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Peça com Rui M Silva contestada em Itália

"Catarina e a beleza de matar fascistas”

O título da peça de Tiago Rodrigues, com Rui M Silva no elenco, provocou polémica na capital italiana, onde o espectáculo se apresentou ontem, última vez, no Teatro Argentina.

O deputado do partido nacionalista conservador Irmãos de Itália (Fratelli d’Italia), Federico Mollicone, apelou ao presidente da Câmara de Roma, Roberto Gualteri, e ao seu conselheiro cultural, Michele Gotor, para que o espectáculo fosse retirado da programação do Teatro Argentina.

“Considero inadequado que uma obra teatral, para lá do tema tratado, lance a questão de saber se é ou não justo matar um ser humano com base nas suas convicções ideológicas”, argumentou Mollicone, sublinhando que o clima de guerra que a invasão da Ucrânia fez regressar à Europa torna especialmente inoportuno o título da peça do encenador português e actual director do Festival de Avignon.

De dia 22 a dia 24, a peça “Catarina e a beleza de matar fascistas” regressará a Portugal, sendo apresentada na Casa da Cultura de Ílhavo, voltando a Itália, nos dias 28 e 29, para representações no Teatro Storchi – Emília Romagna Teatro Fondazione, em Modena, de acordo com os ‘sites’ do D. Maria II e do Teatro Storchi.

A 7 de maio, “Catarina e a beleza de matar fascistas” subirá ao palco do Cine Teatro Louletano (Loulé) e, de 25 de junho a 2 de julho, estará no Teatro Nacional S. João, no Porto. De 6 a 10 de julho, a peça regressa ao palco da Sala Garrett, em Lisboa, com espetáculos já quase esgotados.

No D. Maria II, e de acordo com o site do teatro, o evento é organizado no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França 2022.

Com texto publicado em francês, a peça fala de uma família que tem por tradição matar fascistas.

Numa casa de campo, no sul de Portugal, os seus elementos reúnem-se para que o seu elemento mais jovem, Catarina, possa iniciar-se no ritual, matando o primeiro fascista que fora raptado de propósito.

No dia previsto, precipita-se um conflito familiar, pois Catarina revela-se incapaz de matar, recusando-se a ser iniciada no ritual.

“Catarina e a beleza de matar fascistas” ficciona aquilo que poderá ser Portugal em 2028, governado pela extrema-direita, como a ação deixa depreender.

A peça termina mesmo com um longo discurso de um membro de um partido então no poder, oito anos antes tinha apenas um deputado, mas que, entretanto, consegue chegar aos 117, alcançando maioria absoluta. Um partido que fala numa nova República, numa nova Constituição e em mais de meio século de um país “governado por bandidos” e que, já no poder, passa a criticar “as minorias que não respeitam as maiorias”.

“É uma peça que nos coloca num contexto imaginário, ficcionado, para pensarmos sobre as nossas vidas e sobre o que poderá ser o futuro se não tivermos cuidado e não refletirmos e agirmos no presente”, referiu Tiago Rodrigues à Lusa, quando da estreia em Guimarães.

Com texto e encenação Tiago Rodrigues, “Catarina e a beleza de matar fascistas” conta agora com interpretações de António Fonseca, Beatriz Maia, Carolina Passos-Sousa, Isabel Abreu, Marco Mendonça, Pedro Gil, Romeu Costa, Rui M. Silva, como indica o ‘site’ do teatro.

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