveis, as mensagens e agora até podemos saber a localização exacta de alguém através de uma aplicação&#8230; já quase ninguém precisa de assobiar para chamar os filhos para jantar.</p>
<p>Mas talvez tenhamos perdido qualquer coisa pelo caminho.</p>
<p>Este artigo não é acompanhado por uma fotografia&#8230; é acompanhado pelo meu assobio de família, gravado num MP3. Talvez, ao ouvi-lo, se lembre de que também existia um na sua casa&#8230; talvez ainda consiga reproduzi-lo depois de tantos anos.</p>
<p>E se conseguir, ensine-o aos seus filhos.</p>
<p>Porque um dia poderão estar no meio de uma multidão e ouvir aquele som&#8230; e reconhecer imediatamente alguém que amam.</p>
<p>Tal como nós reconhecíamos os nossos pais, quando ainda bastava um assobio para nos dizerem que eram oito da noite&#8230; e que estava na hora de ir jantar.</p>
<p><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/05/Paulo-Freitas-Amaral-Prof.jpg"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-92759" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/05/Paulo-Freitas-Amaral-Prof.jpg" alt="" width="362" height="194" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/05/Paulo-Freitas-Amaral-Prof.jpg 860w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/05/Paulo-Freitas-Amaral-Prof-300x160.jpg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/05/Paulo-Freitas-Amaral-Prof-768x411.jpg 768w" sizes="(max-width: 362px) 100vw, 362px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Paulo <span class="il">Freitas do Amaral, </span><em>Professor, Historiador e Autor</em></strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Aveiro não pode perder o comboio do investimento &#8211; Por Henrique Araújo</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/aveiro-nao-pode-perder-o-comboio-do-investimento-por-henrique-araujo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 16:33:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; O distrito de Aveiro tem uma característica que não pode ser ignorada quando se discute investimento público: é um dos territórios economicamente mais relevantes do país. É um distrito profundamente industrial, exportador, com um tecido empresarial diversificado, uma forte presença de pequenas e médias empresas, importantes zonas industriais, o Porto de Aveiro e uma &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/aveiro-nao-pode-perder-o-comboio-do-investimento-por-henrique-araujo/">Aveiro não pode perder o comboio do investimento &#8211; Por Henrique Araújo</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>O distrito de Aveiro tem uma característica que não pode ser ignorada quando se discute investimento público: é um dos territórios economicamente mais relevantes do país.</p>
<p>É um distrito profundamente industrial, exportador, com um tecido empresarial diversificado, uma forte presença de pequenas e médias empresas, importantes zonas industriais, o Porto de Aveiro e uma posição geográfica privilegiada entre o Norte e o Centro.</p>
<p>Em 2023, as exportações de bens do distrito de Aveiro atingiram cerca de 9,53 mil milhões de euros.</p>
<p>Na Região Centro, Aveiro representa também uma parcela muito significativa das empresas distinguidas como PME Líder. Não estamos, portanto, perante um território que pede investimento apenas por necessidade: estamos perante um território que tem capacidade para gerar riqueza, emprego, exportações e valor acrescentado para o país.</p>
<p>É precisamente por isso que a discussão sobre as infraestruturas e o investimento público em Aveiro merece ser feita com muito mais exigência.</p>
<p><strong>Um distrito com condições para liderar</strong><br />
Aveiro reúne condições para assumir uma posição de liderança nacional em vários setores.</p>
<p>A metalomecânica, a indústria automóvel, o habitat, a economia do mar, as tecnologias de informação e comunicação, a cerâmica, a indústria transformadora, a logística e diversas atividades exportadoras constituem uma base económica que não pode ser tratada como secundária.</p>
<p>Mas nenhuma economia consegue manter competitividade apenas com a capacidade das suas empresas.</p>
<p>É preciso ter boas estradas, ferrovia eficiente, transportes públicos adequados, energia, redes digitais, áreas empresariais qualificadas, habitação, formação profissional e acesso aos grandes mercados.</p>
<p>É aqui que entra o papel do investimento público.</p>
<p>Se Aveiro deve ser líder na indústria e nas exportações, também precisa de ser líder nas infraestruturas que suportam essa economia.</p>
<p>O problema não é apenas anunciar obras. É saber como serão pagas.<br />
Esta questão torna-se particularmente importante quando analisamos o percurso de vários projetos estruturantes.</p>
<p>Um dos casos mais evidentes é o Eixo Rodoviário Aveiro–Águeda.</p>
<p>O projeto foi inicialmente enquadrado no PRR com cerca de 46,9 milhões de euros de financiamento não reembolsável, com uma data de conclusão inicialmente prevista para 30 de junho de 2025.</p>
<p>Entretanto, a solução avançou para uma obra cujo preço-base ronda os 109,3 milhões de euros.</p>
<p>A diferença é suficientemente grande para obrigar a uma pergunta simples:<br />
Como será financiada a parte que deixou de estar coberta pelo enquadramento inicial?</p>
<p><strong>A questão não é meramente contabilística.</strong><br />
Uma infraestrutura desta dimensão tem impacto na mobilidade das pessoas, na ligação entre áreas empresariais, nos custos de transporte, na competitividade das empresas e na capacidade de atração de investimento.</p>
<p>Se o financiamento europeu inicialmente previsto deixou de ser suficiente ou deixou de ser aplicável nos termos originais, é fundamental que os cidadãos saibam qual é a nova engenharia financeira do projeto.</p>
<p><strong>E o que aconteceu aos restantes projetos?</strong><br />
Esta é a pergunta que deve ser colocada de forma mais abrangente.</p>
<p>Durante os últimos anos foram identificados para a Região de Aveiro vários investimentos estratégicos, desde acessibilidades e áreas empresariais até saúde, defesa costeira, Ria de Aveiro, ferrovia e ligação ao Porto de Aveiro.</p>
<p>Entre os projetos identificados pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro estavam, por exemplo, a ampliação e qualificação do Hospital de Aveiro, intervenções nas vias para a competitividade, investimentos relacionados com a Ria de Aveiro e defesa costeira e uma visão de longo prazo para a ligação ferroviária Aveiro–Viseu–Guarda–Salamanca e a valorização do Porto de Aveiro.</p>
<p>Nem todos estes projetos tiveram o mesmo grau de concretização ou financiamento. E é precisamente por isso que importa distinguir aquilo que foi anunciado, aquilo que foi candidatado, aquilo que foi aprovado e aquilo que efetivamente tem dinheiro assegurado.<br />
Aveiro precisa dessa transparência.</p>
<p><strong>O fim de um prazo não pode significar o fim de uma obra</strong></p>
<p>O problema dos fundos europeus e do PRR trouxe uma realidade que não pode ser ignorada.</p>
<p>Existem projetos que, por dificuldades de execução, alterações de calendário, procedimentos administrativos ou incapacidade de cumprir os prazos dos programas, deixaram de poder ser executados integralmente através do enquadramento financeiro inicialmente previsto.</p>
<p>O próprio modelo de reprogramação do PRR admite que determinados investimentos possam necessitar de outras soluções financeiras, incluindo financiamento nacional ou outros fundos europeus quando sejam elegíveis.</p>
