Opinião

O momento exige um Congresso – Raul Almeida

É uma evidência que o Francisco Rodrigues dos Santos teve a sua vida infernizada por destacados Deputados do CDS desde o minuto em que foi eleito Presidente do CDS.

Independentemente da eficácia mediática que possa permitir uma percepção distinta dos factos, foi isto que se passou. Ainda agora, a dramatização feita à volta do anúncio da saída de alguns Deputados é manifestamente exacerbada e ridícula; parece que da história do CDS não constam Deputados como Amaro da Costa, Freitas do Amaral, Adriano Moreira, António Lobo Xavier, Basilio Horta, Narana Coissoró, Nogueira de Brito, Maria José Nogueira Pinto, Luis Nobre Guedes, Manuel Monteiro, Paulo Portas…

Não consta que o partido tenha fechado as portas a cada saída destas realmente marcantes figuras do parlamentarismo português. Tudo o resto é falta de modéstia, de noção e um insulto à história.

Também é uma evidência que os métodos que o Francisco Rodrigues dos Santos está a usar, já foram usados por outros, por muitos dos que hoje o acusam. Basta recordar a guerra que foi feita durante as últimas autarquicas ao presidente do CDS em alguns bastiões da oposição.

Sob a presidência do Francisco Rodrigues dos Santos, o CDS chegou ao poder na Madeira, nos Açores e fez umas autarquicas manifestamente bem geridas e sucedidas. Tendo recebido o partido falido e já depauperado nas sondagens, conseguiu resistir nas eleições que enfrentou. É legítimo que tivesse a expectativa de dirigir o partido nas próximas legislativas, concluindo um ciclo eleitoral.

Dispenso-me de enunciar aqui a incoerência de Francisco Rodrigues dos Santos e de Nuno Melo sobre as alterações da data do Congresso do CDS. Essa questão foi ultrapassada pelos acontecimentos.
Marcadas as próximas eleições pelo Presidente da República, resulta claríssimo que o CDS teria todas as condições logísticas e temporais para realizar o seu Congresso. Mais, teria o imperativo político de fazê-lo.

Há a questão formal, revestida de particular gravidade, de o CDS ir a votos com um presidente e uma direcção com mandato prescrito. Mas, para mim, há pior. Há um entrincheiramento obstinado e taticista, onde deveria haver coragem e liberdade democrática. Sempre vi o Congresso como uma oportunidade de afirmação e relançamento do CDS para o novo acto eleitoral. Nunca me assustei com disputas eleitorais, ganhar e perder faz parte da vida. Não posso conceber o CDS a apresentar-se eleitoralmente a um país que claramente duvida da legitimidade daqueles que o representam.

As decisões do PSD no último fim de semana expõem de forma particularmente grave esta chaga do CDS, e não vale a pena fingir o contrário.

Não é pela falta de legitimidade de muitos que o acusam, que Francisco Rodrigues dos Santos fica isento de fazer o que é correcto. Não é por ser assediado e mal tratado que lhe é perdoável o erro. A sua obrigação não é de lealdade ou confronto a facções, eminências pardas ou diferentes jogos de bastidores. A sua primeira e última obrigação é com o CDS e com o seu papel na Democracia Portuguesa, e só a cumprirá se estiver à altura da exigência do momento, e o momento exige um Congresso.

Raul Almeida

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