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Cidade-Museu do Azulejo lança visitas para cegos e surdos

O Município de Ovar volta a promover, este ano, o “Maio do Azulejo”, evento de promoção da “Cidade-Museu Vivo do Azulejo”, valorização dos patrimónios – azulejar, arquitectónico, histórico e cultural, formação e sensibilização de públicos. “Por ser a céu aberto, este museu nunca fechou”, atentou Gil Godinho, técnico do único Atelier de Conservação do Azulejo (ACRA) do país.

Até 30 de maio, o azulejo é o protagonista de um programa diversificado, inclusivo e estruturado de acordo com o contexto e as necessidades actuais, as preocupações com a saúde e segurança, individuais e colectivas.

Novidade da edição deste ano é que os passeios estão mais inclusivos com a possibilidade de invisuais e surdos poderem participar nas visitas às ruas azulejadas, mediante marcação, para que ninguém fique de fora, anunciou Tânia Guimarães, do serviço de Promoção do Território, da Câmara ovarense. “Será a primeira vez em que vamos ser mesmo inclusivos nas visitas a este museu a céu aberto, disponível a qualquer hora do dia e que pode ser visitado de forma livre e autónoma”.

Tânia Guimarães confessa que, inicialmente, “entramos um bocadinho a medo nesta ideia que nos foi lançada pela Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), mas correu muito bem e já temos várias associações interessadas em vir”.

Está tudo nas fachadas das casas que decoram as ruas da cidade. “Os grupos de invisuais vão percorrê-las num percurso adaptado e, recorrendo a elementos cerâmicos com relevo, vão perceber os padrões e ouvir as explicações daquilo que estão a ver”. Segue-se o desafio à participação numa oficina, “que não será a normal, mas que pede o seu envolvimento na produção de um azulejo em relevo com moldes para que seja mais acessível”, explica Tânia Guimarães.

Para a abertura desta possibilidade, Gil Godinho destaca que “contribui muito o facto do azulejo ovarense ser muito diferente de fachada para fachada e uma viagem destas, tactil e com a audição mais desperta, vai transportar-nos para esta descoberta de um museu vivo pronto a ser vivido”.

Tudo se tornou possível partindo de uma das características da azulejaria do século XIX, muito presente na cidade vareira, “que é feita por camadas”. Por exemplo, explicou Gil Godinho, “num azulejo azul e amarelo, primeiro pinta-se uma cor e depois pinta-se a outra. Só no final se obtém o padrão definitivo”. Nas visitas inclusivas, em especial para invisuais, a participação termina com uma oficina no ACRA em que o objectivo será a desconstrução de padrões, “pegando no relevo da cor amarela, depois no relevo da cor azul, em separado, e a seguir, de forma tactil, dar a possibilidade de se perceber como é que as cores todas se juntam e criam o azulejo que conhecemos”.

Para lá das visitas guiadas à “Rua do Azulejo” e das oficinas de pintura, preparadas e adaptadas para públicos com necessidades especiais, nos dias 8 e 30 de maio, o passeio será acompanhado por um intérprete profissional, especializado em Línguagem Gestual e, durante todo este mês, com marcação prévia, estará preparada uma visita diária para cegos.

Para além da possibilidade de visitas orientadas a qualquer hora e dia, de modo autónomo, destaca-se a oferta de actividades ao ar livre, a apresentação de novas formas de reinventar e explorar o tema “azulejo” e a valorização de espaços emblemáticos da cidade, através das artes performativas.

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