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Emerenciano toma uma “Atitude”

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A “Arte é Arma” é a exposição que Emerenciano tem patente na nova Galeria da Casa da Junta de São João/Polo de Capacitação e Inovação Social, numa organização da União das freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira. Na inauguração que decorreu no passado dia 25 de Abril, Emerenciano destacou o facto desta mostra ser igualmente uma “atitude”.

“Desta exposição deve ressaltar a ideia de que ela não é de quadros, o que é tradicional, é antes uma tomada de atitude”, explicou. O artista vareiro recordou que “alguns artistas plásticos que fazem pintura, fazem também intervenção, isto é, vão para além da estética, aproximam a vida, fazendo pensamento”. É o que ele tem feito desde o começo da sua carreira.

Para estrear o novo espaço que, segundo o presidente da UFO, Bruno Oliveira, vai estar aberto aos criadores para ali mostrarem a sua arte, Emerenciano reservou “uma grande pintura que representa a escrita, com sobreposições de letras”. Este é um trabalho que esteve, pela primeira vez, exposto “em Guimarães, num corredor muito comprido, no teleférico”.

“Julgo que reflecte a minha vida”, disse ele ao lembrar os tempos em que começou a pintar, em 1973, num momento em que “tinha acabado de regressar da guerra colonial em 1972, que era o projecto Erasmus daquele tempo”. Em tom mais grave, recordou que “os jovens daquele tempo apanhavam o serviço militar obrigatório, a guerra, e contra a vontade, com desgosto e sacrifício das famílias, alguns morriam lá, outros vinham traumatizados física e psicologicamente”.

“Ainda hoje alguns precisam de apoio psiquiátrico”, sublinhou. “Felizmente que o 25 de Abril acabou com isso”. Mesmo assim, Emerenciano pensa que “as revoluções têm que continuar; se não as houver, não há mudança. Não haverá lugar ao chamado corte epistemológico”.

Enquanto artista plástico, começou, pois, num tempo marcado pela “perturbação da guerra colonial, querendo dizer algum coisa, mas havia a censura e esta motivou a metáfora”. “Fiz uma aproximação à escrita, criando uma dimensão simbólica da minha pintura. Claro que depois do 25 de Abril, passei a ter liberdade”, reconheceu.

A exposição que tem em Ovar fala de revoluções, sem perder de vista que, “enquanto nós estamos a saborear a paz, lá longe, continua a haver guerra”. E para reflectir, deixou outra frase: “Há portas-aviões que valem mais que a Vénus de Milo. Isto tem que mudar. Para que o mundo seja um lugar e não um não-lugar”.

A exposição fica patente até 25 de Junho.

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