Opinião

Identidade – Sérgio Lamarão Pereira

Ter identidade é ter o destino traçado nas entranhas de um corpo, de um lugar. Possuir uma língua, uma pátria. Apátrida. Nascer, crescer, acompanhar até ao fim. Sem fim, ilusão. Alma nobre, alma pobre, magnânima, generosa, mediterrânica. Triste fado, triste sina, triste cisma. Melancolia e ansiedade, pesado fardo. Terra amada, conquistada, achada. Saudade, dor e despeito. Corpo amado, alma vencida, ego preenchido. Ondas no mar, leito profundo e neve na serra. Abertura à vida, ao mundo, à própria máscara que existe em cada um. O sol, o mar, o mármore, o granito… a dureza, rudeza, pobreza, aridez. País!

Identidade é longevidade, ultrapassagem, fazer perdurar. Crer, querer e possuir. Trata-se de perceber e de dizer. Vincar! Ter a noção de quem se é mesmo sem se ter. Não estar onde quer que se esteja. Estar! Nascer, viver e morrer. Dar continuidade e deixar transparecer. Perdurar! Estar longe estando perto. Sonhar com o regresso.

Concluir um processo. Existir, ter princípios, ter meios, agir com autenticidade, com vontade, liberdade, perseverança rumo a um saber estar. Dizer não! Dizer sim! Romper para posteriormente restabelecer. Ter a noção daquilo que a sua passagem pela vida implica. Ação, reação e interação, plenos direitos, aceitação dos deveres, impugnar alguns valores. Duvidar, equacionar, mas também decidir. Fazer progredir. Vilipendiar sem ostracizar. Caminhar, recordar, serenar. Helenizar, redimir. Orgulho!

A Identidade consiste num permanecer. Nunca imóvel, nem tão pouco ausente. Sempre presente! Ligação através de uma herança educacional, cultural e social. Portanto, civilizacional. Elo de ligação entre várias gerações, várias comunidades. Peça de um imenso puzzle. Abertura e recetividade em relação a um passado que permanece sempre presente nas memórias e nos corações futuros.

Lembranças. Apreensão futura. Fator de aglutinação, compreensão e adesão. Ponto de convergência entre gerações, com factos e lugares comuns. Permanente questionamento, constante mobilização em busca de novos pressupostos que eventualmente possam romper com conceitos estabelecidos num futuro divergente, aparente e que se pretende premente.

Sérgio Lamarão Pereira
20 de setembro de 2020

Artigos relacionados

Deixe uma resposta