<p><strong>É aqui que Aveiro tem de exigir respostas.</strong></p>
<p>Quando uma obra considerada necessária para o distrito perde o financiamento inicialmente previsto, a necessidade da obra não desaparece.<br />
A estrada continua a ser necessária.<br />
A ferrovia continua a ser necessária.<br />
A melhoria dos transportes continua a ser necessária.<br />
As infraestruturas empresariais continuam a ser necessárias.<br />
A proteção da Ria e da costa continua a ser necessária.<br />
E as necessidades hospitalares continuam a existir.</p>
<p>Então a pergunta é inevitável:<br />
Se o financiamento inicialmente previsto deixou de existir, quem vai financiar agora essas obras?</p>
<p><strong>Não basta dizer que há fundos</strong><br />
É importante que o debate público passe dos anúncios para os números.</p>
<p>Para cada grande projeto que estava previsto para Aveiro, os cidadãos têm o direito de saber:<br />
<strong>Qual era o custo inicialmente previsto?</strong><br />
<strong>Quanto financiamento estava inicialmente assegurado?</strong><br />
<strong>Qual foi o montante efetivamente contratado?</strong><br />
<strong>O projeto perdeu financiamento europeu?</strong><br />
<strong>Por que razão?</strong><br />
<strong>Houve reprogramação?</strong><br />
<strong>Para onde foram canalizados os recursos que deixaram de ser utilizados?</strong><br />
<strong>Qual é agora a fonte alternativa de financiamento?</strong><br />
<strong>Qual é o calendário atualizado?</strong><br />
<strong>Quem assume a responsabilidade pela execução?</strong></p>
<p>Estas não são perguntas partidárias.<br />
São perguntas de boa gestão dos recursos públicos.<br />
Aveiro não pode ser penalizado pelo próprio sucesso</p>
<p>Existe ainda uma questão de fundo.<br />
Um distrito que produz, exporta, emprega e gera riqueza para o país precisa de infraestruturas à altura da sua capacidade económica.</p>
<p>Não se trata de exigir que Aveiro receba mais do que os outros territórios.</p>
<p>Trata-se de exigir que os investimentos necessários sejam efetivamente executados e que os projetos considerados estratégicos não fiquem pelo caminho porque um determinado programa financeiro terminou ou porque um prazo administrativo não foi cumprido.</p>
<p>Aveiro não pode ser penalizado duas vezes: primeiro, pela perda ou alteração do financiamento inicialmente previsto; depois, pelo adiamento indefinido da obra.</p>
<p><strong>Uma estratégia para Aveiro</strong><br />
O distrito precisa de uma estratégia de investimento que ultrapasse os ciclos políticos e os programas financeiros.<br />
Uma estratégia que identifique claramente onde Aveiro pode liderar e concentre esforços nas infraestruturas que permitem essa liderança.<br />
Na indústria.<br />
Nas exportações.<br />
Na economia do mar.<br />
Na logística.<br />
Na inovação.<br />
Na tecnologia.<br />
Na ferrovia.<br />
No Porto de Aveiro.<br />
Nas áreas empresariais.<br />
Nos transportes públicos.<br />
Na qualificação das pessoas.<br />
Na saúde.<br />
Na proteção da Ria e da costa.<br />
Não basta afirmar que Aveiro é um território competitivo.<br />
É preciso criar as condições para que continue a sê-lo daqui a 10, 20 ou 30 anos.</p>
<p><strong>A pergunta que fica.</strong></p>
<p>Por isso, mais do que discutir apenas novos anúncios, é tempo de fazer um levantamento completo dos investimentos previstos para o distrito de Aveiro.<br />
Quais avançaram?<br />
Quais foram financiados?<br />
Quais perderam o financiamento inicialmente previsto?<br />
Quais foram reprogramados?<br />
Quais ficaram de fora?</p>
<p>E, sobretudo, como serão agora financiadas as obras que estavam contempladas para Aveiro e que continuam a ser necessárias?</p>
<p>Esta é uma pergunta que merece uma resposta clara do Governo, das entidades responsáveis pelos fundos europeus, da CCDR Centro, das comunidades intermunicipais e dos municípios envolvidos.<br />
Aveiro não precisa apenas de promessas.<br />
Precisa de calendários, financiamento e execução.<br />
Porque um distrito que tem capacidade para ser líder nacional na indústria, nas exportações, na economia do mar, na logística e na inovação não pode aceitar que investimentos estratégicos fiquem dependentes da próxima oportunidade financeira.<br />
Aveiro já demonstrou que sabe criar riqueza. Agora é necessário garantir que o investimento público acompanha essa capacidade.</p>
<p>E quando uma obra é considerada estratégica para o distrito, a pergunta não pode ser apenas “quando será feita?”.<br />
Tem de ser também:<br />
“Com que dinheiro será feita — e quem garante que será feita?”</p>
<p><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-107389" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo1.jpeg" alt="" width="168" height="168" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo1.jpeg 550w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo1-300x300.jpeg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo1-150x150.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 168px) 100vw, 168px" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Henrique Araújo,</strong> </em>presidente do Movimento 2030</p>
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	</item>
		<item>
		<title>O Irmão de Santa Camarão (III) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-irmao-de-santa-camarao-iii-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 15:57:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na manhã seguinte, o problema manteve-se e Santo Lagosta continuava sem voz. Aflito, procurou médicos, especialistas, curandeiros. Mas todos lhe deram a mesma resposta. — Infelizmente, não há nada que possamos fazer. Sem explicações. Sem soluções. Apenas silêncio. As semanas passaram. A vida seguiu. Mas Santo Lagosta não desistiu. Decidiu regressar ao trabalho no Café &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na manhã seguinte, o problema manteve-se e Santo Lagosta continuava sem voz. Aflito, procurou<br />
médicos, especialistas, curandeiros. Mas todos lhe deram a mesma resposta.</p>
<p><strong>— Infelizmente, não há nada que possamos fazer.</strong></p>
<p>Sem explicações. Sem soluções. Apenas silêncio.<br />
As semanas passaram. A vida seguiu. Mas Santo Lagosta não desistiu. Decidiu regressar ao<br />
trabalho no Café Lampião, onde servia mesas antes do estranho encontro com a truta. Se já não<br />
podia falar, adaptava-se.</p>
<p>Trazia agora um cartão pendurado ao pescoço, explicando a sua condição: &#8211; Não posso falar, mas<br />
posso ouvir. Faça o seu pedido por escrito.</p>
<p>Com um bloco de notas e uma caneta sempre à mão, continuou a trabalhar.<br />
Nunca parou.</p>
<p>Num dia como tantos outros, enquanto servia as mesas da pequena esplanada do café, ouviu a<br />
conversa de duas jovens clientes.</p>
<p>A mais angustiada apoiava o rosto entre as mãos.</p>
<p><strong>— Amiga… eu já não sei o que fazer. Já não sei o que dizer. Tento de tudo para que ele repare em</strong><br />
<strong>mim, mas… nada. Será que vou ficar solteira para sempre?</strong></p>
<p>A outra, mais optimista, suspirou e sorriu.</p>
<p><strong>— Oh querida… dá tempo. Ele há de ver o que tem à frente.</strong></p>
<p>Santo Lagosta escutou. E, sem que soubesse bem porquê, algo dentro dele se acendeu.<br />
Desde aquela noite junto ao cais, não tocava guitarra. Tinha deixado a música para trás, ressentido<br />
pelo preço que pagara ao desejo da truta. Mas agora, sentia algo diferente.<br />
Uma necessidade.</p>
<p>Pegou na guitarra, hesitante. As cordas estavam frias, esquecidas, mas os seus dedos<br />
