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Palcos Cruzados mostra património cultural serrano

O Museu de Ovar inaugurou a exposição Palcos Cruzados no Museu de Ovar, no dia 20 de junho, um certame organizado pela Associação D’Artes Palcos Cruzados, de Cepelos, Vale de Cambra, que desta forma colectiva promove diferentes tipos de arte, como pinturas e esculturas de artistas seus associados que podem ser apreciados até ao dia 11 de julho.

Foi uma agradável surpresa, não só por não seguir o habitual protocolo destes eventos culturais no Museu de Ovar, mas pelo cruzamento de expressões artísticas, como representação teatral e actuação musical, que marcaram mais um momento na versátil programação da oferta cultural da instituição que reuniu em Ovar expressões artísticas do património cultural serrano.

A sessão teve a representação da peça “As viuvinhas”, do autor brasileiro, Douglar Leite, dirigida por Clarisse Costa, tendo como cenários as próprias obras de arte da exposição Palcos Cruzados que se dividiam pelas duas salas contemplando irresistíveis paisagens do litoral e suas gentes ligadas à faina da pesca. Sem autarcas presentes para receberem a delegação cultural da freguesia de Cepelos, terras de xisto que se situa na margem esquerda do Rio Caima, “na encosta da Serra da Freita”, a directora da associação, Maria da Glória, fadista e uma das artistas plásticas ao referir-se às actividades desenvolvidas pela Associação Palcos Cruzados, que este ano apostaram em descer a serra até terras de mar, varinas e pescadores, para a sua habitual exposição de arte anual que contou com quase duas dezenas de trabalhos.

Não menos surpreendido, pela espontaneidade, entusiasmo e simplicidade de uma comunidade tão dedicada na divulgação de diferentes expressões artisticas, o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, afirmou mesmo, “ultrapassaram tudo o que estavamos à espera”. Na verdade, nova surpresa esperava os presentes a quem foi proporcionado um animado convívio com o momento musical abrilhantado pela Orquestra S. João Baptista de Cepelos, que acompanha habitualmente os actos públicos da Associação Cultural. As músicas e canções que incluíram temas etnográficos característicos, como “Arregaço”, “Malheio”, “Senhor da Serra” ou “Senhora da Saúde” em que se destaca a voz da fadista Maria da Glória, ainda estimularam um pézinho de dança.

Palcos Cruzados foi uma exposição verdadeiramente diferente.

José Lopes

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