Opinião

Descriminação na Mata da Bicha – Henrique Gomes

Mata da Bicha, sempre me disseram que era assim que se denominava esta vasta floresta.
Não existe grande coerência neste baptismo- poderia ser a mata dos coelhos, das raposas, dos mosquitos. Numerosas comunidades destas raças povoam esta floresta, com a virtude de umas incomodarem menos do que outras.
Ficou Mata da Bicha, baptismo que ocorreu numa época onde bicha não possuía género masculino.
Acredito que este nome tenha mais a ver com os répteis que adoram ratas e ratos.

Bichas, cobras, serpentes são uma das maiores comunidades existentes naquela mata, logo a parte deu o nome ao todo.
O mar com o seu voraz apetite, parece quer engolir toda esta vasta área de floresta- moderadamente, aquela imensidão de água faz a sua aproximação à Mata da Bicha, reduzindo a zona dunar.
Mata da Bicha que sempre alimentou fantasias e realidades- a natureza, aqui, apresenta-se ainda de forma quase virgem. Por aqui, também, se perderam algumas virgindades.

Hoje, na actualidade, esta mata é local de convívio e de manutenção física- picnics e pelotões de ciclistas são avistamento comum.
Surpreendente foi o avistamento deste “affiche” na solarenga manhã de hoje.
Mas que descriminação! “Perigo homens a trabalhar” é a mensagem exibida em pena Mata da Bicha. Mas o que dizer desta mensagem?

Que os homens são um perigo quando trabalham? Que só os homens é que constituem um perigo quando trabalham? Será que as mulheres não trabalham? Não serão perigosas quando trabalham? Será tão pouco comum ver homens a trabalhar? Será pouco habitual encontrar homens a trabalhar nesta zona e que essa raridade torna este local perigoso? Se a mata não fosse da Bicha teríamos direito a este alerta? Será esta uma área reservada a outro género?
Afinal, quem é o responsável por esta mensagem tão discriminatória? Qual o fundamento de tamanha acção separatista?

Henrique Gomes

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