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Museu Júlio Dinis: Uma referência a nível nacional

O Museu Júlio Dinis viveu, no passado sábado, um dia de festa com a realização do III Encontro Dinisiano, 176 anos exactos após o nascimento do escritor (em 14 de novembro de 1839). Museu Júlio DinisJúlio Dinis nasceu e faleceu no Porto, mas isso, diz António França, “não impede que Ovar seja uma referência na sua evolução enquanto homem da literatura, como já está a ser uma referência, a nível nacional, na preservação do legado que ele nos deixou”. Prova disso é o facto de, no passado sábado, o Museu ter recebido um grupo de alunos de uma escola do ensino básico de Gondomar que, segundo o responsável pelo museu, “fez questão de defender o nome do patrono, pois queriam mudar o nome da escola, iniciando o dia no Porto e vindo passar a tarde a Ovar”.

Segundo França, ouviram a palestra e fizeram outras pontes com Júlio Dinis, na cidade”. Falando à margem do encontro dinisiano, o historiador está plenamente convicto de que “Ovar pode ser uma âncora deste património, que tem fortes potencialidades, na área da investigação, da educação e no turismo e, como é óbvio, estes encontros são importantes pois traz até nós pessoas que têm defendido, de forma insistente, este legado e queremos estar a elas ligados”. A tarde começou com a inauguração da exposição “A Mulher no Contexto e Época de Júlio Dinis” que mais não é do que o continuar de um trabalho que vem desde 2012, aproveitando o dia 12 de novembro, para “relevar alguma situação relacionada com Júlio Dinis”, explicando António França que, “este ano, decidimos fazer a inauguração desta exposição, que é uma temática muito especial para Júlio Dinis, porque a mulher tem um papel central nas suas obras e, depois, ao pegar nela, abordá-la não só no contexto do Século XIX, mas também no contexto internacional para o nacional e deste para o local”.

Museu Júlio Dinis1A mostra encerra algumas preciosidades que quem gosta do autor de “A Morgadinha dos Canaviais” não vai querer perder. Peças que o museu ovarense encontrou e resgatou, trazendo-as à luz do dia e que estavam esquecidas, em risco de se perderem. “Este património do Século XIX que estava na propriedade de muitos ovarenses, pode perder-se se não houver uma consciência social no sentido de o salvaguardar”, alerta. “Nem sempre há sensibilidade para o salvaguardar ou delegar em instituições que o saibam preservar”, mas a exposição actualmente patente no museu Júlio Dinis, “há peças que conseguimos trazer a luz, que se não tivessem chegado até nós ter-se- iam perdido para sempre”.

“Esta é uma competência da Câmara Municipal de Ovar que tem feito este trabalho de forma muito estruturada e definida, pois é quem tem que estabelecer relações de confiança com as pessoas que, assim, precisam de saber que, ao deixar este legado a uma determinada instituição, ela o vai preservar, sendo muito importante para a história da localidade que isso aconteça”. Por isso, acrescenta António França, “é que esta exposição, para além de falar da mulher, de Júlio Dinis, fala do nosso património e, através deste trabalho vamos cimentando esta relação. São questões que demoram o seu tempo, mas é com este trabalho que vamos conseguindo, aos poucos, criar estas relações de confiança e proximidade”.

Em Ovar, continua, “temos muita documentação e recolhas de edições raríssimas da obra de Júlio Dinis, que estão preservadas, disponíveis ao público, de forma restrita, na biblioteca dinisiana que temos aqui a funcionar”. França conhece bem esse legado que está salvaguardado, mas sabe que há mais à espera de ser encontrado e preservado, “mas as pessoas têm o direito de o manter em sua casa”. “Temos relações próximas com uma série de familiares descendentes, não só de Júlio Dinis, como de João Silveira, que já nos têm vindo cá deixar várias peças”.

Por via desta relação, quer por Júlio Dinis, quer por pessoas e personagens com quem ele conviveram nessa época. Esse trabalho está em construção e só foi possível iniciar-se com a abertura desta estrutura e pela organização destes momentos que permitem o estabelecimento destas pontes. “Às vezes, pode ter-se uma determinada peça em casa, que já lá está há cinco, seis gerações, e a geração que a recebe acaba por não dar o devido valor e faz todo o sentido que essa peça seja depositada numa instituição que a preserve que a faça brilhar e permita depois dar esse mimo à população”. “A Câmara Municipal de Ovar está a apostar nesta vertente”.

“É importante que as pessoas venham ao museu, a entrada é gratuita até 6 de fevereiro”, convida. Até lá, adianta, “vamos ter 3 momentos muito importantes, com o lançamento da revista Dunas, a projecção de um filme e um concerto de música que vai buscar influências do Século XIX e ao Oriente, numa programação que procura ser eclética, pois queremos que cá venha todo o tipo de público, sem ser elitistas, mas também sem ser populistas”. “É um momento importante para Ovar que está a afirmar-se como um espaço de cultura, que defende a tradição com modernidade”, concluiu.

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