Opinião

Cozidos Vivos – Correio do Leitor

Sobre este incrível e nada palerma movimento contra a cozedura de caracóis vivos, quatro breves notas:

1. A ideia viola completamente o princípio da igualdade. Ainda há dias, em viagem, atropelámos umas largas centenas de mosquitos e ninguém chorou o genocídio. Da mesma forma que nunca vi ninguém levar o Dum Dum ou o Raid ao Tribunal Penal Internacional por violar constantemente os direitos dos mosquitos, das melgas e das moscas.

2. O movimento alega que os caracóis não gostam de ser cozidos vivos, o que é um claro abuso, porque ainda nenhum caracol veio a público pronunciar-se sobre isto. Nem uma mísera hiperligação no iOnline. Nada.

3. Ontem, em amena cavaqueira com cinco caracóis (dois vivos e três mortos), perguntei-lhes se a ideia da cozedura lhes agradava e nenhum me deu troco. Como cresci sob a batuta do “quem cala consente”, estou certo que não são contra. Ou que não têm opinião formada, que significa precisamente não se ser contra em Politicamente Correcto.

4. Ainda não percebi se o problema dos defensores dos direitos dos caracóis é de que os bichos sejam cozidos vivos ou chupados depois de mortos. E a minha solidariedade depende muito daquilo que sustenta a causa.

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