Opinião

Desigualdade salarial – Por Diogo Fernandes Sousa

O Dia Nacional para a Igualdade Salarial em Portugal, 14 de novembro, passa muitas vezes
despercebido, contudo a desigualdade salarial entre homens e mulheres persiste, apesar de
ser um princípio consagrado na constituição e no código de trabalho.

Dados da União Europeia indicam que as mulheres ganham, em média, 13% menos do que
os homens que desempenham a mesma profissão e quando analisamos o panorama global,
percebemos que este fosso salarial diminuiu apenas 2,8% na última década.

Uma das raízes da desigualdade salarial reside no quadro cultural. Historicamente, as
mulheres estavam associadas a papéis domésticos resultando numa subvalorização do seu
trabalho. Mudar essa perceção é crucial para criar uma sociedade mais igualitária, onde o
valor do trabalho é independente do sexo da pessoa. Além disso, estereótipos de sexo
continuam a influenciar as escolhas de carreira. Muitas mulheres são direcionadas para
profissões que, historicamente, pagam menos, enquanto os homens são incentivados a
procurar carreiras mais lucrativas.

Outro fator significativo é a disparidade das licenças parentais e as interrupções na carreira
que muitas mulheres enfrentam. Enquanto é essencial reconhecer e apoiar as
responsabilidades parentais, é igualmente importante garantir que essas responsabilidades
não resultam em penalizações financeiras ou barreiras à progressão na carreira da mulher.

É, igualmente, necessário reexaminar as políticas de licença parental, promovendo uma
distribuição mais equitativa entre homens e mulheres.

Igualmente importante é a transparência salarial para possibilitar a identificação e correção
da disparidade salarial entre sexo. Iniciativas que exigem a divulgação de informações
salariais podem promover uma maior justiça remuneratória e responsabilizar as empresas
por práticas discriminatórias. Também a legislação pode desempenhar um papel mais ativo
através de leis que proíbem a discriminação salarial com base no sexo, bem como a
implementação de políticas públicas que incentivem a equidade.

Por fim, a falta de representação feminina em cargos de liderança é outra barreira para
maior igualdade. Ao promover a diversidade em todos os níveis hierárquicos, podemos
garantir que as decisões fiquem mais equitativas e reflitam uma variedade de perspetivas.
Assim, embora os desafios sejam, ainda, significativos, é possível superar a desigualdade
salarial, sendo fundamental a consciencialização, educação e ação coletiva para reforçar a
justiça social e fomentar o desenvolvimento sustentável.

A sociedade, as empresas e os indivíduos têm um papel a desempenhar na construção de
um futuro mais equitativo. Ao desafiar estereótipos, promover políticas inclusivas e exigir
maior transparência, podemos criar um ambiente onde homens e mulheres sejam
valorizados de acordo com o mérito das suas contribuições.

Diogo Fernandes Sousa
Professor do Instituto Politécnico Jean Piaget

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