reconheceram-nas como velhos amigos.</p>
<p>E quando tocou a primeira nota…<br />
O som foi puro. Perfeito.<br />
Como nunca antes.<br />
As conversas ao redor cessaram. Os clientes do café olharam na sua direção. A melodia era bela,<br />
envolvente. Santo Lagosta nunca tinha tocado assim.</p>
<p>Seria este o desejo da truta?</p>
<p>O pensamento invadiu-lhe a mente. E então… A vontade de cantar surgiu. Um arrepio percorreu-lhe o corpo.</p>
<p>Sem saber como ou porquê, Lagosta sentiu as palavras formarem-se dentro de si.<br />
E quando abriu a boca, a voz fluiu como música.</p>
<p><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Menina, menina, de rosto perfeito,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Teu pesar escuto, teu lamento aceito.<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Torna o pranto em sorriso, pois nesta canção,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Tens a resposta guardada no coração.<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> O teu amor, por ti, o coração bate,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Só tens de segurá-lo com força e com arte.<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Pois a vontade é forte, mas fraca é a carne,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> E um futuro te vejo, num laço que arde.<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Casados, felizes, num doce enlace,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Mas age depressa&#8230; não deixes que passe!<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Vai, menina, deixa o medo pra trás,<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Dá-lhe um beijo&#8230; e tudo se faz.<br />
<img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f3b6.png" alt="🎶" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Olha&#8230; ali vem ele daquele canto!</p>
<p>Todos pararam para ouvir.<br />
A música pairou no ar como um feitiço.<br />
Os olhos da jovem encheram-se de lágrimas.<br />
Ela olhou para o lado&#8230; e ali estava ele. O homem pelo qual suspirava.<br />
Sem pensar, correu até ele e, com o coração transbordando de coragem, beijou-o.<br />
O jovem ficou atónito. Mas logo sorriu.</p>
<p><strong>— Casa comigo?</strong> — perguntou ele, de repente, segurando-lhe as mãos.<br />
A jovem engasgou-se na emoção. E entre lágrimas e risos, disse que sim.<br />
Santo Lagosta, ainda de guitarra na mão, observou a cena com um misto de surpresa e<br />
compreensão.</p>
<p>Agora sabia o que o destino lhe tinha dado.<br />
Agora entendia o preço que pagara.<br />
O seu dom não era apenas a música.<br />
Era a visão. Através do canto, via os destinos das pessoas.<br />
(Continua)</p>
<p><strong>Edgar Branco</strong></p>
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		<item>
		<title>Há Memórias que o Tempo Não Apaga… E a Ovarense é uma Delas! &#8211; Por António De’Ribeiro</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/ha-memorias-que-o-tempo-nao-apaga-e-a-ovarense-e-uma-delas-por-antonio-deribeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2026 18:14:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao ler a notícia do regresso de Mário Elie a Ovar, vieram-me imediatamente à memória tantos momentos extraordinários de uma parte muito importante da minha vida. Ovar foi a minha terra durante 25 anos. Cheguei com apenas 9 anos e ali vivi toda a minha adolescência, juventude e uma boa parte da minha vida adulta, &#8230;</p>
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<div dir="auto">Ao ler a notícia do regresso de Mário Elie a Ovar, vieram-me imediatamente à memória tantos momentos extraordinários de uma parte muito importante da minha vida.</div>
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<div dir="auto">Ovar foi a minha terra durante 25 anos.</div>
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<div dir="auto">Cheguei com apenas 9 anos e ali vivi toda a minha adolescência, juventude e uma boa parte da minha vida adulta, até aos 34 anos.</div>
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<div dir="auto"><strong>E quem viveu Ovar naquela época sabe bem o que significava o Basquetebol e, sobretudo, o que significava a Ovarense!</strong></div>
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<div dir="auto">Vivi intensamente aqueles jogos.</div>
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<div dir="auto">Lembro-me perfeitamente de Mário Elie, de DJ e de tantos outros jogadores que fizeram parte de uma geração inesquecível.</div>
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<div dir="auto"><strong>Ainda hoje consigo recordar o ambiente do Pavilhão Raimundo Rodrigues</strong>: as bancadas cheias, a emoção, os gritos, a intensidade dos adeptos e aquela sensação extraordinária de que toda uma cidade jogava juntamente com a equipa.</div>
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<div dir="auto"><strong>Que jogos!</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Que ambiente!</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Que Ovarense!</strong></div>
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<div dir="auto">Foram tempos de grandes vitórias, de sonhos e de enorme afirmação do basquetebol vareiro e português.</div>
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<div dir="auto">Talvez tenha vivido tudo isso ainda mais intensamente por influência do meu irmão, Álvaro Ribeiro que era Diretor Desportivo da Ovarense.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">Por isso, dificilmente faltava aos grandes jogos e às grandes vitórias.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">E Mário Elie tinha algo de especial.</div>
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<div dir="auto"><strong>Vestiu a camisola da Ovarense nas épocas de 1987/88 e 1988/89,</strong> ajudando o clube a conquistar uma Liga, uma Taça de Portugal e uma Supertaça.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">Depois partiu para uma carreira extraordinária na NBA, onde jogou durante 11 temporadas e se sagrou três vezes campeão.</div>
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<div dir="auto">Pensar que tivemos em Ovar, diante dos nossos olhos, um jogador que depois faria parte da história do melhor basquetebol do mundo dá ainda maior dimensão àquilo que vivemos.</div>
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<div dir="auto">Por isso, saber que Mário Elie regressa agora a Ovar, décadas depois, para reencontrar aquela história, juntamente com DJ e outras figuras da Ovarense, tem para mim um significado muito especial.</div>
</div>
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<div dir="auto">Porque não é apenas um jogador que regressa.</div>
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<div dir="auto"><strong>Regressam as memórias.</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Regressa a juventude.</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Regressam os amigos.</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Regressam os jogos inesquecíveis.</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Regressam os aplausos daquele pavilhão.</strong></div>
<div dir="auto"><strong>Regressa um bocadinho da nossa própria história.</strong></div>
