Opinião

Festejemos o Festa – Ricardo Alves Lopes

 

Por estes dias, naturalmente, o assunto em enfoque na nossa urbe foi a realização do Festa, que está já aí a chegar.
O conceito, a meu ver, com tanto de bom que se vai fazendo no emaranhado de sonhos alimentados por anónimos, só pode resultar em sucesso. E sucesso, apesar do que se possa pensar, não coloco como enchentes em todos os espectáculos. Julgo que o erro da cidade, por diversas vezes, prendeu-se com esse imediatismo esfusiante que se aguarda, como se todos
os eventos tivessem a capacidade massificadora do carnaval.
Somos uma terra de carnaval, sim, com orgulho, mas não podemos ser só isso. Existem actividades, espectáculos, eventos, que se destinam a nichos, a menos aglomerados de pessoas, mas que também nos podem ajudar a tornarmo-nos referências em outras áreas, em primeiro lugar. A agitação não precisa de ser focada em um único evento, pode, e deve, ser gradativa, dispersa durante o ano. Nós, habitantes, como os turistas ou visitantes, somos todos diferentes e com interesses, naturalmente, díspares.

Então, nesse sentido, é natural que o Festa não seja representativo de todos (como nenhum espectáculo será), mas será um mote para alguns, de cá e de fora. Mas, para isso, no meu entender, é preciso lembrarmos que as coisas não acontecem imediatamente. Vão se criando, passo a passo, com as boas campanhas de promoção, como foi o caso do Festa no Público, mas também com o boca a boca. Este ano, na estreia, o fundamental não pode ser esperar-se que cheguem autocarros com milhares de pessoas vindas de outras cidades, necessita é de ser realmente bom para os que vierem, porque esses é que terão um papel fulcral no alavancar das edições seguintes.

Não podemos continuar a ser uma cidade ansiosa, onde se espera que os hábitos se mudem em pestanejos e a notoriedade chegue num bater de palmas. Nada do que é bom se faz da noite para o dia, vai-se construindo. E é esse mentalidade que devemos ter, na minha humilde opinião.

No próximo fim de semana, em vários pontos da cidade, vamos ter espectáculos de consagrados e de pessoas que, paulatinas, vão procurando o seu espaço no panorama das artes. Não nos precipitemos a ajuizar os resultados, que a nossa atenção esteja é em ajudar a criar bons momentos aos que cá estiverem. Eles serão a voz da nossa cidade lá fora. Festejemos o Festa.

Ricardo Alves Lopes (Ral)
http://tempestadideias.wordpress.com
[email protected]

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