Opinião

Ideia de jogo – João Gomes

Por muito que se fala em sistemas tácticos, seja dos mais reconhecidos 4-4-2 ou 4-3-3, ou até dos mais alternativos, 3-4-3 ou 3-5-2, entre outros, há um princípio mais importante do que qualquer disposição táctica da equipa: a ideia de jogo

Tendo em conta o que escrevi no primeiro texto aqui publicado, sobre a psicologia e filosofia no futebol, é preciso entender que mais importante que uma estratégia, é o modelo de jogo que se pretende implementar. Existem várias vertentes: há equipas que privilegiam o futebol apoiado, de posse, transportando a bola para a zona ofensiva nas melhores condições; outras optam por compactar as linhas no seu meio campo defensivo e, assim que a recuperam, projectam o contra-ataque; as que primam pela intensidade e velocidade com que executam as funções, tanto defensivas como ofensivas; entre várias outras formas de actuar.

O bom treinador é aquele que consegue implementar as suas ideias de jogo tendo em conta a capacidade do plantel, mesmo que os seus jogadores não sejam os mais adequados para a construção da sua maneira de jogar. Este deve, com as devidas adaptações, transmitir quais as ideias e formas de actuar que pretende ver os atletas a executar. Mais do que procurar os bons jogadores, o técnico deve saber como retirar o melhor potencial dos recursos humanos de que dispões.

Contudo, não deve ser descurado o meio-termo. Não deve ser exigido, de imediato, que uma equipa habituada a praticar um futebol longo, por exemplo, passe a atacar de forma organizada, em bloco, de um momento para o outro. Há que entender o contexto e psicologia da equipa, de forma que haja uma adaptação da filosofia que se pretende ver aplicada. Na minha óptica, a esfera do futebol, principalmente em Portugal, deve consciencializar-se que a construção de uma equipa leva tempo e nem sempre os resultados de uma construção forte e sustentada tem resultados imediatos.

João Gomes

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