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<div dir="auto">Ovar faz parte de mim.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">E a Ovarense faz parte das minhas melhores memórias dessa Ovar que me viu crescer.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"><strong>Obrigado, Ovarense, por tantos momentos inesquecíveis.</strong></div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"><strong>E seja muito bem-vindo de volta a Ovar, Mário Elie!</strong></div>
</div>
<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">Há Campeões que conquistam títulos.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto">E há Campeões que ficam para sempre na nossa memória.</div>
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<div class="x14z9mp xat24cr x1lziwak x1vvkbs xtlvy1s x126k92a">
<div dir="auto"><em><strong>António De’Ribeiro</strong></em></div>
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		<item>
		<title>Para onde está a ir o património ferroviário português? &#8211; Por Paulo Freitas do Amaral</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/para-onde-esta-a-ir-o-patrimonio-ferroviario-portugues-por-paulo-freitas-do-amaral/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 10:17:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há imagens que, por mais pequenas que pareçam, acabam por dizer muito sobre a forma como um país olha para a sua própria História. Nas últimas semanas, muitos portugueses viram na televisão a polémica em torno das travessas de madeira provenientes de uma linha ferroviária desmantelada que terão sido utilizadas para fabricar uma mesa e &#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div>Há imagens que, por mais pequenas que pareçam, acabam por dizer muito sobre a forma como um país olha para a sua própria História. Nas últimas semanas, muitos portugueses viram na televisão a polémica em torno das travessas de madeira provenientes de uma linha ferroviária desmantelada que terão sido utilizadas para fabricar uma mesa e bancos numa propriedade do actual ministro da Administração Interna, Luís Neves. Segundo foi noticiado, as travessas, conhecidas no vocabulário ferroviário como sulipas, terão sido obtidas no contexto do desmantelamento de uma linha e posteriormente transportadas para Odemira, onde foram transformadas em mobiliário. O ministro afirmou ter adquirido as madeiras, enquanto a Infraestruturas de Portugal foi chamada a esclarecer as circunstâncias da operação.</div>
<div></div>
<div>Mas talvez o verdadeiro problema desta história não esteja sequer nas travessas que chegaram a uma propriedade particular. O problema maior, e muito mais profundo, é aquilo que a existência dessa notícia nos deveria obrigar a perguntar: <b>o que acontece ao património ferroviário português quando uma linha é desmontada, uma estação é remodelada ou uma infraestrutura é substituída?</b> Quem inventaria aquilo que desaparece? Quem fotografa, cataloga, conserva e guarda? Quem decide o que pode ser destruído, o que deve ser preservado e o que, não podendo permanecer no local, deve pelo menos ser integrado num arquivo, num museu ou numa colecção documental? E, sobretudo, quem garante que daqui a cinquenta anos um investigador poderá reconstruir a história de uma pequena estação ferroviária portuguesa que hoje está prestes a desaparecer?</div>
<div></div>
<div>Portugal está a investir novamente na ferrovia, e esse investimento é importante para a modernização das comunicações do país. A Infraestruturas de Portugal tem actualmente em curso e projectadas diversas intervenções de modernização da rede, desde a Linha do Sul à Linha do Norte e à Linha do Minho, enquanto os projectos de alta velocidade avançam também em diferentes fases. O problema não está, portanto, em modernizar a ferrovia. O problema começa quando a palavra modernização passa a significar que tudo aquilo que existia antes pode ser simplesmente removido, demolido, descartado ou entregue sem que tenha sido previamente feito o necessário levantamento histórico e patrimonial.</div>
<div></div>
<div>Uma estação ferroviária não é apenas um edifício onde se espera pelo comboio. Pode ser uma peça de arquitectura, um testemunho da industrialização, um marco na transformação económica de uma região, um lugar de emigração, de chegada, de despedida, de comércio, de correspondência e de encontro. Pode conter azulejos, inscrições, relógios, candeeiros, bilheteiras, bancos, placas, sinais, mobiliário, equipamentos técnicos, documentação e dezenas de outros elementos que, isoladamente, talvez pareçam insignificantes, mas que, reunidos, constituem a história material de uma comunidade. O próprio inventário do Património Cultural português reconhece essa dimensão, como acontece, por exemplo, com a Estação de São Bento, onde a descrição patrimonial inclui a gare metálica, os painéis de azulejos e outros elementos arquitectónicos, ou com a antiga estação de Santarém, hoje integrada no Museu Nacional Ferroviário, onde se conserva um conjunto significativo de edifícios, locomotivas, carruagens, equipamentos e objectos relacionados com a história dos caminhos-de-ferro.</div>
<div></div>
<div>E há ainda uma dimensão que os processos de obra tendem a esquecer: <b>a memória local</b>.</div>
<div></div>
<div>Tenho casa em Lavre, no Alentejo, e conheço por isso particularmente bem o significado que uma antiga estação pode ter para uma comunidade. A Estação Ferroviária de Lavre pertenceu à Linha de Vendas Novas e foi inaugurada em 15 de Janeiro de 1904, tendo servido durante mais de um século como elemento da ligação ferroviária daquela região. A documentação histórica disponível permite reconstruir a sua origem, a construção da estação e até intervenções posteriores na infraestrutura, como a ampliação das vias de resguardo aprovada em 1955. Hoje, perante a modernização da linha e as alterações previstas na infraestrutura, coloca-se uma questão que ultrapassa largamente a existência física daquele edifício: <b>se a estação desaparecer, o que ficará de Lavre ferroviário?</b></div>
<div></div>
<div>Não me refiro apenas às paredes.</div>
<div>Deveriam ficar fotografias, plantas, mapas, bilhetes, documentos, inscrições, placas, elementos arquitectónicos, peças de equipamento, testemunhos orais, histórias dos ferroviários, relatos dos passageiros, fotografias de família, correspondência, memórias de partidas e chegadas, e tudo aquilo que permita às gerações futuras compreender que naquele lugar existiu uma estação e que essa estação desempenhou uma função concreta na vida de uma comunidade. Se a construção tiver inevitavelmente de desaparecer por razões de segurança ou de engenharia, a História não tem necessariamente de desaparecer com ela.</div>
<div></div>
<div>É precisamente aqui que deveria existir uma política nacional de <b>inventário do património ferroviário ameaçado</b>.</div>
<div></div>
<div>Antes de uma estação ser demolida, antes de uma plataforma ser alterada, antes de uma linha ser desmontada e antes de os seus elementos serem retirados, deveria existir um levantamento sistemático. Um levantamento arquitectónico e fotográfico, um inventário dos elementos decorativos, uma identificação dos materiais com interesse histórico, uma recolha documental e, quando se justifique, um registo arqueológico e uma recolha da memória oral das comunidades. Não é necessário conservar tudo fisicamente. É necessário, isso sim, <b>saber exactamente o que existe antes de decidir aquilo que pode desaparecer</b>.</div>
<div></div>
