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O Douro como paisagem inspiradora

A pintora e escritora Mónica Baldaque, filha da escritora Agustina Bessa-Luís, esteve na última sexta-feira em mais um “À Palavra”, no Museu de Ovar, para falar de literatura e da sua obra “Vinte anos na província”, um livro de contos editado em 2013, em que fala das famílias tradicionais do Douro.

Região que inevitavelmente marcaria esta sessão moderada por Carlos Nuno Granja, tratando-se da região em que a autora nasceu a 13 de Maio de 1946, Peso da Régua. Apesar de um maior número de livros editados a que se assiste actualmente, como lembrou Carlos Granja, a escritora convidada, começou por assumir o desgosto da “transformação do livro”, afirmando que “os livros hoje já não cheiram a nada”, “o livro já não diz muito aos jovens”.

Independentemente do futuro da literatura, Mónica Baldaque falou da sua infância e das redacções na escola que cedo começou a escrever, despertando assim para a escrita e pintura inspiradas pela paisagem no Douro, que agora lamenta: “o Vale da Régua que era famoso, está destruído por urbanização agressiva à paisagem, que contrasta com os socalcos das vinhas”.

Esta vivência na província, no Douro, marcou a escrita e a pintura desta artista, mas sobretudo a sua infância, uma vez que a sua mãe, a escritora Agustina Bessa-Luís, “sempre encarou a escrita como uma profissão, por isso a filha era entregue aos avós que viviam no Douro” recordou.

Uma “história trágica de um vizinho que se atirou ao rio” e que a escritora ao visitar a casa, encontrou “tudo tal e qual o dia em que ele saiu de casa”, reconhecendo que, “foi com essa carga emocional e fantasmagórica que escrevi o livro”, referindo-se à obra “Vinte anos na província”.

Ex-directora de museus na cidade do Porto a exemplo do Museu de Literatura ou Museu Soares dos Reis, Mónica Baldaque ficou surpreendida com a profundidade dos laços históricos que unem Ovar e Régua.

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