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Oportunidade rara para olhar a obra de João Pedro Coutinho

João Pedro Coutinho é avesso a mediatismos, exposições públicas e cerimónias formais mesmo que fugazes. A garagem da casa onde vive nunca viu um carro, porque está atulhada de quadros que, além de círculos próximos de amigos, pouca gente viu.

A exposição que assina na Casa da Praça é também surpreendente por ser a primeira. “Sempre pintei. Desde pequeno. Também faço fotografia, mas nunca expus antes, porque nem sempre achei que estavam reunidas as condições para isso acontecer e, em outras ocasiões, havia condições mas era eu que não tinha apetite”, justifica.

A Casa da Praça foi o local escolhido e “só podia ser aqui”. “Porque acho que a casa valoriza os trabalhos (e a inversa também é verdadeira) e penso que resulta por causa desta conjugação das partes prontas e não prontas”.

“Para mim, é um pouco doroloso expor-me, assim, desta forma”, explica. No entanto, desta vez, as condições apresentaram-se, “eu estava para aqui virado e aconteceu”. Mas teve que ser na hora, não pôde ser programado com muita antecedência. “Foi tipo: Podes? Posso. Então daqui a 15 dias. Já está. E fomos para a frente”.

Difícil foi seleccionar os trabalhos para trazer a esta exposição, porque João Pedro Coutinho tem imensos quadros em casa. Os que estão à vista na “Garatujas”, na Casa da Praça, no centro da cidade, ficam patentes só durante quatro dias. Portanto, quem viu, viu, quem não viu… “Não sei se tenho planos para fazer mais exposições. Vamos ver”, avisa.

João Pedro Coutinho desvenda um pouco do seu impulso criador: “Eu não me preocupo nada com os trabalhos, apenas com o que quero lá pôr. Não me interesso se é bonito ou feio, preto, branco ou vermelho. Ponho tudo cá para fora naqueles momentos. Deixo lá tudo e puxa muito por mim”.

O acto de criar é sair de si, observar-se de fora. No fundo é essa visão que João Pedro Coutinho partilha. É algo íntimo. E doloroso, não pode durar muito tempo. “Já vendi alguns quadros e não estava à espera. É estranho. Dei por mim a pensar dizer a algumas pessoas para não comprarem. Vai-me custar muito vê-los partir”. (Fotos: José Lopes)

A ver ainda:

dia 24.10.2015: 17h – 22 horas

dia 25.10.2015: 16h – 20 horas

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