Opinião

Morreu às mãos de um criminoso (Correio do Leitor)

Acabamos de saber da morte do jovem agente da PSP, Fábio Guerra, que foi barbaramente agredido numa discoteca de Lisboa por fuzileiros.

Casos com este já vêm de longe, mas não tão graves, mormente durante a guerra colonial, entre fuzileiros, comandos e paraquedistas, os quais, quando não estavam em serviço, comportavam-se como autênticos loucos na arte da agressão fortuita.

Conto-vos um caso por mim vivido em Bissau. Num pequeno bar, que diziam que a dona era irmã de Amílcar Cabral, entrou um praça e um oficial, ambos fuzileiros. O oficial pediu um uísque e, quando servido, vendo uma melga na parede, não esteve com mais medidas: atirou o copo na direcção do dito bicho.

Vidros pelo ar do copo partido e o líquido a escorrer pela parede. Por fim, o chinfrim instalou-se, numa desordem incontrolada entre os presentes. Eu, que usava óculos, abri a geleira – frigorífico a petróleo – e nela meti as minhas cangalhas.

O fuzileiro saiu de lá com o seu oficial, depois de arrancar a porta do estabelecimento à cabeçada.

Depois de tal refrega gratuita, do bar saí, acompanhado da minha pistola Walter, encoberta na minha roupa à civil, na cinta, junto ao umbigo.

José Amaral (Gaia)

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