<div>Esta metodologia não seria sequer uma invenção extraordinária. O próprio sistema português de património cultural já trabalha com inventários e fichas patrimoniais detalhadas, nas quais são registadas características arquitectónicas, história, localização, bibliografia e elementos integrantes de diversos imóveis. A questão é saber se este princípio está a acompanhar, com a mesma intensidade e sistematização, as grandes obras ferroviárias que actualmente atravessam o território nacional.</div>
<div></div>
<div>Porque o património ferroviário não termina na estação monumental que aparece nos guias turísticos.</div>
<div>Está também naquela pequena estação alentejana construída no princípio do século XX, naquele apeadeiro perdido entre duas localidades, na casa do chefe da estação, no depósito, na ponte, na sinalização, na torre, no armazém, na plataforma, no painel de azulejos, na placa que indicava o nome da terra e até naquela peça metálica ou de madeira que durante décadas fez parte da paisagem ferroviária portuguesa. Algumas destas estruturas podem ter reduzido valor artístico isoladamente, mas possuem um enorme valor documental, social e identitário.</div>
<div></div>
<div>Aliás, a própria experiência portuguesa demonstra que aquilo que hoje parece uma estrutura secundária pode amanhã ser reconhecido como elemento fundamental da identidade de uma comunidade. É significativo que a antiga torre de sinalização de Palmela, cuja demolição chegou a ser equacionada, tenha sido preservada depois de um movimento local de defesa do imóvel e posteriormente classificada como Imóvel de Interesse Municipal. A ficha do Património Cultural sublinha precisamente a sua importância enquanto elemento de identidade local.</div>
<div>É esta consciência que falta muitas vezes quando se olha para uma obra pública apenas através do calendário da empreitada.</div>
<div></div>
<div>Uma obra ferroviária tem um princípio, um prazo e um orçamento. O património tem séculos e, quando desaparece, não há orçamento que o reconstrua exactamente como era. Uma estação pode ser demolida numa manhã; a investigação histórica necessária para perceber o que ali existia pode exigir anos. Um painel de azulejos pode ser retirado em poucas horas; a sua autoria, proveniência, cronologia e contexto podem exigir meses de investigação. Um arquivo pode ser dividido por diferentes entidades e depósitos; uma geração inteira pode morrer sem que alguém tenha recolhido os seus testemunhos.</div>
<div></div>
<div>Por isso, quando se fala de património ferroviário, não se deve pensar apenas em monumentos classificados. Deve pensar-se numa <b>paisagem histórica ferroviária</b>, constituída por edifícios, objectos, documentos, técnicas, memórias e comunidades.</div>
<div></div>
<div>E é justamente por isso que a responsabilidade não pode ser exclusivamente deixada às empresas que executam as obras, aos proprietários dos imóveis ou às entidades locais que, muitas vezes, têm de reagir perante decisões já tomadas. A modernização da ferrovia deve ser acompanhada por uma política patrimonial previamente definida, com responsabilidades claras entre a Infraestruturas de Portugal, o Património Cultural, I.P., o Ministério das Infraestruturas e Habitação, o Ministério da Cultura, os municípios e, quando necessário, os arquivos, museus e universidades.</div>
<div></div>
<div>Não se trata de impedir a modernização. Trata-se de modernizar <b>com memória</b>.</div>
<div></div>
<div>Portugal já perdeu demasiados testemunhos materiais da sua História por se ter entendido, em diferentes épocas, que eram velhos, inúteis ou substituíveis. O historiador sabe que quase nunca são as grandes personagens que explicam sozinhas a História de um território. São também os lugares, os objectos e as pequenas estruturas através das quais milhares de pessoas viveram. Uma estação ferroviária de uma aldeia pode não interessar ao turista que passa de automóvel pela estrada nacional, mas pode ser absolutamente essencial para compreender como aquela aldeia se relacionou com o país durante mais de cem anos.</div>
<div></div>
<div>É por isso que o caso das travessas ferroviárias, independentemente das questões administrativas ou jurídicas que lhe possam estar associadas e que competirá às entidades competentes esclarecer, deveria servir para abrir uma discussão muito maior. <b>O que está a acontecer ao património que acompanha as linhas ferroviárias portuguesas?</b></div>
<div></div>
<div>Onde estão os inventários? Onde estão os levantamentos fotográficos? Onde estão os catálogos das estações ameaçadas? Quem está a recolher os azulejos? Quem guarda as placas? Quem conserva os documentos? Quem regista as histórias dos antigos ferroviários? Quem determina o destino dos objectos retirados das linhas? E quem garante que aquilo que hoje é considerado material sem utilidade não será amanhã uma peça fundamental para a compreensão da História da ferrovia portuguesa?</div>
<div></div>
<div>Ministro da Cultura, Ministro das Infraestruturas e Habitação: talvez seja altura de fazer esta pergunta antes que seja tarde demais.</div>
<div>Modernizem as linhas, construam novas estações, eliminem os estrangulamentos, aumentem a velocidade dos comboios e preparem Portugal para uma nova era ferroviária. Mas façam-no sabendo que estão a intervir sobre uma rede que também é um enorme arquivo histórico a céu aberto.</div>
<div></div>
<div>E, quando uma estação como a de Lavre tiver de desaparecer, se essa for efectivamente a solução determinada pelos projectos e pelas exigências técnicas, não deixem que desapareça também a sua memória.</div>
<div>Fotografem-na. Desenhem-na. Cataloguem-na. Estudem-na. Recolham os seus elementos. Guardem os seus documentos. Ouçam quem lá trabalhou e quem por lá passou. Salvem os azulejos, as placas, as peças e os objectos que possam ser preservados. Registem arqueologicamente aquilo que a obra inevitavelmente irá destruir.</div>
<div></div>
<div>Porque os carris podem ser substituídos, as travessas podem ser retiradas e uma estação pode ser demolida, mas <b>uma vez perdida a memória material de uma comunidade, nem a próxima geração nem o melhor dos historiadores poderão reconstruí-la integralmente</b>.</div>
<div></div>
<div>A ferrovia portuguesa está a entrar numa nova época.</div>
<div></div>
<div>Que não entre nela deixando para trás, sem inventário e sem testemunho, a História daquela que lhe deu origem.</div>
<div></div>
<div><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-97798" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-1024x456.jpg" alt="" width="434" height="193" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-1024x456.jpg 1024w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-300x134.jpg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral-768x342.jpg 768w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2025/12/Paulo-Freitas-do-Amaral.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px" /></a></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div></div>
<div><em><strong>Paulo Freitas do Amaral</strong></em></div>
<div><em><strong>Professor, Historiador e Autor</strong></em></div>
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	</item>
		<item>
		<title>O Irmão de Santa Camarão (II) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-irmao-de-santa-camarao-ii-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2026 10:04:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Santo Lagosta, desde cedo, interessou-se por música. A guitarra tornou-se a sua maior paixão. Cresceu com ela às costas, treinando incessantemente, aprendendo com cada acorde, aperfeiçoando-se um pouco a cada dia. O gosto estava lá. Mas o talento… O talento, esse, nunca acompanhou a sua dedicação. Nos melhores dias, era razoável. Nos piores, desafinado. Enquanto &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Santo Lagosta, desde cedo, interessou-se por música. A guitarra tornou-se a sua maior paixão.</p>
