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Escritor Rui Vieira esteve “À Palavra” no Museu de Ovar

O mais recente escritor que participou no evento literário dinamizado pelo escritor ovarense, Carlos Oliveira Granja, no Museu de Ovar, foi o portuense Rui Vieira que, perante um público fiel à dinâmica cultural desenvolvida no âmbito do “Á Palavra no Museu”, se mostrou um agradável contador de histórias, neste caso para adultos, ainda que entre os seus livros tenha algumas “incursões à literatura infantil”, como sublinhou Carlos Granja, na sessão do dia 17 de abril.

Feita a habitual apresentação e moderação da conversa por parte de Carlos Granja, a relação de Rui Vieira com os livros, contada na primeira pessoa, é um curioso momento de partilha com os presentes sobre como se tornou um “leitor compulsivo” e depois escritor.

Ainda assumindo que, “por hábito resguardo-me”, o ambiente muito familiar e acolhedor do Museu de Ovar, permitiu que o autor de obras como “No Labirinto do Centauro”, romance finalista do Prémio Autores 2014 da Sociedade Portuguesa de Autores na categoria de Melhor Livro de Ficção Narrativa e “Guardador de Almas”, vencedor do Prémio Literário Cidade de Almada em 2004, aflorasse com simplicidade a história da família que lhe permitiu, logo a partir dos três anos de idade, conviver com os livros, uma vez que a mãe trabalhava numa livraria, acabando entretanto por se tornar proprietária da sua própria livraria “Vieira” na cidade do Porto.

Negócio a que o pai, que tinha um estabelecimento de miudezas nesta cidade, também veio a aderir, tornando-se o negócio da família em que Rui Vieira cresceu entre os livros, tendo aprendido a ler sozinho. Recordou ainda entre os primeiros livros das suas leituras, “O Malhadinhas” de Aquilino Ribeiro, que o seu pai lhe disse “que tinha de ler”.

Na escrita, Rui Vieira, que deseja deixar o seu registo, partilhou igualmente que começou por escrever “Milénio” em 1991, mas acabou guardado na gaveta, destino de muitos outros apontamentos, riscos e rabiscos que faz durante o seu processo de escrever à mão e só depois de muita revisão ganha então forma em computador. Partiu entretanto para outro livro, o “Guardador de Almas” em que admite que a sua estrutura é influenciada pelo facto de ser engenheiro mecânico, fazendo passar a história na cabeça do personagem, um coveiro.

Seguiram-se outros romances, como “A Eternidade Noutra Noite” (2006) e “Vozes no Escuro” (2010). O seu primeiro trabalho de literatura infantil, “Os Cavalos de Santiago”, foi publicado em 2012, voltando ao romance em 2013 com “No Labirinto do Centauro”. Este autor, que nasceu no Porto no dia 29 de novembro de 1966, tem ainda vários dos seus contos representados em diversas antologias, revistas e jornais nacionais.

O próximo convidado do “Á Palavra no Museu” é o ceramista e ilustrador Arlindo Fagundes, este sábado, dia 25 de abril, pelas 21h30, também com participação especial dos músicos Sara Almeida, Manuel Tavares e Rui Manarte.

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