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Grande Corso Carnavalesco Ovar 2016 – Domingo

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O grande corso do Carnaval de Ovar arrancou este domingo para gáudio de quase 20 mil espectadores que esgotaram bancadas e encheram os lugares de peão, apesar da ameaça de mau tempo. Agora que o desfile de terça-feira foi cancelado por causa da chuva, recordamos o grande corso do Carnaval de Ovar de domingo.

Desse desfile ficam algumas memórias, como as dezenas de pinóquios aos quais as mentiras faziam crescer o nariz e a verdade aumentava o órgão sexual, no que o grupo “Vampiros” combinou malícia e crítica política. “Sempre gostámos de desfilar com temas brejeiros e escolhemos o Pinóquio por duas razões”, explicou um dos responsáveis do grupo, conhecido como “Zé” Maia.

“Quando ele diz mentiras, cresce-lhe o nariz; quando ele se porta bem, cresce-lhe outra coisa mais abaixo”, descreveu. As marionetas mecânicas criadas pelos 40 elementos do grupo têm essa dupla funcionalidade e passam ainda uma outra mensagem.
“São uma criticazinha também aos nossos políticos, esses grandes mentirosos que nós gostávamos de lixar sexualmente, como eles merecem”, explicou.

Entre os 2.000 figurantes que hoje à tarde desfilam pela Avenida Sá Carneiro, outra mensagem de duplo sentido foi “#aimarchavasmarchavas”, que serviu de tema ao grupo “Pindéricus”, constituído por 61 homens e este ano alargado a 21 músicos da banda filarmónica Boa União, que atuou ao vivo no carro alegórico.

“Inspirámo-nos nas marchas de Lisboa e das festas de Santa Eufémia”, revelou Filipe Gonçalves, delegado do grupo e “maestro de serviço” na direção musical. “Mas como metade dos nossos elementos vai vestida de homem, o título também serve para o ‘flirt’ entre eles e elas, a ver quem se deixa marchar”, admitiu.

À espera de fumo branco, a Guarda Suíça dos Zuzucas entrou na avenida a marchar em defesa do Vaticano em cuja varanda se procedia à eleição papal, motivo de grande festa entre os cardeais. “Temos a certeza que o Papa Francisco seria o primeiro a aprovar o nosso desfile”, considerou um dos elementos do grupo.

Já entre os “Garimpeiros”, não havia divisões na indumentária. “Somos 52 e vamos todos vestidos de ‘drag queens'”, afirmou Renato Oliveira, presidente do grupo que, este ano, adotou para o corso o tema “Sair do Armário”.

Nessa escolha “não há nenhuma mensagem pedagógica especial”, até porque todos os elementos do grupo “são muito liberais e estão perfeitamente à vontade com a temática homossexual”, mas o travestismo foi uma opção que lhes permitiu “brincar com luz e ‘glamour'”, usufruindo efectivamente de todo o potencial do guarda-roupa feminino.

Esses homens feitos sujeitaram-se assim a uma esmerada maquilhagem por profissionais, deixaram-se deslizar para dentro de “bodies” justinhos nas seis cores da emblemática bandeira LGBT e exibiram pernas “totalmente depiladas, com um daqueles cremes que não faz doer nada”, contou. Para o final de coreografia, estava ainda reservada uma surpresa: “Transformamo-nos todos na Beyoncé, a dançar o ‘Single Lady'”.

Os principais desfiles do Carnaval de Ovar envolvem 24 grupos carnavalescos e escolas de samba que trabalham arduamente durante vários meses mas estão todos os anos à mercê dos humores de S. Pedro que este ano permitiu a realização de apenas um desfile.

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