<p>Cresceu com ela às costas, treinando incessantemente, aprendendo com cada acorde, aperfeiçoando-se um pouco a cada dia.</p>
<p>O gosto estava lá. Mas o talento… O talento, esse, nunca acompanhou a sua dedicação. Nos melhores dias, era razoável. Nos piores, desafinado.</p>
<p>Enquanto Santo Lagosta se debatia com as suas limitações, via o seu irmão, Santa Camarão, brilhar.</p>
<p>O nome dele ecoava em manchetes de jornal, em conversas nos cafés, nos olhares orgulhosos dos vareiros. Vitória atrás de vitória. Reconhecimento atrás de reconhecimento.</p>
<p>E ele ali. Preso ao seu canto. Mas recusava desistir.</p>
<p>&#8211; Eu vou conseguir. Eu vou tornar-me num talento. E vai ser com esta guitarra.</p>
<p>A convicção crescia dentro dele. Mas o tempo passava, e o sonho continuava a escapar-lhe.</p>
<p>Certa noite, depois de um longo turno como empregado de mesa no Café Lampião, Santo Lagosta saiu para caminhar. Exausto, mas incapaz de se separar da guitarra, seguiu pelas ruas da cidade, dedilhando as cordas enquanto cantarolava.</p>
<p>— Ó Lagosta! Ó Lagosta! Pára lá com esse ruído e deixa as pessoas em paz! — gritou um homem à porta de um tasco.</p>
<p>Nem todos eram fãs da sua música. Mas Santo Lagosta não se importava.</p>
<p>Seguiu o seu caminho. Sem destino, sem pressa, sem expectativas e foi então que os seus pés o levaram ao Cais da Ribeira.</p>
<p>Um local carregado de história, onde o cheiro a sal e a madeira velha se misturava com o vento.</p>
<p>Durante séculos, aquele cais fora um ponto de chegada e partida para muitos. Um pedaço da alma de Ovar. Santo Lagosta sempre sentira uma conexão com aquele lugar. Algo no murmúrio das águas o acalmava.</p>
<p>Sentou-se na beira do cais, pernas balançando sobre a ria. A guitarra pousada ao lado.</p>
<p>Respirou fundo e fechou os olhos.</p>
<p>Foi então que viu algo a flutuar na água.</p>
<p>Algo que o fez arregalar os olhos.</p>
<p>No meio das sombras da noite, entre fios de rede de pesca, uma criatura debatia-se.<br />
Uma truta.</p>
<p>Mas não uma truta qualquer.<br />
O peixe brilhava com as cores do arco-íris, cintilando sob a luz pálida do lusco-fusco.<br />
— Mas que diabo…? — murmurou Santo Lagosta.<br />
E então, para seu espanto, a criatura falou.<br />
— Sou uma truta! Ajuda-me, por favor!<br />
Santo Lagosta olhou ao redor, mas a rua estava vazia.</p>
<p>A sua mente girava. Estaria a sonhar?<br />
— Uma truta a falar? Só te falta rir! — exclamou, incrédulo.<br />
— Não estou a brincar! Preciso de ajuda. Se me soltares, concedo-te um desejo.<br />
Santo Lagosta piscou os olhos. Tentou dar um estalo na própria cara para ver se acordava.<br />
Nada mudou.</p>
<p>A truta continuava lá, os seus olhos redondos e brilhantes fixos nele.<br />
— Podes bater-te o quanto quiseres, mas isto é real! Ajuda-me e terás o teu desejo!<br />
E algo dentro dele disse-lhe para acreditar. Mergulhou na água sem pensar duas vezes e libertou a criatura da rede.</p>
<p>A truta deslizou para a liberdade, nadando em círculos antes de emergir novamente.<br />
— O prometido é devido. Terás o teu desejo. Mas há uma condição.<br />
— Uma condição?<br />
— Não podes escolher. Quem escolhe sou eu.<br />
— Isso não faz sentido! — protestou Santo Lagosta.</p>
<p>— São as regras do meu poder. Tens de aceitar.<br />
Santo Lagosta cruzou os braços e ponderou. Aceitaria um desejo sem saber qual seria?<br />
Sorriu. Era um homem alegre, sem grandes ambições. Que mal poderia acontecer?<br />
— Ora bem! Vamos lá a isso. Mostra-me o teu poder, ó Truta Mágica.<br />
A criatura brilhou intensamente e murmurou palavras indecifráveis:<br />
— Labadim, labadá… labadim, labadá… o teu desejo será realidade!</p>
<p>Uma neblina espessa surgiu ao redor da truta.<br />
E, antes que Santo Lagosta pudesse reagir, a névoa avançou para cima dele como uma onda.<br />
O coração disparou. Tentou correr.<br />
Mas tropeçou.<br />
A névoa apanhou-o.<br />
E, de repente, o silêncio.<br />
Santo Lagosta levantou-se devagar.<br />
Sentia-se… normal.<br />
Tentou falar.</p>
<p>— Errrmmm… hummm… hummm… &#8211; Nada. Os seus olhos arregalaram-se. Tentou outra vez.<br />
— Hummm… hummm…<br />
Nada. A voz tinha desaparecido. O desejo roubara-lhe o som.<br />
Olhou para o céu, desesperado. Aquela maldita truta!</p>
<p>Mas a truta já não estava lá.<br />
Respirou fundo.<br />
Aceitou o destino.<br />
Pegou na guitarra e começou a caminhar para casa.<br />
No dia seguinte, tentou convencer-se de que era apenas uma indisposição. Que a voz voltaria.<br />
Mas a voz não voltou.</p>
<p>Santo Lagosta agora era um músico sem voz.<br />
E nem imaginava o que o futuro ainda lhe reservava. (Continua)</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2024/02/ribeira-by-joaquim-margarido.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Furadouro: Segurança e acessibilidade dos meios de emergência (Correio do Leitor)</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/furadouro-seguranca-e-acessibilidade-dos-meios-de-emergencia-correio-do-leitor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Correio do Leitor]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 15:39:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Primeira Vista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Manifesto a minha preocupação relativamente às atuais condições de circulação e, sobretudo, de segurança e acessibilidade dos meios de emergência, na zona do Furadouro, no âmbito da realização das Festas do Mar. Começo por esclarecer que não sou contra a realização das Festas do Mar, nem contra a dinamização do Furadouro e os eventos que atraem visitantes à &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Manifesto a minha preocupação relativamente às atuais condições de circulação e, sobretudo, de <b>segurança e acessibilidade dos meios de emergência</b>, na zona do Furadouro, no âmbito da realização das <span class="il">Festas do Mar</span>.<br />
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</script><br />
Começo por esclarecer que <b>não sou contra a realização das <span class="il">Festas do Mar</span></b>, nem contra a dinamização do Furadouro e os eventos que atraem visitantes à nossa terra. Compreendo a importância destas iniciativas e considero positivo que sejam realizadas.</p>
<p>A minha preocupação prende-se exclusivamente com a forma como, neste momento, algumas vias estão a ser ocupadas por veículos e estruturas associados ao evento, situação que está a criar sérias limitações à circulação.</p>
<p>Em particular, numa das ruas residenciais, encontra-se atualmente <b>um veículo pesado/camião associado ao evento estacionado junto a um dos lados da via, sendo que, no lado oposto, se encontra também uma viatura estacionada</b>, conforme demonstram as fotografias que envio em anexo.</p>
<p>Esta conjugação faz com que a largura útil da via fique significativamente condicionada.</p>
<p><b>Não disponho dos meios técnicos para determinar se a largura de circulação que permanece disponível cumpre os requisitos necessários</b>, nem se a colocação destas estruturas e veículos se encontra devidamente autorizada. É precisamente por esse motivo que solicito às entidades competentes que procedam à respetiva verificação no local.</p>
