Opinião

Combater o desemprego em Ovar – Ricardo Alves Lopes

Antes de principiar verdadeiramente esta crónica, gostava de elucidar-vos de uma série de coisas. Primeiro, a minha formação não é em Gestão, mas sim em Gestão de Marketing; segundo, não faço a mais pequena ideia das burocracias associadas ao poder local, tampouco às suas restrições orçamentais ou parâmetros liberais de politização; terceiro, jamais tive qualquer experiência política ou ambição nessa área, a minha experiência resume-se à gestão comunicacional de uma pequena empresa, mediante pequenos budgets que me obrigam a mais ginástica mental que um Sudoku.

Portanto, penso que podem perceber que todas as minhas sugestões não passam disso mesmo: sugestões. Gosto de ser uma pedra que se atira à água, para agitar as marés, mas sem nunca achar-me o Neptuno ou Poseidon, que controlam os mares e as marés.

Feita a apresentação das minhas limitações, julgo ser óbvio que venho aqui a tratar de ideias relacionadas com o desemprego, conforme o título sugere. É uma área delicada, quando aqui tratamos o poder local e não o central. As câmaras não mexem nos impostos, não criam os incentivos ao recrutamento, nem investem na economia para a criação de mais fulgor empresarial, mas podem fazer outras coisas, que eventualmente terão resultados – ou não, claro.

Uma cidade como Ovar, industrial, mas pouco industrializada, tem dificuldades em manter-se à tona do flagelo do desemprego, naturalmente. Daremos graças a deus de o Ramada, Yazaki, Bosch, Kirchoff, Flex e outras mais pequenas por cá se manterem, mas isso não é uma garantia absoluta de estabilidade social. Ainda há muito desemprego, como aliás há no país inteiro. Mas como podem pedir que seja a câmara a tratar disso, em vez de gastar em festas?

Eu, pessoalmente, não sei bem uma resposta para isso. Julgo apenas que a cidade deve promover-se, não obrigatoriamente através de festas, para jovens-empresários, conforme tem feito com os workshops associados à Universidade de Aveiro, mas também com a criação doutras estruturas/eventos. Que tal uma feira de negócios em Ovar? Um apoio às empresas já residentes no concelho e um incentivo a novas, com preços interessantes para os espaços livres da zona industrial e a aposta em formação especializada para os jovens desempregados, ou para os quadros da empresa.
A criação de uma dinâmica é importante: a do conhecimento.
No âmbito cultural, que muitos excluem de importância e eu não, esse passo já vem sendo dado. A ânsia de conhecimento necessita ser pessoal, obviamente, mas quando o meio envolvente o promove facilita muito mais o interesse. E no caso do emprego é idêntico. Somos uma cidade de vertente industrial, apesar dos louváveis pequenos negócios ao nível dos serviços que vão surgindo, como a MDigital, a Frameline, a Biscuit, a 4You Ovar, entre outras, portanto devemos ter o foco na promoção do apoio ao investimento, na criação de uma dinâmica de empreendedorismo e na formação de bons quadros. Nesse sentido, a câmara, tem criado bases para o acesso à formação, com bastantes apoios aos jovens estudantes e com workshops interessantes para quem quer começar o seu negócio, mas também não será importante começar a promover a nossa indústria?

Com as visitas que têm sido feitas de forma louvável, mas também com a divulgação dos espaços disponíveis para novas empresas, com a criação de medidas de incentivo ao investimento, que não sendo possíveis de gerir ao nível de impostos, podem ser possíveis de gerir ao nível de apoio à formação, ao nível de cedência de espaços, ao nível de parcerias. Mas, para isso, é necessário promover o município enquanto centro industrial, com briefings para campanhas de promoção da indústria já existente, como apoios à presença em feiras nacionais e internacionais, à promoção institucional nos panfletos, por exemplo, turísticos, entre outras possibilidades, ressalvando que quem chegar, para investir, também assim o terá.

A feira de negócios própria, mesmo com as limitações de condições que podemos ter, também poderia seria uma boa saída. Para os de cá e para os de fora. E, mais, uma cidade com dinâmica cultural faz-se muito com apoio da dinâmica industrial e comercial. Os próprios serviços chegarão muito a reboque dessa produção. Precisamos produzir, para, como um país, importar menos e trazer pessoas de fora, não enviar pessoas para fora.

Porém, concordo que tudo isto é muito bonito no papel, mas mais complexo na realidade. Criar um contraciclo à dimensão de Ovar, que faça frente ao do país, não é fácil. Mas também só falhamos e acertamos quando tentamos. Agora, não caiam no erro de achar que a câmara pode resolver um problema de desemprego com a mesma facilidade que pode tapar buracos numa estrada. Implica investimento privado, interesse de terceiros e muitas outras variáveis nem sempre controláveis, por serem externas. Mas isto é a minha opinião, que sou apenas o que vos referi no primeiro parágrafo.

Ricardo Alves Lopes (Ral)
www.ricardoalopes.com
http://tempestadideias.wordpress.com

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