Opinião

Estudantes Profissionais – Por Diogo Pinheiro

Estes dias tivemos a celebração do Dia do Estudante, no entanto penso ter havido um grupo
que não foi abordado. Um grupo que é muitas vezes esquecido devido ao seu estigma na
sociedade como sendo o caminho “fácil” para a obtenção do 12.º ano: os estudantes do ensino
Profissional.

Um dos maiores motivos para o abandono escolar após o 12.ª ano é a falta de recursos,
nomeadamente financeiros. Infelizmente quando se diz isto, regra geral pensamos nas
deslocações, alojamentos e propinas, mas existe um problema mais grave. Enquanto o aluno
do ensino regular tem uma preparação de 3 anos para os exames nacionais, os do ensino
vocacional e artístico especializado (conhecido como profissional), não tem o mínimo apoio
para esses exames. Ao fim e ao cabo a entrada do jovem do ensino profissional vai depender
se o agregado familiar tem recursos financeiros para explicações, se está disposto a esperar
pelos 24 anos para ser elegível para o protocolo +23 ou pela escassa oferta de cursos técnicos
superiores.

No ano lectivo passado 73% dos jovens que interromperam os estudos após conclusão do 12.º
ano foram alunos do profissional. Estamos a falar de 18.732 jovens que foram segmentados
dos restantes apenas por terem escolhido aprender por vocação e não por ensino regular com
o qual não se identificam. Fala-se de igualdade de oportunidades, mas isso não existe para os
alunos do ensino profissional.

É preciso criar condições de acesso para os jovens do ensino profissional e além disso é preciso
também criar novas licenciaturas que reflictam o estado laboral do nosso país.
Isto porque o ensino profissional não é para “burros”, como ainda está bastante latente na
sociedade. As empresas nunca tiveram esse estigma, porque sabem as capacidades e a
bagagem profissional que estes jovens têm após o ensino profissional. Através do ensino
profissional é possível seguir carreira e também tem de ser possível seguir o ensino superior,
caso o jovem tenha essa intenção.

Cada vez mais temos jovens a seguir pelo ensino profissional, em 2019 eram 70.000 jovens que
optaram por esse caminho. Vamos dizer a esses mesmos 70.000 que após 3 anos não podem
integrar o ensino superior? Que têm de escolher não o que querem, mas sim o que há
disponível? Acredito que não nos devemos esquecer que todos os jovens devem ter as
mesmas oportunidades, sejam eles de qualquer tipo de ensino porque no final são todos
iguais: Estudantes.

Diogo Pinheiro

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