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Na falta de pão, comam bolos, dizem rainhas à francesa

O Carnaval de Ovar saiu à rua com cerca de 2000 figurantes, entre os quais “As Barulhentas”, que, personificando com trajes requintados a rainha francesa Maria Antonieta, recomendaram ao povo que, “se não tem pão, coma bolos”.

Susana Pinho é um dos elementos do grupo cujo guarda-roupa foi criado “pela dona Cila e pela Ângela que é Rainha do Carnaval” e explicou à Lusa que o tema escolhido para o desfile deste ano “é uma sátira sobre aqueles que estão na nobreza a empanturrar-se de coisas boas e não veem que o povo anda a passar fome”.

Questionada sobre eventuais semelhanças com a realidade nacional da actualidade, a “Barulhenta” respondeu com ar de comprometida: “Prefiro não comentar. O que interessa é que este ano é para sermos nós a ganhar isto tudo”.

Ainda assim, “Os Zuzucas” não desistiram da pesca. Vestiam fatos de mergulho, andavam à procura de “bichas” para isco e, se na terça-feira se não ganharem o título, querem pelo menos “pescar uma sereia”, esclareceu Vítor “Drejo” Guedes.

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Já entre “Os Marroquinos”, alguns dos figurantes eram eles próprios sereias de curvas acentuadas: homens vestiram-se de mães de família, rapazes encarnaram filhos catraios e, dentro das alcofas com rodas, seguiam bebés barulhentos a quem eram preciso mudar a fralda no preciso momento em que, do meio das suas perninhas de pelúcia, saía um esguicho de água para molhar os espectadores.

“É por coisas destas que a gente gosta deste Carnaval”, declarou Fernando Pacheco, que há 10 anos vem de Bitarães, em Paredes, para assistir ao corso vareiro.

Desta vez, levou consigo mais 11 pessoas e entre essas inclui-se a irmã, Belandina, que se encarregou do farnel e aproveitava a respetiva geladeira azul como banco. “Trouxemos frango, polvo, pimentos e, até ao fim do desfile, isto come-se tudo”, prometeu.
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Petiscos diferentes foram os que se serviram nos oito camarotes para empresas que a organização instalou este ano, pela primeira vez, na Avenida Sá Carneiro – ao lado das bancadas que também viram aumentado o seu número de filas e passaram a ocupar apenas uma das bermas da estrada.

“Só falta aqui é um garrafão de caipirinha”, insistia um dos convidados para o camarote da empresa Caçarola, Carlos Pinho, por trás dos seus óculos e bigodaça postiça, entre colares de serpentinas.

A boa disposição do empresário era evidente e, para Delmar Marques, diretor comercial da marca de arroz de Oliveira de Azeméis, “o objetivo era mesmo esse”. A firma investiu 2500 euros no camarote e, com 40 lugares para o corso de hoje e o de terça-feira, o critério foi convidar para a folia clientes, fornecedores e colaboradores da casa, de localidades como Amarante, Santo Tirso, Guimarães, etc.

“Os meus patrões viveram muito o Carnaval na juventude e agora querem manter a tradição”, explicou Delmar Marques. “O investimento vai valer a pena porque, se os convidados saírem daqui satisfeitos, os negócios vão ser mais fáceis”, justificou.

Já a empresa de cartonagem vareira Saico preferiu agradar aos próprios funcionários. “Temos cerca de 230 e fizemos um sorteio entre todos para decidir quem viria para o camarote”, contou Sílvia Lourenço, diretora de qualidade da firma. “Acho que foi uma boa surpresa para eles”, acrescentou.
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Alexandre Rosas, o vereador da Câmara que coordena a organização do Carnaval, admitiu que a procura pelos novos camarotes é uma das razões pelas quais a edição deste ano “está a superar todas as expectativas”.

Para Salvador Malheiro, presidente da autarquia, esse foi, aliás, o objectivo das mudanças efetuadas este ano ao nível das infraestruturas e da programação do evento: “Dar um salto muito grande e, em termos económico-financeiros, fazer com que o Carnaval se pague a si próprio e possa gerar recitas para a Câmara”.

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