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Jornalista Alexandra Couto premiada pela cobertura do cerco sanitário de Ovar

Um ano depois de levantado o cerco sanitário a Ovar, a agência noticiosa Lusa revela que premiou a jornalista Alexandra Couto pela cobertura que fez desse período excecional da vida do município.

A jornalista Alexandra Couto, correspondente da Lusa – Agência de Notícias de Portugal em sete municípios do distrito de Aveiro, foi premiada internamente pela cobertura noticiosa que fez do cerco sanitário de Ovar entre março e abril de 2020, revelou fonte da estrutura que é detida maioritariamente pelo Estado e por organismos de comunicação como o Grupo Global Media, a Impresa, o jornal Público e a RTP.

A informação chegou ao OvarNews na véspera de se assinalar precisamente um ano sobre o levantamento da cerca profilática que, entre 18 de março e 17 de abril de 2020, sujeitou a população do concelho a confinamento domiciliário, controlo de entradas e saídas no território, e paragem de toda a atividade económica considerada não-essencial, entre outras restrições.

Foi pela cobertura intensiva de vários desses aspetos que Alexandra Couto se distinguiu na Lusa, depois de a direção da agência ter avaliado toda a produção interna em 2020, tanto ao nível noticioso como no âmbito tecnológico, administrativo ou comercial. Dessa reflexão saíram nove prémios, sendo que, dos seis de caráter estritamente jornalístico, só o da jornalista com residência em Santa Maria da Feira foi atribuído a título individual.

Esse foi, aliás, um dos aspetos valorizados pelo presidente do conselho de administração da Lusa, Nicolau Santos, ao analisar o desempenho da jornalista: Foi um trabalho exaustivo, em condições particularmente difíceis devido à incerteza e ao desconhecimento que afetavam toda a gente perante uma doença desconhecida”.

Formada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Alexandra Couto trabalha na Lusa desde 2009, é também colaboradora do jornal Público e freelancer para outros órgãos de comunicação social. Começou a sua carreira no jornal “Defesa de Espinho”, ainda antes de concluir a sua formação académica, e em 1999 chegou a integrar os quadros do extinto “Jornal de Ovar”.

Contactada pelo OvarNews, essa profissional diz que o prémio da Lusa “é particularmente simbólico por ser dirigido a alguém que trabalha fora das redações de Lisboa e Porto” e por “validar um trabalho discreto, mas intensivo”, cuja autoria “passa despercebida” à maior parte da população.

“Como a Lusa é sobretudo uma revendedora de notícias, a maior parte das pessoas não percebe que, quando se depara com determinado artigo num jornal, num site ou na televisão, pode estar a ver um conteúdo que foi criado pela própria Lusa e não pelo órgão de comunicação que usa essa peça. Às vezes o nome ‘Lusa’ nem aparece, outras vezes ouve-se o nome da agência e nem se repara, mas o facto é que a notícia é da Lusa e fomos nós a dá-la ao mundo”, afirma.

Sobre o caso concreto do cerco de Ovar, Alexandra Couto reconhece-o como “uma situação que era inédita na história recente do país” e afirma que os habitantes, empresários e outros agentes do concelho foram, “no geral, compreensivos quando à pressão que os jornalistas tiveram que exercer sobre a comunidade para conseguirem noticiar a evolução dessa experiência”. A correspondente da Lusa nota, contudo, que, pelo menos ao nível de jornalismo e comunicação, “houve muita coisa que podia ter corrido melhor”.

“Por um lado, há ainda muitas entidades sem qualquer sensibilidade no que se refere a comunicação e que poderiam ter sobrevivido melhor à pandemia se tivessem despertado para essas questões mais cedo. Por outro lado, há serviços públicos que optaram por modelos muito questionáveis de comunicação institucional e que, por revelarem uma tendência para o populismo e para o ‘juvenil’, não dignificaram a sua imagem nem as comunidades que representam. É por isso que eu gostaria de ver universidades e outras entidades certificadas a investigarem o ‘case-study’ de Ovar – para se perceber em que medida é que os formatos coletivos e individuais de comunicação beneficiaram ou prejudicaram a imagem do município e, consequentemente, a sua retoma económica e social”, declara.

Expressando o desejo de que a população de Ovar possa celebrar o aniversário do fim do cerco “sem demasiadas memórias negativas e antes com foco no otimismo e com vontade de recuperar”, Alexandra Couto fez depois questão de referir: “Para o prémio da Lusa também contribuiu, de certa forma, o OvarNews. Mantive-me muito atenta a tudo o que lá era publicado por saber que o site estava sempre em cima do acontecimento”.

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