Política

Partido “Os Verdes” exige despoluição da Barrinha de Esmoriz

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) exigiu do Governo a despoluição das linhas de água que constituem a bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz, em Ovar, por estar em risco a relevante biodiversidade ornitológica dessa área.

A posição surgiu hoje em comunicado, cerca de um mês depois de a mesma estrutura política ter apelado ao Estado para que pusesse fim às descargas poluentes de unidades de produção de papel de Santa Maria da Feira que afetam esta massa de água do concelho de Ovar e ainda a Lagoa de Paramos, no concelho de Espinho.

“Urge despoluir as linhas de água que integram a bacia hidrográfica da Barrinha de Esmoriz e Lagoa de Paramos, para preservar esta área de grande valor ecológico pela sua biodiversidade e importância ao nível ornitológico”, defende agora o partido.

O PEV reconhece que a área beneficiou da requalificação iniciada em 2016 pela sociedade Polis Litoral Ria de Aveiro, com base num projeto orçado em três milhões de euros e cujos trabalhos de dragagem ainda estão a decorrer, mas defende que a intervenção “não tem sido acompanhada da resolução dos focos de poluição a montante”.

“As ribeiras que desaguam na laguna – a de Rio Maior, em Santa Maria da Feira, e a Vala da Maceda, em Ovar – são o seu principal problema ambiental pela carga poluente que aí é rejeitada”, explica o comunicado do partido.

“Apesar dos mais de 28 milhões de euros de fundos comunitários gastos em infraestruturas no sistema de drenagem em alta da bacia de Rio Maior e de Beire, que encaminham as águas residuais para a ETAR de Espinho, continuam a ser rejeitados efluentes domésticos, pois, apesar de se desconhecerem os números oficiais, sabe-se que inúmeras habitações não estão ligadas à rede de saneamento”, realça o documento.

O PEV nota ainda que, “apesar de a ligação à rede de água e saneamento neste momento ser gratuita no município da Feira”, a concessionária local “Indaqua não tem cumprido com a sua obrigação fiscalizadora e promotora das referidas ligações”.

Para o partido ecologista, “a requalificação ambiental da Barrinha só será efetivamente eficaz se forem tomadas medidas para, de uma vez por todas, se travar o seu principal problema ambiental, que está identificado há tempo e se prende com a poluição difusa – sobretudo com as descargas de efluentes das indústrias papeleiras na ribeira de Rio Maior”.

A Barrinha de Esmoriz, que confina com a Lagoa de Paramos, é uma lagoa costeira de média dimensão que apresenta bancos de lodo e uma cintura consolidada de vegetação ripícola, comunicando com o Atlântico através de um canal.

Classificada como “Zona Importante para as Aves”, a área ocupa 396 hectares, dos quais 177 estão sob tutela administrativa da região Centro e 219 da região Norte.

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