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Centros de Saúde introduzem melhorias na consulta de enfermagem de saúde materna

enfermeiros

Actualmente, verifica-se uma mudança veloz da História dos Cuidados de Saúde que exige por parte dos profissionais de enfermagem uma constante actualização e adequação às novas necessidades dos utentes, ao mesmo tempo que se pretende que as intervenções de enfermagem sejam produtivas e com qualidade.

Para responder a estas necessidades existem várias ferramentas que, de uma forma fiável, pretendem contribuir para a melhoria contínua da qualidade. No entanto, carecem das ferramentas que permitam dar visibilidade à qualidade desses mesmos cuidados, pois é fácil perceber que a complexidade que caracteriza a prática profissional de enfermagem, centrada no cuidar, não facilita a compreensão nem a avaliação da qualidade nesta área.

Neste contexto, foi realizado, entre 2011 e 2014, um projecto de melhoria dos cuidados de enfermagem em todas as Unidades Funcionais (UF) dos Centros de Saúde de Estarreja, Murtosa e Ovar, com o objectivo de melhorar/actualizar conhecimentos em Saúde Materna e Registos CIPE® (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem) e, em simultâneo, avaliar a qualidade da prática dos enfermeiros de família em vigilância pré-natal e puerpério com base nos registos de enfermagem realizados, uma vez que a qualidade dos registos reflete, indirectamente, a qualidade dos serviços prestados.

Em Portugal, no actual contexto dos Cuidados Saúde Primários, a vigilância pré-natal (grávidas sem risco ou de baixo risco), é assumida pelo médico e enfermeiro de família, dando cumprimento às orientações técnicas da Direcção Geral de Saúde de forma a uniformizar e melhorar o nível dos cuidados prestados durante a gravidez. Neste sentido, o papel do enfermeiro de família revela-se fundamental na aquisição e desenvolvimento de conhecimentos sobre diversas temáticas da gravidez como: alimentação, exercício físico, sinais de alarme, prevenção de complicações, sinais de trabalho de parto, amamentação e cuidados ao recém-nascido.

saúde maternaTodos estes aspectos revestem-se de crucial importância pois são facilitadores de uma boa adaptação à gravidez e papel maternal e permitem diminuir possíveis complicações.
A actuação do enfermeiro de família assume uma dimensão ainda maior quando a puérpera e o recém-nascido têm alta hospitalar, visto que, na transição da situação de dependência de cuidados hospitalares para uma situação de independência em casa, a puérpera deverá sentir-se autoconfiante de forma a desempenhar o seu novo papel da melhor forma possível.

Por esta razão, a visita domiciliária no puerpério tem um papel fundamental na promoção e manutenção da saúde, assegurando uma transição segura entre o ambiente hospitalar e o domicílio.
Esta visita domiciliária, que se efectua nos primeiros quinze dias de vida do recém-nascido, tem como objectivos; ajudar a assumir e/ou apoiar o papel de mãe/pai, apoiar e/ou orientar a mãe/pai na realização de práticas saudáveis (entre outras a amamentação), identificar factores de risco materno e neonatal, reduzir a morbilidade e mortalidade infantil no período neonatal e, ainda, reduzir os riscos de depressão pós-parto. Ou seja, o cuidado no próprio lar, representa o lócus essencial para o desenvolvimento de um plano de cuidados efectivo, integral, responsável, ético e humanizado.

O balanço deste programa de melhoria no campo da Saúde Materna, que terminou em 2014, é francamente positivo, pois conseguiu-se melhorar a qualidade dos registos de forma significativa e obter, em simultâneo, um elevado nível de satisfação quer das grávidas/puérperas, quer dos profissionais de enfermagem envolvidos, não obstante terem sido identificadas situações que carecem de melhoria. São de salientar os ganhos relativos à amamentação, assim como à percentagem de visitas domiciliárias realizadas às puérperas com compromisso de vigilância.

Em relação à avaliação qualitativa dos registos de enfermagem, verificou-se uma melhoria muito significativa, reveladora da preocupação e empenho dos enfermeiros em realizarem registos de qualidade e simultaneamente reveladoras de melhores cuidados de enfermagem nas consultas de Saúde Materna.

Em paralelo com os principais objectivos do projecto, importa referir que este permitiu uma melhor articulação entre as diferentes equipas das UF, geograficamente dispersas, foi gerador de uma dinâmica permanente de reflexão e discussão contribuindo indirectamente para a melhoria dos registos noutros programas de saúde e, por último, permitiu identificar e colmatar algumas necessidades formativas sobre a temática do projecto – Saúde Materna e registos com linguagem CIPE.

A equipa que implementou considera, por isso, que este projecto, “poderá ser uma excelente ferramenta, que poderá servir de base, com as devidas alterações/adaptações, para a elaboração de outros projetos no âmbito dos Padrões da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem e que permitirão dar visibilidade à qualidade assistencial de enfermagem e aos ganhos em saúde sensíveis aos nossos cuidados”.

Autores/Enfermeiros(as): Ana Isabel Gomes Sá, Ana Isabel de Abreu freire Ruela, Carla Olívia Costa Pacheco, Catarina José Carvalho Lamas, Cláudia Filipa Gomes Araújo, Cristiana Sofia Valente Santos, Maria do Céu Lopes Ferreira, Maria Irene Freixiela Gomes, Maria Solange Norton Oliveira, Mariana Pinto Fragateiro, Mary Solyani Dias da Silva, Patrícia Alexandra Cerqueira Soutinho, Paula Fernanda Nogueira Viana, Paula Cristina Sousa Miguel, Rosa Cristina Lopes Oliveira, Vânia Marisa Ribeiro Cardoso Alves.

Local onde foi implementado o projecto: Unidades Funcionais dos Centros de Saúde de Estarreja, Murtosa e Ovar (ACES Baixo Vouga).

Nota: Este projecto pode ser consultado na íntegra na publicação “Cuidar: Programa Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem 2012/2015”, Coimbra: Ordem dos Enfermeiros –
Secção Regional do Centro –  disponível on-line http://www.ordemenfermeiros.pt/sites/centro/informacao/JornalCRC/Cuidar%202015/index.html

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