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Fábio Porchat passa por terras vareiras na recriação de “Viagem a Portugal”

Fábio Porchat, o conhecido actor da Porta dos Fundos, está a visitar alguns dos recantos do país – que José Saramago percorreu para escrever “Viagem a Portugal” – no âmbito das gravações de uma série produzida pela RTP que vai estrear no próximo ano, data do centenário do nascimento do Nobel da Literatura. O humorista brasileiro vai interpretar o papel de Saramago.

“Desde algumas aldeias até grandes cidades, o olhar do Saramago é o olhar que eu quero tentar passar para a série. Eu faço aquilo que Saramago fez e tento ver, 40 anos depois, aquilo que surgiu de novo. Um novo olhar sobre o olhar de Saramago”, explica Fábio Porchat.

“Apesar de o Mundo ter mudado, e Portugal não é exceção, mantêm-se as características das pessoas, comunicativas, o que faz uma síntese da memória do tempo”, acrescenta o actor.

Um desses lugares (re)visitados por Fábio Porchat foi Ovar, durante esta semana, a anteceder a cerimónia de apresentação da reedição de “Viagem a Portugal”, lançado pela Porto Editora, onde o Prémio Nobel escreve a propósito da região vareira :

(…) há que dizer que o Museu de Ovar tem, por si só, um encanto particular. Primeiro, não é um museu, é um guarda-tudo. Ocupando o que foi casa de habitação, arruma como pode um recheio onde se juntam o banal e o precioso, a rede de pesca e o bordado, o instrumento agrícola e a escultura africana, o trajo e o móvel, os quadrinhos de conchas e escamas de peixe ou os bordados a cabelo. E o que tudo isto junta numa forma singular de homogeneidade: o amor com que foram reunidos todos os objectos, o amor com que se guardam e são mostrados. O Museu de Ovar é um tesouro para quem da cultura tenha uma concepção global.

Quanto ao viajante, que nessas matérias vai tão longe quanto pode, chegou a altura de confessar que em Ovar deixou uma parte do coração: só assim saberá dizer o que sentiu diante daquele chapéu de mulher, preto, de espesso feltro, grande aba redonda donde pendem seis borlas. Quem não o viu nunca, não poderá imaginar a graça, o donaire, a feminilidade irresistível do que, pela descrição, se cuidará ser um desajeitado guarda-sol. Não faltam razões para ir a Ovar, mas o viajante, quando lá tornar, será por causa deste chapéu.

De Ovar ao Furadouro são cinco quilómetros por uma estrada que vai a direito, como se quisesse lançar-se ao mar. Aqui a praia é um areal sem fim, encrespado de dunas para o sul, e a luz é um cristal fulgurante, que no entanto, providência deste tempo invernal, se mantém nos limites do suportável. A esta mesma hora, no Verão, cegam-se aqui os olhos com as múltiplas reverberações do mar e da areia. Agora o viajante passeia na praia como se estivesse na aurora do mundo. É um momento solene”.

No lançamento da reedição da “Viagem a Portugal”, obra datada da década de 80, do século passado, onde Saramago explica que “viajar não é fazer turismo”, o retrato do Nobel ao nosso País impõe-se como uma obra a reler face ao “momento de massificação do turismo. Esta é uma viagem profunda”, defende fonte da Porto Editora.

A nova edição do livro é melhorada com fotografias tiradas pela objectiva do escritor, ilustradas com anotações pessoais de Saramago.

A série televisiva estreará em setembro do próximo ano para que o último episódio vá para o ar a 16 de novembro, dia do nascimento de José Saramago. Serão 100 anos.

 

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