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José Augusto de Almeida vai ser nome de rua na “sua” Ovar

Ainda hoje, muitos vareiros se recordam que era José Augusto de Almeida quem ia à Brasileira, a Lisboa, falar com os artistas que paravam muito por lá para lhes pedir obras para o “seu” Museu de Ovar.

O Jorge Barradas era um deles. “Ele tem ascendência em Ovar”  e atirava ao Querubim Lapa: “Olha que tens de oferecer peças ao Museu de Ovar, ouviste?”  E, hoje, o Museu tem-nos bem representados.

Naquele tempo, José Augusto de Almeida ia a Lisboa nos camiões do F. Ramada e lá se encontrava com os artistas, com quem fazia amizade. Trazia então as obras para Ovar, nos mesmos camiões, muito bem acondicionadas, pois só assim se compreende que tenham chegado sãos e salvos de viagens longas como eram naquele tempo.

Quando os artistas não lhe ofereciam uma obra da suas naquele momento, o José Augusto escrevia-lhes a lembrar. Veja-se o caso de Almada Negreiros a quem José Augusto escrevia insistentemente a pedir e a lembrar. (Ver cartas em baixo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vêm estas curiosidades a lume numa altura em que Fernando Almeida viu uma sua proposta de recomendação para a atribuição do nome de José Augusto de Almeida a uma rua da cidade ser aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Ovar.

No documento posto à consideração do órgão deliberativo, recorda que “se deslocava também várias vezes a França a expensas próprias com o objectivo de visitar museus, aprender com o que via e estabelecer contactos em Paris onde tinha uma família amiga que lhe permitia pernoitar em sua casa, diminuindo os custos destas viagens”.

“De uma dessas visitas nasce a ideia de fazer a sala Família Borges onde eram expostos de forma absolutamente inovadora para a nossa realidade, objectos, trajes e alfaias agrícolas, sala essa como tantas outras que apresentavam características dos costumes da nossa região, infelizmente desaparecidas”.

O autarca independente salienta ainda que “a sua acção não se limitava a Portugal, com o passar do tempo, as óptimas referências obtidas pelos conhecimentos que ia angariando permitiam-lhe conseguir o apoio de entidades nacionais bem como governamentais de vários países, levando o mais variado material artístico e etnográfico a muitos deles”.

Daí o facto de ter recebido por exemplo a medalha de ouro da Academia Leonardo da Vinci, de Roma ou ter sido nomeado Comendador de Art, Science et Lettres em França para além de outras distinções de governos de outros Países”.

Em Ovar, “onde era conhecido por Sr. José Augusto do Museu”, continua Fernando Almeida, “tal a dedicação que lhe prestava, recebeu a título póstumo uma medalha da cidade, o que convenhamos é manifestamente insuficiente para quem tanto fez pela nossa cultura, pelo Museu de Ovar e por Ovar”.

O filho de José Augusto de Almeida, Zé Maia, há muito que reclamava este reconhecimento e pensa que “é um passo importante, mas sendo tardio (27 anos passados do seu falecimento), pouco haverá mais a fazer por forma a que as gerações vindouras tenham algum conhecimento da importância que o  meu pai teve na divulgação da cultura, arte e do nome de Ovar por esse mundo fora”.

Quanto à zona da cidade para a rua que vai ser baptizada com o nome de seu pai, Zé Maia não tem preferência e prefere deixar isso para os “decisores autárquicos”.

Foi entre janeiro e novembro de 1959 que se realizaram as duas exposições que estiveram na origem do Museu de Ovar, que acabaria por nascer em janeiro de 1961, tendo sido, posteriormente, declarado instituição de utilidade pública, em 1975.

Na sua origem esteve, ainda, o Grupo 66 do Corpo Nacional de Escutas de Ovar. Ainda hoje, o Museu de Ovar é guardião de usos e costumes e tem como missão, recolher, estudar conservar e divulgar o património cultural das gentes de Ovar.

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