<p><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura1.jpeg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-106940" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura1.jpeg" alt="" width="893" height="485" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura1.jpeg 893w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura1-300x163.jpeg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura1-768x417.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px" /></a></p>
<p>A questão que considero verdadeiramente preocupante é a seguinte:</p>
<h3>Em caso de emergência, conseguem os Bombeiros, INEM ou outras viaturas de socorro entrar e circular nesta rua em segurança e com a rapidez necessária?</h3>
<p>Esta não é uma preocupação meramente hipotética.</p>
<p><b>Em julho deste ano ocorreu uma situação de emergência na zona que obrigou à intervenção dos Bombeiros, tendo a viatura de socorro sentido dificuldades no acesso à rua devido à existência de veículos estacionados que condicionavam a circulação.</b></p>
<p>Perante esse antecedente, considero particularmente preocupante que, durante um período de maior afluência ao Furadouro, com um número significativamente superior de veículos e com estruturas de grandes dimensões instaladas nas vias, não estejam claramente asseguradas condições de circulação para os meios de emergência.</p>
<p>Enquanto moradora, naturalmente que também verifico que, durante estes períodos, o estacionamento para residentes se torna praticamente inexistente. <b>No entanto, essa não é a questão que me leva a apresentar esta exposição.</b></p>
<p>Tenho acesso à minha garagem por outra via e compreendo que, durante a realização de um evento desta dimensão, possam existir constrangimentos para os moradores.</p>
<p>O que considero que <b>não pode ser colocado em causa é o acesso dos meios de socorro.</b></p>
<p>Assim, venho solicitar, com caráter de urgência, que as entidades competentes:</p>
<ul>
<li><span role="presentation"><b>verifiquem no local as condições atuais de circulação;</b></span></li>
<li><span role="presentation">confirmem se a instalação e permanência dos veículos e estruturas existentes na via pública estão devidamente autorizadas;</span></li>
<li><span role="presentation">verifiquem se está garantida a largura de circulação necessária para a passagem de veículos de emergência;</span></li>
<li><span role="presentation">avaliem especificamente a possibilidade de acesso de viaturas dos Bombeiros, ambulâncias e outros meios de socorro;</span></li>
<li><span role="presentation">reforcem, se necessário, a sinalização e fiscalização do estacionamento nas zonas de acesso;</span></li>
<li><span role="presentation">e adotem as medidas necessárias para garantir que, durante as <span class="il">Festas do Mar</span>, <b>nenhuma rua residencial fica inacessível ou excessivamente condicionada para os meios de emergência.</b></span></li>
</ul>
<p>Junto a esta exposição <b>fotografias da situação atualmente existente no local</b>, que permitem perceber o condicionamento provocado pela presença do veículo pesado e pelo estacionamento de outras viaturas.</p>
<p>Reitero que <b>não pretendo impedir a realização das <span class="il">Festas do Mar</span></b>, nem criar qualquer conflito com a organização ou com os visitantes.</p>
<p>Pretendo apenas que a realização de um evento desta dimensão seja compatibilizada com a segurança de quem vive no Furadouro durante todo o ano.</p>
<p><b>Uma emergência não escolhe o dia nem a hora, e numa situação em que cada minuto pode fazer a diferença, o acesso dos meios de socorro não pode ficar dependente de conseguirem ou não ultrapassar veículos estacionados ou estruturas colocadas na via pública.</b></p>
<p>Considero, por isso, fundamental que esta situação seja avaliada <b>antes dos dias de maior afluência</b>, permitindo corrigir eventuais constrangimentos enquanto ainda é possível fazê-lo.</p>
<p>Agradeço desde já a atenção dispensada e solicito que esta situação seja analisada com a maior brevidade possível.</p>
<p><em>Leitor devidamente identificado</em></p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/fura.jpeg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O Irmão de Santa Camarão (I) &#8211; Por Edgar Branco</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/o-irmao-de-santa-camarao-i-por-edgar-branco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Edgar Branco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 16:30:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poucos nomes ressoam tão alto em Ovar como o de José Soares Santa, o lendário Santa Camarão. Um colosso nascido na manhã de Natal de 1902, com mais de dois metros de altura, um verdadeiro gigante numa época em que o homem comum mal ultrapassa o metro e sessenta. De Lisboa ao Brasil, dos ringues &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Poucos nomes ressoam tão alto em Ovar como o de José Soares Santa, o lendário Santa Camarão.</p>
<p>Um colosso nascido na manhã de Natal de 1902, com mais de dois metros de altura, um verdadeiro gigante numa época em que o homem comum mal ultrapassa o metro e sessenta.</p>
<p>De Lisboa ao Brasil, dos ringues de Portugal às arenas fervilhantes dos imigrantes em Massachusetts e Rhode Island, Santa Camarão fez-se nome no boxe. Enfrentou os maiores.</p>
<p>Trocou golpes com Max Baer, cruzou punhos com Primo Carnera, disputou o título europeu contra Pierre Charles. Perdeu esse combate, mas nunca perdeu o estatuto de lenda.</p>
<p>Foi o pugilista de Ovar, o filho da terra que levou o nome da cidade além-mar.</p>
<p>Hoje, permanece imortalizado em pedra, numa estátua erguida junto à casa onde nasceu — umtributo de pedra e orgulho.</p>
<p>Mas esta não é a sua história. Esta é a história de um homem que o tempo quis esquecer.</p>
<p>O irmão desconhecido de Santa Camarão.</p>
<p>Nos registos, Santa Camarão nasceu como filho único. Mas os registos, tal como as memórias, por vezes omitem o que lhes é inconveniente.</p>
<p>Houve outro.</p>
<p>Um homem que, em qualquer outra família, poderia ter sido tão célebre quanto Santa. Um homem que carregava a mesma força do sangue paterno, mas cujo nome nunca adornou estátuas nem largos.</p>
<p>O seu nome? José Santo Lagosta.</p>
<p>Não era alcunha. Não era troça. Santo Lagosta era o seu nome de batismo, herdado da mãe, Ludovina Lagosta — uma mulher cujo destino se entrelaçou, em segredo, com António Soares Santa, o pai do pugilista. O fruto de uma ligação extraconjugal.</p>
<p>Um segredo que Ovar murmurava, mas nunca ousava dizer em voz alta.</p>
<p>E assim, enquanto um irmão caminhava para a glória, o outro crescia nas sombras. Santo Lagosta não era um gigante como Santa Camarão. Era um homem franzino, de corpo delgado, sem grande interesse ou apetência para feitos atléticos. Não herdou a força. Não herdou os punhos de ferro nem a brutalidade do pugilismo que o seu irmão ostentava nos ringues. Mas também não era um homem sem talento.</p>
<p>Ficou conhecido por um dom diferente.</p>
<p>Um vidente.</p>
<p>O Vidente de Ovar.</p>
<p>O vidente da guitarra na mão. <em>(continua)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Edgar Branco</strong></em></p>
