Opinião

Dear Tour de France – Henrique Gomes

O Tour de France, em acentuada versão saxónica, far-se-á à estrada na região de Yorkshire.
Há alguns anos atrás seria inimaginável a atual influência britânica numa modalidade como o ciclismo- a Inglaterra não tinha ciclistas de grande valor individual nem equipas profissionais de alto nível. Não se realizavam provas importantes na ilha britânica e as audiências televisivas do ciclismo eram residuais.

Na atualidade tudo é diferente. Alguns dos melhores ciclistas mundiais são ingleses. As grandes Voltas são ganhas por ciclistas ingleses. Uma das melhores equipas mundiais é a inglesa SKY. As audiências de ciclismo atingem níveis nunca antes alcançados em terras de Sua Majestade.

E, mais uma vez, o Tour de France começará na Inglaterra. Yorkshire será a região que assistirá à partida da edição capicua do Tour de France.

A centésima primeira edição da lendária prova de ciclismo terá três etapas que se desenrolarão na ilha britânica, em algumas localidades que associamos a clubes de futebol- Leeds e Sheffield por exemplo.
Este debutar de Tour de France custará á região do Yorkshire 14 milhões de euros. Só para a ASO, empresa que organiza o Tour de France, serão 4.5 milhões.

É caro, muito caro, mas não faltam cidades candidatas a receber o início do Tour de France. Para o próximo ano o Tour de France começará em Utrecht, na Holanda. Dez milhões de euros é o custo estimado- desta forma a ASO quebrará a regra de começar o Tour de France alternadamente ora em território francês ora em território estrangeiro.
A Espanha, mais precisamente a Catalunha, a região de Lleida também será visitada pela caravana do Tour de France deste ano em rápida passagem de etapa pirenaica.

A péssima realidade económica das autarquias e comunidades locais francesas fez com que a ASO procurasse alternativas em países estrangeiros. Com sucesso.
Esta conquista do Tour de France por parte dos ingleses é uma espécie de Waterloo renovado, configurado à realidade do ciclismo atual- a forte influência britânica faz-se sentir ainda nos inúmeros batalhões de ingleses que assistem ao Tour ao longo das estradas de França. Uma invasão pacífica e bem-vinda de gente endinheirada e educada que acompanha o Tour durante vários dias.

Depois o Tour de France tem a enorme vantagem de poder ser assistido de borla e com uma lata de cerveja na mão o que faz dele um dear Tour De France.

Henrique Gomes

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