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Limpeza urbana e recolha de resíduos valem mil milhões por ano em Portugal

III Encontro Nacional de Limpeza Urbana arrancou em Braga

A limpeza dos espaços públicos e a recolha dos resíduos urbanos têm um impacto anual de mil milhões de euros na criação de valor acrescentado bruto (VAB) para a economia portuguesa, estimando-se que os custos com a limpeza urbana ascendam a 30 euros por habitante anualmente. Estes números integram o primeiro estudo de caracterização do sector apresentado esta semana, em Braga, no III Encontro Nacional de Limpeza Urbana.

O evento, que arrancou hoje, no Altice Forum Braga, reúne as autarquias de norte a sul do país e regiões autónomas, as empresas públicas e privadas do setor, a universidade e players internacionais relevantes. O objetivo é debater as estratégias para uma nova era dos serviços públicos. Pela primeira vez, haverá também um espaço expositivo, o Urban Cleaning Expo, com 5 mil metros quadrados, onde o público poderá conhecer as mais recentes inovações do setor, entre camiões, varredoras, papeleiras e equipamentos de segurança.

Entre as novidades conta-se a primeira varredora urbana alimentada a hidrogénio, antecipando a chegada de um equipamento que em breve fará parte da nossa paisagem urbana. A sua célula de combustível de hidrogénio, além de ser uma fonte de energia limpa com zero emissões, assegura a prestação de um serviço – designadamente a limpeza de ruas, passeios e jardins – de forma mais eficiente, confiável e rentável.

A limpeza dos espaços públicos assume especial relevância na relação que as populações estabelecem com os locais que frequentam, impactando de forma direta a sua qualidade de vida e a saúde pública. Contudo, apesar da importância, o setor não se encontra suficientemente caracterizado, sendo o seu impacte real ainda desconhecido.

Consciente destes desafios, a Associação Limpeza Urbana – Parceria para as Cidades + Inteligentes e Sustentáveis (ALU), que organiza o evento de Braga, promoveu a realização de um estudo que caracterize a importância do sector em Portugal. Ao mesmo tempo, o documento propõe uma estratégia de intervenção que promova esta atividade enquanto peça fundamental para o desenvolvimento sustentável e qualidade de vida dos cidadãos.

No conjunto, a limpeza urbana e a atividade regulada de recolha de resíduos indiferenciados e seletivos têm um impacto anual de 1.032 milhões de euros no VAB português, dos quais 563 milhões advêm da recolha de resíduos e 468 milhões da limpeza urbana. Os resultados dos inquéritos realizados aos municípios e às empresas mostram ainda que estas atividades envolvem 44 mil postos de trabalho. No caso da limpeza urbana, a mesma emprega diretamente 12 mil trabalhadores, considerando tanto o setor público como o privado, a que se juntam mais 7.500 postos de trabalho indiretos. O trabalhador médio é homem, tem 48 anos e 7 anos de escolaridade.

O evento de Braga junta mais de 30 oradores até 1 de julho, entre os quais a secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa, que apresentará os novos documentos estratégicos do PNGR 2030 e PERSU 2030.

Garantidas estão também as presenças de Ricardo Rio (presidente da Câmara de Braga), Luís Almeida Capão (presidente da Cascais Ambiente e da ALU), Ricardo Costa (presidente da Associação Empresarial do Minho), Rui Morais (presidente da AGERE), Miguel Castro Neto (subdiretor da NOVA IMS), José Eduardo Martins (partner da Abreu Advogados), Alexandra Carvalho (diretora do Fundo Ambiental), e Paulo Ferrão (presidente do Center for Innovation, Technology and Policy Research do IST), entre outros.

keynote speaker convidado para o evento é o primeiro CTO (Chief Technology Officer) da cidade de Amesterdão, Ger Baron, responsável pela área de inovação da cidade, e também presidente da City Protocol Initiative. Ger Baron foi o responsável pela criação do cluster de TIC de Amesterdão, iniciando vários projetos em parcerias público-privadas, muitos dos quais tiveram como foco o desenvolvimento de Smart Cities.

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