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Novas valências abrem na Escola de Artes e Ofícios

 

A Escola de Artes e Ofícios de Ovar inaugura na sexta-feira o Espaço Lúdico do Azulejo, “provável estreia” nacional no contexto da pedagogia azulejar, e a exposição “Cordoaria 1.7”, a primeira de sete grandes mostras relativas aos saberes locais.

A referida escola é gerida pela autarquia vareira, cujo vereador da Cultura, Alexandre Rosas, declarou que em causa estão “dois momentos que serão marcantes na programação cultural do concelho e que assinalaram a sua nova dinâmica a esse nível”.

No primeiro caso, o Espaço Lúdico do Azulejo abre ao público às 18:00 de sexta-feira e constituirá “uma provável estreia no país, uma vez que, daquilo que se conhece, ainda não haverá nenhum serviço que esteja assim vocacionado para promover esse material junto da população infantil”.

“Esta será talvez a primeira sala do país que se dedica ao azulejo desta forma”, reforça Alexandre Rosas.

O vereador realça que em causa está o património típico de Ovar e, por essa razão, defende que “é preciso deixar que as crianças o conheçam e sintam o seu valor, para o saberem preservar no futuro”.

Para a concretização desse objetivo, a nova valência da Escola de Artes e Ofícios propõe assim uma oferta lúdico-pedagógica que aborda a cultura azulejar através de “conteúdos na área da Matemática, da Geografia e do Desenho”.

Já no que se refere a “Cordoaria 1.7”, o autarca revela que essa “é a primeira de sete grandes exposições que Ovar vai receber sobre as suas sete artes tradicionais” – numa programação que, além dessa mostra sobre o fabrico de cordas, inclui também as relativas à tanoaria, sacaria, arte xávega, olaria, tamancaria e tecelagem.

“Arrancamos com a cordoaria porque, no fundo, é a arte mais relevante no concelho e a que, ao longo do tempo, de melhor forma foi evoluindo, até se afirmar como uma indústria moderna e desenvolvida”, explica Alexandre Rosas.

Nessa perspetiva, a exposição que fica disponível ao público às 18:00 de sábado dará a conhecer a história da cordoaria ao longo dos tempos, de acordo com uma visão não apenas regional, mas alargada também ao contexto do país e internacional.

“Vamos acompanhar a evolução desde a data do primeiro registo de cordas até à sua industrialização a nível mundial”, anuncia o vereador. “Queremos mostrar como, a partir de um processo artesanal, se pode evoluir para um setor industrial com uma forte componente tecnológica e de inovação, com grande potencial económico e dimensão internacional”, conclui.

Segundo informação da autarquia, “a invenção da corda foi uma das ideias mais engenhosas da história da Humanidade, conseguindo transformar pequenos fragmentos de fibra num longo e forte elemento, essencial para diferentes atividades, desde a tração animal ao sistema de alavanca, à construção e à navegação, o que em muito serviu para a evolução tecnológica ao longo dos séculos”.

Com especial incidência nas freguesias de Cortegaça e Esmoriz, a cordoaria é uma das artes com maior tradição em Ovar, devido á procura para a lavoura e as artes do mar, sendo que, até meados do século XX, parte da produção foi assegurada por mulheres e crianças que, nas respetivas casas, recebiam a matéria-prima de cordoeiros e comerciantes.

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