Cultura

Famalicão lança Prémio de Arquitectura Januário Godinho

O arquitecto Januário Godinho (1910 – 1990), autor de diversas obras no concelho de Vila Nova de Famalicão, entre as quais os Paços do Concelho, dá o mote para um conjunto de iniciativas que arrancam no já próximo dia 21 de outubro, e abordam a temática da arquitectura moderna no território famalicense.

“Famalicão, Marcas de Modernidade” é o tema do colóquio, que vai decorrer nos Paços do Concelho, e vai reunir conceituados investigadores do panorama nacional. O evento realiza-se a 21 de outubro, a partir das 9h15 e tem inscrições limitadas à capacidade de sala (os interessados devem enviar a sua inscrição através do e-mail: [email protected]).

O evento vai ficar marcado pelo lançamento do Prémio de Arquitectura Januário Godinho, que terá como objectivo galardoar a melhor reabilitação de edifício no concelho. De periodicidade bianual, o Prémio Januário Godinho terá um valor pecuniário de 7 mil euros, cabendo dois mil euros ao promotor da obra e cinco mil à equipa projectista.

Neste dia será ainda realizada uma visita guiada às obras de Januário Godinho no concelho, nomeadamente nas freguesias de Louro e Famalicão. O evento termina com a inauguração da exposição “Januário Godinho Arquiteto (1910 – 1990). Através da materialidade.”, que estará patente até 25 de novembro, nos Paços do Concelho.

Para o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, “a vasta obra que Januário Godinho deixou no nosso território e a sua sensibilidade à relevância do património constituem ensinamentos que merecem ser preservados e divulgados”. Além disso, o evento aborda ainda a arquitectura moderna no território de Famalicão, os edifícios e os arquitectos que os desenharam.

As iniciativas inserem-se no âmbito da colaboração entre a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e o Grupo de Estudos de Arquitectura do Centro de Estudos Arnaldo Araújo da Escola Superior Artística do Porto, contando com o apoio da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte.

JANUÁRIO GODINHO
Arquitecto português nascido em 1910, em Ovar, e falecido em 1990 Januário Godinho estudou na ESBAP – Escola Superior de Belas Artes do Porto, entre 1925 e 1930, tendo obtido o diploma com o estudo para o Hotel do Parque-Vidago em 1941, onde começa a esboçar algumas das preocupações que o perseguem ao longo da sua carreira, como a leitura e interpretação do lugar, o ritual dos acessos, a relação entre paisagem e espaço interior e a criteriosa escolha de materiais.

Inicia o seu período de estágio na década de 30, em colaboração com o arquitecto portuense Rogério de Azevedo, participando activamente no desenvolvimento do seu trabalho, entre o modernismo e a aproximação que faz ao regionalismo.

Ao longo do seu percurso profissional é notório o relacionamento cada vez mais distanciado de alguns modelos dominantes na Europa Central, sendo evidente um sentido de afirmação da arquitectura como um problema de cruzamento entre modernidade e contemporaneidade, tradição e sítio, afirmando-se numa lógica de contextualização disciplinar, levando a um regionalismo crítico antecipado.

As suas principais obras são: o Mercado do Peixe de Massarelos, Porto (1932); as pousadas realizadas para a Hidroelétrica do Cávado (1949-1959), para Vila Nova, Salamonde, Sidroz e Pisões; Casa Afonso Barbosa, Famalicão (1941); a Sede da Hidroelétrica, Porto (1953); os palácios da Justiça de Tomar (1951), de Vila do Conde (1953), de Ovar (1960) e de Lisboa (1960), em coautoria com João Andersen; o Edifício Calouste Gulbenkian no LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Lisboa (1961), igualmente em coautoria com João Andersen, e os Planos de Urbanização de Coimbra (1968) e de Amarante (1965).

Refira-se que a relação de Januário Godinho com Vila Nova de Famalicão surge nos anos 40 e prolonga-se até ao final da década de 80. As suas obras pontuam o território, mas é no Louro que se encontra um número mais significativo.

Da obra deixada no concelho por Januário Godinho destaca-se o edifício dos Paços do Concelho e o antigo Tribunal; na freguesia de Antas o edifício para o Banco Português do Atlântico (1953); na freguesia de Brufe a casa Afonso Barbosa (1940-42); na freguesia do Louro várias construções na Quinta de Seara, propriedade do banqueiro Artur Cupertino de Miranda, o mercado, a igreja, a Casa do Povo, o centro paroquial e o cemitério. Na freguesia de Requião, cujo promotor foi o industrial Manuel Gonçalves, destaca-se o projecto da Casa Manuel Gonçalves, a Quinta de Compostela e a Têxteis Manuel Gonçalves.

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