Opinião

Doce mas não para todos – Vitor Dias

No passado sábado, dia 20 de Dezembro, correu-se a primeira edição da S. Silvestre de Ovar. Num ambiente festivo e com organização a corresponder às expectativas, quase tudo correu bem, não fosse os últimos atletas a cortarem a meta não terem direito ao que todos os outros tiveram.

Estivemos em Ovar e corremos a primeira edição da S. Silvestre daquela cidade. Ambiente festivo, luzes de Natal, entrega de kits do atleta sem problemas. Ruas cortadas ao trânsito, segurança assegurada para os atletas. Percurso agradável apesar de ser um circuito de 5 Km percorrido duas vezes. Pouco público durante o traçado da prova, poucos aplausos e até alguns apupos aos mais atrasados. Nada a que os atletas de pelotão não estejam habituados neste país e a que obviamente a organização é alheia.

Não faltou animação antes e depois da prova, parece-nos que os atletas ficaram agradados e está aqui mais uma S. Silvestre a ter em conta nos próximos anos, assim o esperamos.

Mas “no melhor pano cai a nódoa”. Intitulada como a prova mais doce do ano, esta não o viria a ser para os atletas que chegaram na cauda do pelotão. É provável que isto tenha passado despercebido a quase toda a gente mas não a nós que corremos sempre cá atrás com a moto e a ambulância a “tocar-nos nos calcanhares”.

Corremos e sentimos o esforço e a vontade de terminar a prova por parte de quem nunca o tinha feito. O culminar de um objectivo que para muitos seria um feito para nunca mais esquecer. E assim o foi para todos os que ali seguiram lado a lado, ora falando ora ofegando, brincando com o pão-de-ló que os esperava no final.

Terminada a prova, deparamo-nos com elementos da organização a conversarem entre eles, sem indicar o “funil” que deveríamos tomar. Uns seguiram para fora outros para dentro, alguma confusão e logo a desilusão. Já não havia sacos para os últimos classificados. “Só há água” dizia um elemento da organização com tom arrogante. “Não temos culpa”. Perguntamos se então a culpa era nossa por sermos últimos e alegaram falta de civismo por parte de outros atletas que levantaram mais do que um kit no final.

Falta de civismo e falta de controlo por parte da organização, foi o que houve no final da S. Silvestre de Ovar. Uma decepção para quem tanto se esforçou, não pelo kit mas pela manifesta falta de consideração por quem chega em último, se esforçou como todos os outros e que pagou a sua inscrição como os demais.

A organização anunciava no cartaz da prova que o pão-de-ló seria para todos os participantes e não para quem terminasse a prova, pelo que, na nossa opinião, o famigerado doce da cidade poderia muito bem ter sido entregue juntamente com o kit do atleta, evitando assim esta situação. Desta forma, todos os atletas teriam assim participado numa prova que seria realmente a mais doce do ano.

Vitor Dias
Correr Por Prazer

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