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		<media:content url="https://bomdia.eu/wp-content/uploads/2017/11/santa.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Quando a política perde a vergonha &#8211; Por Henrique Araújo</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/quando-a-politica-perde-a-vergonha-por-henrique-araujo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2026 17:04:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passou algum tempo desde que o país ficou de boca aberta com o caso do deputado que desviava malas no aeroporto e fazia alguns tostões com a venda do que nelas encontrava — produtos que, segundo a imprensa, chegava a vender por um euro. Na altura, a reação foi imediata. O deputado foi prontamente convidado &#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Passou algum tempo desde que o país ficou de boca aberta com o caso do deputado que desviava malas no aeroporto e fazia alguns tostões com a venda do que nelas encontrava — produtos que, segundo a imprensa, chegava a vender por um euro.</p>
<p>Na altura, a reação foi imediata. O deputado foi prontamente convidado a sair do seu partido e, de vários quadrantes políticos, ouviram-se vozes indignadas a proclamar que aquele comportamento era uma vergonha para os deputados e para Portugal.</p>
<p>Hoje, porém, assistimos a algo de uma dimensão incomparavelmente maior e, paradoxalmente, parece que a indignação desapareceu.</p>
<p>Tanques e piscinas, obras sem licença, pagamentos em dinheiro, relações privilegiadas com empreiteiros, atrelados, entrega de documentos, viaturas apreendidas — uma sucessão de episódios que, pela sua natureza e pelo conjunto das circunstâncias, deveria exigir explicações claras, escrutínio e responsabilidade.</p>
<p>E o que ouvimos?</p>
<p>Dirigentes partidários, presidentes de câmaras, deputados e até governantes a relativizar, justificar ou defender aquilo que, em qualquer outro contexto, provavelmente classificariam como inadmissível.</p>
<p>Isto é surreal.</p>
<p>O problema já não é apenas saber se determinado comportamento é legal ou ilegal. Há uma questão muito mais profunda: a confiança dos cidadãos nas instituições.</p>
<p>Um Estado democrático não pode exigir aos cidadãos respeito pelas regras enquanto os seus próprios representantes dão a impressão de considerar que existem regras para uns e justificações para outros.</p>
<p>É aí que reside o verdadeiro perigo.</p>
<p>Porque um deputado que desvia uma mala pode ser um caso lamentável. Mas quando representantes eleitos, responsáveis políticos e governantes começam a normalizar comportamentos eticamente questionáveis, o dano é muito maior: é a própria autoridade das instituições que fica corroída.</p>
<p>E essa autoridade não pertence aos políticos. Pertence ao Estado e, em última análise, aos cidadãos que o sustentam com o seu trabalho, os seus impostos, o seu esforço e, tantas vezes, com sangue, suor e lágrimas.</p>
<p>Por isso, é difícil aceitar que, perante tudo isto, a resposta seja simplesmente o paleio político habitual.</p>
<p>Os portugueses não precisam de mais desculpas, relativizações ou jogos partidários.</p>
<p>Precisam de responsabilidade, transparência e respeito pelas instituições.</p>
<p>Porque quando quem governa deixa de perceber a gravidade daquilo que está a defender, o problema já não é apenas político.</p>
<p>É institucional. É democrático. E é de todos nós.</p>
<p><strong><a href="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-106844" src="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo-1024x1008.jpg" alt="" width="160" height="158" srcset="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo-1024x1008.jpg 1024w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo-300x295.jpg 300w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo-768x756.jpg 768w, https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/Henrique-Araujo.jpg 1161w" sizes="auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px" /></a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Henrique Araújo</strong>, Presidente Movimento 2030</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/quando-a-politica-perde-a-vergonha-por-henrique-araujo/">Quando a política perde a vergonha &#8211; Por Henrique Araújo</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
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		<media:content url="https://st3.idealista.pt/news/arquivos/styles/amp_1200x675_16_9/public/2026-07/images/luis_neves_getty.jpg?VersionId=BOZcyx3mW8DKI2NabnN7M8WAzZexftXu&#038;itok=sDullCFi" medium="image"></media:content>
	</item>
		<item>
		<title>São Paio, da Galiza à Torreira &#8211; Por Pedro Nuno Marques</title>
		<link>https://www.ovarnews.pt/sao-paio-da-galiza-a-torreira-por-pedro-nuno-marques/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[OvarNews]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 11:17:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Veio ao mundo no início do século X, na Galiza. Morreu como mártir, com somente 14 anos de idade. Paio empresta o nome às festas da Torreira há gerações. Vem povo de todo o lado, em peregrinação ou romaria. Os mais jovens, esses, vêm pela diversão. Os costumes diários por estes dias são transversais, ano &#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.ovarnews.pt/sao-paio-da-galiza-a-torreira-por-pedro-nuno-marques/">São Paio, da Galiza à Torreira &#8211; Por Pedro Nuno Marques</a> aparece primeiro em <a href="https://www.ovarnews.pt">OvarNews</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Veio ao mundo no início do século X, na Galiza. Morreu como mártir, com somente 14 anos de idade.</p>
<p>Paio empresta o nome às festas da Torreira há gerações. Vem povo de todo o lado, em peregrinação ou romaria. Os mais jovens, esses, vêm pela diversão. Os costumes diários por estes dias são transversais, ano após ano.</p>
<p>À mercê do sol matinal, acorda-se cedo no parque de campismo daquela “língua” entre o Atlântico e a ria de Aveiro. Uma mini e um cigarro, já por tradição ou o que é, compõem o menu do pequeno-almoço.</p>
<p>Meio ressacados, passeia-se pela avenida mais famosa da Torreira, uma espécie de Times Square dos pobres. Sente-se o cheiro de grelhados, hambúrgueres e cachorros. Mais à frente, gelados, pipocas e algodão doce.</p>
<p>Também há gomas para todos e quaisquer palatos. Calçado, roupas, brinquedos, utensílios de cozinha e um número perpétuo de bugigangas completam o cenário feirante daquela artéria. Multidões cruzam-se.</p>
<p>Há carrinhos de bebés, bicicletas e trotinetes. Mais adiante, três ou quatro guardas republicanos mantêm o controlo da algazarra festiva. Entretanto, a noite vai caindo. Num supermercado qualquer, compra-se atum, esparguete, cerveja, vinho e gelo. Regressa-se ao parque de campismo para tomar banho e jantar.</p>
<p>A fila no chuveiro é longa. Enquanto uns cozinham, outro vão ao duche ou ganham tempo no bar. Com o avançar das horas, sobe a temperatura corporal: o destino da festa é o areal.</p>
<p>Por lá, dança-se e cometem-se pequenos excessos. Conhece-se malta de outros lados e, em amena cavaqueira, há quem se apaixone várias vezes por noite. Na maioria das vezes, não dá em nada. Em situações esporádicas, as línguas assumem o seu rumo instintivo. Nada de grave. Faz parte da vivência disto tudo.</p>
<p>Com o raiar do dia, o regresso ao parque de campismo torna-se penoso, até porque daqui a três ou quatro horas recomeça tudo, e assim sucessivamente.</p>
<p>A ti, camarada Paio, um xi-coração.</p>
<p><em><strong>Pedro Nuno Marques</strong></em></p>
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		<media:content url="https://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2026/09/sao-paio.jpg" medium="image"></media:content>
	</item>
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