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Museu de Ovar festejou 57 anos de vida

Com “retrospectiva” da actividade cultural desenvolvida Para assinalar a passagem do 57.º aniversário do Museu de Ovar, teve lugar no dia 13 uma sessão evocativa do legado desta Instituição e dos seus fundadores, como Manuel Silva, o único sócio fundador ainda vivo, que esteve presente, e como destacaria o Director do Museu de Ovar, Manuel Cleto na abertura da cerimónia, o nome de “José Augusto está sempre presente”, adiantando que, “merece muito mais para se perpetuar o papel determinante que teve na obra, em que hoje nos reunimos para mais um aniversário”.

A exposição que marcou este aniversário arredondou “os últimos 57 meses de cultura no Museu de Ovar”, numa espécie de “retrospectiva” da actividade cultural desenvolvida e promovida com reconhecida dinâmica, resultando numa mostra dos muitos cartazes de arquivo que fizeram recordar a grande diversidade de eventos e iniciativas, como exposições de pintura, cerâmica, escultura, fotografia ou as de caracter literário que têm preenchido a sua oferta cultural.

Perante uma reconfortante moldura humana rodeada de memórias de eventos culturais, que preencheram as paredes da Sala dos Fundadores, numa curadoria simples, mas representativa do reconhecimento dos artistas que passaram pelo Museu de Ovar em mais de meio século da sua consolidação. Manuel Cleto partilhou nesta sessão, alguns dos objectivos para o ano em curso, como a criação de departamentos com vista a dinamizarem áreas específicas, com particular relevo para a fotografia e a cerâmica.

Intercaladas pela intervenção musical do Grupo de Baladas Nostalgia, as palavras de saudação e reconhecimento do trabalho desenvolvido pela direcção do Museu de Ovar e pelo seu director, ou, do trabalho de preservação e catalogação do seu “vasto espólio”, realçando a etnografia, por parte das funcionárias, como lembraria Sara Ferreira que, em representação da União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente de Pereira Jusã, entregou a Manuel Cleto uma lembrança de aniversário. Uma peça cerâmica que surpreendeu os presentes pela sua originalidade, com a forma de um coração decorado por uma réplica da padronagem azulejar na própria fachada da sede do Museu de Ovar.

Manuel Oliveira Dias, presidente da Assembleia Geral do Museu de Ovar, lembrou igualmente a ponte entre os fundadores e as recentes direcções na construção da “realidade que hoje se assinala”, reconhecendo no entanto as
dinâmicas que vêm sendo imprimidas no mandato da actual direcção, que vem tornando esta Instituição “viva”. Mas como também salientou o vice presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, “ainda temos muito para conhecer do Museu de Ovar”, referindo-se ao vasto espólio que foi sendo referenciado nesta sessão evocativa do 57.º aniversário.
Este autarca referiu-se ainda ao Museu como um exemplo, no que diz respeito à capacidade e dinâmicas para realizar as actividades a que se propõe, não se colocando dependente dos apoios para a sua concretização. Como afirmou, “a Câmara Municipal tem sim, que criar condições para o associativismo ser dinâmico”. Domingos Silva na falta da habitual prenda, surpreendeu com uma ideia futurista, para corresponder às antigas ambições de novas instalações para o Museu de Ovar. Numa partilha descomprometida em ambiente de aniversário, adiantou que a ideia de um novo edifício que reúna todos os serviços dispersos da Câmara Municipal, vai sendo tema de
abordagem no Executivo, bem como, num tal cenário, o atual edifício da Câmara poderia acolher em melhores condições o Museu de Ovar e todo o seu espólio.

Com muitos amigos e novos potenciais amigos do Museu de Ovar presentes neste seu 57.º aniversário foi ainda exposta a mais recente peça doada por Alberto Pinto, pescador e redeiro, que através da sua arte produziu uma mostra da rede de arrasto, com o “saco” da pesca da arte xávega. Um momento em que Ana Paula Reis foi convidada a deixar algumas palavras sobre esta arte de pesca, candidata pelo Município de Ovar a Património Cultural Imaterial.

Nesta sessão evocativa ficaram ainda as palavras poéticas de Aurora Gaia, que brindou o momento com a leitura do texto, em que José Saramago, no seu livro “Viagens a Portugal”, escreveu que, “o Museu de Ovar é um tesouro para quem da cultura tenha uma concepção global”.

José Lopes

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