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Ordem dos Engenheiros pede plano estruturado para evitar estragos na costa como no último inverno

O bastonário da Ordem dos Engenheiros afirmou hoje que é necessário «um plano estruturado para garantir que as zonas da costa portuguesa com maior risco de erosão sejam protegidas com antecipação», evitando estragos como os do último inverno.

Carlos Matias Ramos disse à agência Lusa que, após os danos na costa portuguesa, devido ao mau tempo do inverno passado, «fizeram-se apenas intervenções de remedeios, não intervenções profundas com base num plano estruturado para garantir que as zonas de maior risco pudessem ser protegidas com antecipação».

«Não conheço nenhum plano estratégico de intervenção […], dai a minha dúvida e a minha quase certeza de que vamos ter a mesma situação que o inverno passado», considerou o bastonário da Ordem dos Engenheiros.

Para o engenheiro, é importante «um reforço das intervenções na zona costeira, no sentido de garantir que as soluções não sejam remedeios» e que «não se cometam os mesmos erros que no passado, mas sim soluções que sejam adaptadas em todo o país com base na experiência».

«O diagnóstico [à costa portuguesa] está feito, as soluções é que ainda há dúvidas sobre elas (…). Temos que ter consciência que a partir do diagnóstico, temos que arranjar soluções e, neste momento, estamos a atrasar essas soluções, por forma a garantir que construamos um país onde não esteja a perder constantemente território», alertou.

De acordo com o bastonário Ordem dos Engenheiros, «o país tem capacidade técnica e engenharia disponível para ser utilizada» nas intervenções necessárias ao litoral.

«Temos consciência que há falta de dinheiro no país, mas façamos aquilo que se deve fazer e não adiemos para amanhã o que se pode fazer hoje […]. O papel do ordenamento do território é determinante para que este processo seja bem enquadrado e eficaz», reforçou.

Carlos Matias Ramos falou à agência Lusa após o encerramento do ciclo de conferências sobre o litoral português, organizado pela Ordem dos Engenheiros, em Lisboa, onde foi debatido o tema “A engenharia costeira portuguesa e a defesa do litoral”, contado com a presença dos autarcas dos municípios de Almada e de Aveiro.

Segundo José Ribau Esteves, presidente da CIRA, este ano verificaram-se «problemas novos na praia da Barra, em Ílhavo, na praia do Furadouro, em Ovar, na praia da Vagueira, em Vagos».

«É crucial que com as boas lições que fomos tendo deste passado recente, possamos dar novas respostas aos problemas do território. Temos que ter investimento para defender a frente costeira, usando os fundos comunitários como instrumento de financiamento», defendeu.

Lusa

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