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Fragmentos dum retrato de Portugal pela lente de José Saramago

A Exposição “José Saramago, Fotógrafo ocasional – Fragmentos dum Retrato de Portugal” está patente no Museu de Ovar até ao próximo dia 13 de Maio.

Volvidos quarenta anos desde o lançamento da obra “Viagem a Portugal”, e no ano em que celebra o centenário do nascimento de José Saramago, o Centro de Estudos Ibéricos associou-se a esta efeméride e criou a exposição “Fragmentos dum retrato de Portugal” que revela uma faceta inexplorada do escritor: José Saramago, fotógrafo.

A exposição mostra perto de três centenas e meia de imagens captadas durante a “Viagem” que o autor seleccionou, catalogou e legendou. As fotografias revelam os interesses de Saramago que apontam para quatro coordenadas fundamentais: paisagens, lugares, pessoas e atividades, monumentos e arte sacra.

Através destes apontamentos revisitamos um tempo e percorremos um país quase irreconhecível numa exposição que tem curadoria de Rui Jacinto e Duarte Belo.

Olhadas a esta distância, as imagens apenas confirmam que “A felicidade, fique sabendo, tem muitos rostos”. Viajar é provavelmente, um deles. Entregue as suas flores a quem saiba cuidar delas, e comece.

Sem descurar um dos conselhos de José Saramago que “todo o viajante tem o direito de inventar as suas próprias geografias”. Se o não fizer, “considera-se mero aprendiz de viagens, ainda muito preso à letra da lição e ao ponteiro do professor”.

O escritor parou no Museu de Ovar e escreveu: “É um tesouro para quem da cultura tenha uma concepção global”, registou em “Viagem a Portugal”, escrito entre outubro de 1979 e julho de 1980, quando percorreu o país de lés a lés, a convite do Círculo de Leitores. “O Museu de Ovar tem um encanto particular. Primeiro, não é um museu, é um guarda tudo. (…) Arruma um recheio onde se juntam o banal e o precioso”. O que José Saramago nos desafia a ver é o intangível, isto é, o amor com que foram reunidos todos os objetos».

Mal sabia José Saramago que no espaço de 40 anos, seria ele o motivo de uma exposição naquele mesmo espaço que o encantou. As fotografias foram captadas em jornadas feitas nos anos de 1979 e 1980 e as legendas das mesmas são igualmente da autoria de José Saramago e as citações retiradas de “Viagem a Portugal”.

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