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Ovar deixou de ter farmácias de serviço 24 horas por dia

Desde o passado dia um de Junho que Ovar deixou de ter farmácias de serviço abertas 24 horas por dia, na sequência de um acordo estabelecido entre as cinco farmácias vareiras, o Infarmed e a Associação Nacional de Farmácias (ANF).

Até aqui, as farmácias abriam de manhã até às 19 horas e depois ficava uma de serviço nocturno. Agora, a farmácia de serviço faz atendimento apenas até à meia-noite e depois disso o utente terá de ligar o número 1400, onde será informado do procedimento a tomar, que pode passar por se deslocar a uma farmácia de serviço num concelho vizinho.

A medida não tem a ver com a pandemia de covid-19 e é tomada, para já, num prazo de seis meses e depois será reavaliada. Além da fraca procura do serviço, outro dos motivos que levou à tomada de decisão é a ausência de um serviço de urgência a funcionar durante 24 horas no Hospital dr. Francisco Zagalo e até mesmo a consulta aberta do Centro de Saúde de Ovar nem sempre está disponível.

Vem a informação a propósito de um utente que, esta madrugada, se terá deslocado (e telefonado) à Farmácia Lamy que estaria de serviço e, para sua surpresa, a encontrou encerrada. A responsável da Farmácia Lamy, Cátia Veiga, confirma que “houve um utente que nos ligou, cerca das 3 horas da madrugada, a quem já devolvemos a chamada”, esclarecendo que “a farmácia de serviço (até à meia-noite) não éramos nós e seria antes a Farmácia Central”. Neste caso, aquela farmácia também estaria encerrada e “a solução era ligar para o número 1400”, acrescenta a responsável que alerta que esta situação está a ser adoptada em vários municípios do país.

Maria José Coelho é directora técnica da Farmácia Central e, embora reconhecendo à agência Lusa o carácter experimental da medida, adianta que a mudança vigorará até final de novembro, sendo que, até lá, se mantém a habitual escala de serviço indicando que estabelecimento funciona até às 24:00 e, a partir desse horário, a alternativa é contactar a linha telefónica com o número 1.400 – disponibilizada pela Associação Nacional de Farmácias para indicar a disponibilidade geográfica dos medicamentos em ‘stock’.

Para a decisão colectiva das cinco farmácias também contribuiu a perda de valências do Hospital Francisco Zagalo. “No verão do ano passado a Consulta Aberta ainda funcionava até à meia-noite, por Ovar ter muita gente que cá vinha passar férias, mas este ano nem isso”, referiu Maria José Coelho, notando que esse serviço foi, entretanto, transferido para o Centro de Saúde e acabou por ser encerrado em março.

Feitas as contas, a directora da Farmácia Central considera que abrir a farmácia durante a madrugada é uma prática de má gestão que tem de ser eliminada: “As pessoas não gostam que estejamos fechados, mas, se pensarem bem, vêm que temos razão. Não se justifica estar aqui um técnico ou farmacêutico toda a noite para garantir um serviço que não tem rentabilidade – e até dá é prejuízo, porque fica caro, sem motivar qualquer contrapartida”.

*Actualizada às 19.35 horas.

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