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“Ovar, tantos comboios a passar”

... mas há alguns que são especiais.

Estavam abandonadas, mas vão voltar aos carris: a CP já recuperou metade das locomotivas eléctricas 2600 que estavam encostadas. No passado dia 10, quatro fizeram a viagem do Entroncamento para o “hospital” em Campanhã, no Porto. Foi uma oportunidade para os “trainspotters” se posicionarem na Linha do Norte. Em Ovar, as quatro locomotivas passaram às 18h53 e, apesar de ser praticamente de noite, muitos deram pela sua passagem.

Recuperar um equipamento destes demora, em média, três meses e custa 55 mil euros.

Com a aposta na ferrovia e o aumento da electrificação da via férrea, as velhas máquinas estão a voltar ao serviço.

As locomotivas 2600 nascem em 1974 da vontade da CP de reforçar o seu parque eléctrico com locomotivas capazes de aumentar a velocidade comercial dos comboios de passageiros, e de rebocar cargas maiores nos comboios de mercadorias.

Capazes de atingir velocidades de 160 km/h, que só atingirão em serviço comercial com a chegada das carruagens Corail em 1985, as 2600 permitiram aumentar a velocidade dos principais comboios da linha do Norte para 140 km/h, ao invés dos 120 km/h praticados anteriormente. Ao mesmo tempo, foram capazes de rebocar comboios de mercadorias mais pesados que as séries mais antigas, devido a um sistema de birredução mecânica instalada nos bogies, que permite limitar a velocidade da locomotiva, ganhando em esforço de tracção.

Em 1985 inauguram o serviço Alfa Lisboa – Porto, com as carruagens Corail, inaugurando também a operação comercial a 160 km/h em Portugal. Com a chegada das 2620, que em nada alteram as rotações das 2600, o serviço intensifica-se na linha do Norte. Mais tarde, as 2600 sofrem a concorrência das 5600 nos serviços de passageiros e são afastadas por completo dos serviços de mercadorias. A abertura da linha da Beira Alta oferece-lhes um novo, e difícil, terreno a explorar, onde atacam em força desde 1998.

Em 2004 passam a ir a Faro, sempre na tracção de comboios rápidos de passageiros traçados a 160 km/h em serviço comercial. Para além destes comboios, as 2600 coleccionaram ao longo dos anos troféus como a tracção do Sud Expresso, do Lusitânia Lisboa – Madrid e até mesmo do famoso “Miragaia” que ligava Gaia a Lisboa em 3 horas certas, um tempo muito próximo do que é actualmente praticado pelos comboios pendulares.

Com a concorrência dos pendulares, as 2600 reduzem as prestações nas linhas do Norte, e investem mais nas Beiras e na linha do Sul. Espera-se que sejam em breve dedicadas aos comboios de mercadorias, deixando as locomotivas 5600, mais recentes, para os mais rápidos e importantes comboios de passageiros. A fiabilidade extrema e os serviços espectaculares que prestaram e prestam à CP, valem-lhes o título de locomotivas mais representativas do parque motor eléctrico, e valer-lhes-á certamente uma longa carreira daqui para a frente. Modernizadas de 2004 a 2006, estas locomotivas oferecem ainda hoje boas condições de conforto e de condução para os maquinistas.

“As Locomotivas Alsthom 2600 da CP” é também um livro de João Cunha dedicado às locomotivas eléctricas 2600 da CP, cujos lucros são 100% destinados aos projectos de preservação da Associação Portuguesa dos Amigos de Ferro.

Neste livro é contada a história completa das vinte e uma locomotivas Alsthom, fornecidas por intermédio do Groupement 50 Hz, que circulam em Portugal desde 1974 e que se tornaram numa das imagens mais icónicas da rede nacional. Ao longo de 400 páginas, o livro relata com pormenor as origens, concepção, história e características das locomotivas, recorrendo a um arsenal interminável de fotografias e documentação diversa.

O livro resulta de uma investigação de vários anos do autor, e conta com a colaboração essencial dos arquivos da CP para ir ao detalhe. É a maior compilação de sempre sobre material motor português, rivalizando com alguns dos mais importantes livros sobre esta matéria publicados na Europa.

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