Opinião

Esquerda, direita ou nada disso – Sérgio Chaves

fiscalFaço parte duma extensa minoria que não se revê na clubite de nenhum partido, nem na arcaica discussão de esquerda, direita e centro (?). 

Mas também não acho que não precisos partidos ou novos movimentos alternativos, julgo sim que existem, actualmente, pessoas válidas em número suficiente de todos os quadrantes e, infelizmente, um grande número de pessoas menos válidas que vivem penduradas no sistema.
Inevitavelmente, vou falar na Grécia mas não mais do que aquilo que para mim justifica, isto é: não muito. A Grécia é somente uma face mais visível dum grande problema, mas não o problema por si só. O verdadeiro problema é a Zona Euro não crescer, e sobretudo não saber o que fazer para crescer e, entretanto, o desemprego multiplica­se e as dívidas exponenciam­se.

A continuação do verdadeiro problema é o Japão não crescer e ter um endividamento brutal, os E.U.A. estarem em recuperação alicerçados em impressoras e na exploração de petróleo a baixo custo (e a dívida também é impressionante), e mesmo a China já não está a progredir da mesma maneira. O milagre Russo volta a não ser antes de o ser… Seria muito fácil dizer que a culpa é do capitalismo, a questão é que já não estamos verdadeiramente na época capitalista.

samEstamos em qualquer coisa que adultera a receita, como óleo em azeite. O capitalismo defende a livre iniciativa e concorrência e, por todo o lado, o que se assiste é à tentativa de concentração empresarial e de blocos económico­financeiros, no sentido precisamente inverso, isto é, de abolir a concorrência e a liberdade dos mercados e proteger interesses sectaristas.

As estimativas de produção devem ter em conta legítimas expectativas de
crescimento e de abertura de mercados, e não contar com a concessão ilimitada de crédito ou com a criação de mercados artificiais em que os governos são peritos e que vão colmatar a falta de procura.

Por outras palavras, a produção deve ajustar­se mais às reais necessidades de consumo, e embora a especialização seja naturalmente benéfica, a variedade da oferta agrícola, industrial e de serviços dum país ou região deve ser valorizada, pois esta permite melhor aguentar os choques dos períodos de crise.

Qual foi o país que nos últimos 20 anos cresceu sempre acima de 1,5%, mas nunca mais de 5%?! Não, não foi Suiça! Nem pensar! Foi a Austrália. Um país­continente. Talvez por estar tão longe não lhe pegaram tantas modas economicamente falaciosas, basta­se a si próprio mas está aberto ao mundo, não precisa de ser a caixa forte do saco­azul europeu ou mundial, não precisa de agora rejeitar aqueles que lhe deram corpo (os imigrantes) e tambem não precisa de impôr barreiras alfandegárias suplementares àqueles que o alimentaram.

São duas realidades muito distintas as destes dois países, duas geografias e duas dimensões muito diferentes, mas são sobretudo filosofias realmente diferentes. Uma ilustra mais ou menos aquilo que deve ser, a outra mostra o escape dum carro altamente poluente como é a União Europeia actualmente.

Sérgio Chaves
* Autor não aderiu ao novo acordo ortográfico

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