Opinião

Futebol: os dois factores subvalorizados – João Gomes

Qualquer modalidade possui aspectos menosprezados ou mesmo invisíveis aos olhos daqueles que são meros espectadores. O futebol não é diferente. Só quem conhece por dentro e vivência determinados acontecimentos se vai apercebendo da relevância dos dois factores essenciais na obtenção da melhor performance, que aqui vou tentar desconstruir.

Portanto, falo de dois campos que são, por vezes, desvalorizados pelas estruturas dos clubes mas que, aqui e ali, já se vê algum progresso na sua implementação: A psicologia e a Filosofia.
O futebol tem, como principal interveniente, o futebolista. Contudo, nem sempre os emblemas entendem que, acima de tudo, os jogadores devem ser tratados de forma correta.

A responsabilidade do técnico.
O primeiro responsável pela realização do atleta é o treinador. A este estão encarregues não só as tarefas de cariz táctico, técnico e físico, como também as de gestão de emoções e de aconselhamento filosófico. Obviamente que não necessita de qualificações como profissional de psicologia ou filosofia, mas é ele a base da ideia da equipa, onde todos os jogadores devem, além das capacidades base inerentes à modalidade, estar preparados emocional e eticamente, mantendo uma mente e um espírito saudáveis. È claro que nem todos os clubes dispõem de condições financeiras, mas seria aconselhável disponibilizarem sessões nestas duas vertentes, sempre com um fio condutor às ideais da direcção e equipa técnica.

A psicologia no jogo
A mente é a principal matéria-prima do jogador e a sua capacidade altera-se consoante o seu estado psicológico. Com vista à manutenção da harmonia no seio do balneário, torna-se essencial saber comunicar, onde o líder (treinador), em sintonia com a equipa técnica, abordando cada personalidade da forma mais adequada, tem o papel principal. Compreender que cada indivíduo tem um modelo mental singular que leva a uma determinada forma de reagir (que pode ser diferente em relação ao conteúdo e à forma de expressar a mensagem).
A existência de abertura e disponibilidade para o diálogo, onde haja, também, espaço para a discussão saudável de pontos de vista, é um sistema importante a construir tendo com objectivo a felicidade geral da equipa. Um jogador infeliz é o suficiente para criar instabilidade emocional no plantel e cabe ao treinador criar ligações positivas com os seus atletas, usufruindo da intermediação dos capitães de equipa na interpretação do sentimento geral do grupo.

Filosofia: O Porquê
Nos últimos anos temos ouvido falar, e bastante, da filosofia de jogo. As abordagens dos grandes treinadores da actualidade, como Mourinho e Guardiola, têm impulsionado o interesse dos mais apaixonados da modalidade, uma vez que estes baseiam o seu estilo de jogo em ideais que vão muito para lá das quatro linhas. De facto, o futebol não acontece só dentro de campo e tem vindo a ser incutido como uma forma de estar, uma ideia que deve estar presente no espírito do grupo. Seja nos treinos ou mesmo noutros contextos, o jogador, hoje em dia, deve estar consciencializado da sua função no clube, construindo uma atitude que vá de encontro aos objectivos do treinador.

Dito isto, o relacionamento treinador-jogador é algo que ultrapassa o simples jogar e torna-se numa fusão empática de ideais. Repetir e relembrar os fundamentos são duas bases comportamentais que visam manter esta relação, sustentados por uma base orientadora bem definida. A consequência deste trabalho, além da obtenção de resultados positivos, é uma identidade de jogo bem construída que motive os jogadores, o clube e os adeptos.
Existe ainda muito por explorar nos dois pontos aqui sublinhados o que pode levar até outras discussões como a importância da confiança num jogo de futebol, num futuro texto

João Gomes

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