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Covid-19: José Barbosa cedeu em respiração e resistência

O basquetebolista internacional português, José Barbosa, tem demorado a restaurar os níveis de respiração e resistência física prévios ao teste com resultado positivo para o novo coronavírus, que provoca a covid-19, em novembro.

“A parte respiratória foi a mais atacada e a capacidade de resistência durante os jogos e os treinos começa a ceder muito mais cedo. Tenho trabalhado para melhorar essas componentes e diria que, mais tarde ou mais cedo, vou retomá-las a 100%. De resto, já recuperei da perda de paladar”, contou à Lusa o base da bicampeã nacional Oliveirense.

José Barbosa, de 30 anos, esteve isolado 10 dias numa unidade hoteleira do Porto, após ter visto confirmada a infeção por covid-19 em 17 de novembro, no arranque do estágio da seleção nacional para uma dupla jornada de pré-qualificação para o Mundial2023.

“Joguei num sábado para a Liga contra o Vitória em Guimarães [74-84]. Nos dois dias seguintes, acordei com algumas dores musculares nas pernas. Fiz a minha vida normal e nem sequer pus a hipótese de testar positivo, já que me sentia mesmo bem, as dores desapareceram na segunda à tarde e estava confiante de que se deviam ao jogo”, lembrou o jogador que esteve ao serviço da AD Ovarense entre 2008 e 2016.

Idênticas ‘adversidades infecciosas’ viveram “praticamente em simultâneo” a esposa e a filha de José Barbosa, que teve outro companheiro de equipa com teste positivo, levando à suspensão imediata dos treinos da Oliveirense na segunda quinzena de novembro.

“A única hipótese que pode ter originado isto foi as idas a um ginásio público de Oliveira de Azeméis, no qual fazemos treino de musculação às terças e quintas-feiras. Por mais que usemos máscara, há alguns exercícios em que acabamos por retirá-la e vamos para uma sala com pessoas externas à equipa. Felizmente, correu tudo bem”, observou.

Essa súbita paragem do sexto classificado da Liga favoreceu o regresso dos treinos matinais à distância, vulgarizados a partir do confinamento primaveril, sob orientação do preparador físico Luís Catarino, que assistiu às primeiras sequelas físicas do base.

“Sendo atleta de alta competição, naturalmente predisponho de alguma resistência. Na verdade, os poucos exercícios que fazia eram suficientes para estar completamente ofegante ao fim de um ou dois minutos. Muitas vezes tinha de dizer ao Luís que umas meras flexões ou saltos deixavam-me como se estivesse em pleno jogo”, notou.

Apesar do “cansaço sem razão aparente”, além da impressão temporária de “não sentir qualquer alimento ingerido”, José Barbosa regressou às quadras 22 dias após a derrota em Guimarães, alinhando 28 minutos no triunfo caseiro sobre o Barreirense (102-54).

“Por muito que tentasse puxar mais, o corpo não respondia. Só aos poucos é que as coisas foram saindo com naturalidade e tive mais êxito. As estatísticas desses primeiros jogos estão bastante inferiores aos últimos dois ou três. Pode ser explicado por fatores desportivos e pela incapacidade física originada pelas sequelas do vírus”, admitiu.

Conhecedor de outros atletas da Liga com “situações iguais ou piores” na reintegração competitiva após a infeção por covid-19, José Barbosa só voltou a ser testado no sábado, à imagem do restante plantel, confirmando a ausência de novos casos na Oliveirense.

“A preparação dos jogos é difícil. Os treinadores nunca sabem quando e contra quem vão jogar, o calendário está sempre a alterar e a preparação dos próximos meses é uma incógnita completa. Acabamos por conseguir ultrapassar todas estas pequenas coisas, que vão exigindo o dobro ou o triplo do trabalho de todos os intervenientes”, alertou.

O base, que também teve os pais infetados, cumpre a quinta temporada seguida pelo emblema de Oliveira de Azeméis, depois de oito anos ao serviço da rival Ovarense, apresenta médias de 6,36 pontos, 4,45 ressaltos e 7,55 assistências por jogo na Liga.

“Tem sido uma época extremamente horrível a todos os níveis. Jogar sem adeptos é quase como não jogar, porque o público é 60%, senão mais, do espetáculo que praticamos. Por muito que se diga que jogar no principal escalão é sempre motivador, atuar com bancadas vazias faz duplicar o trabalho para nos automotivarmos”, concluiu.

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