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As mazelas e marcas de negligência no corpo de Bart, um cão pastor alemão resgatado do abrigo da freguesia de Agrela, em Santo Tirso – atingido no verão passado por um incêndio que matou 73 animais – já desapareceram e a recuperação foi total.

Ele foi um dos 21 animais resgatados pela MARAnimais – Movimento de Apoio e Reinserção de Animais, numa operação que Joana Sá classifica de “muito complicada”. “Quando soubemos o que se estava a passar, não tivemos mãos a medir e fomos lá ajudar”. “Comprometemo-nos a receber 21 animais e desses, 12 vieram logo aqui para o abrigo mas seis ficaram internados em vários hospitais veterinários e não puderam vir logo, enquanto que um acabou por falacer por ter sofrido graves ferimentos”, recorda. Entretanto, já foram adoptados alguns, mas mais de metade ainda ali continua.

“O certo é que depois desse acontecimento, ganhamos outra visibilidade e muitas pessoas vieram oferecer-nos donativos, mas foi um bocadinho naquela altura e depois caiu no esquecimento”, refere a responsável.

A MARAnimais, com sede em Cortegaça e instalações em Esmoriz, tem ao seu cuidado 85 cães e 30 gatos. Com muitos animais em famílias de adopção, o abrigo tem condições precárias e mais de 60 animais alojados, a associação lançou um ‘crowdfunding” para melhorar as condições higieno-sanitárias e proceder ao licenciamento do abrigo.

“O nosso trabalho centra-se no combate ao abandono, da denúncia de maus tratos, campanhas de esterilização e promoção de adopção responsável, sensibilizar para esterilização, promovendo protocolos com clínicas a baixo custo, bastando às pessoas virem ter connosco para marcarmos tudo”, explica Joana Sá, presidente da MARanimais. O principal problema, segundo a dirigente, “é que temos uma lotação limitada, estamos sempre cheios e há muitos animais a precisar constantemente de ajuda e não conseguimos dar resposta a todas as solicitações”.

Fundada em 2007, a MARAnimais é uma associação sem fins lucrativos, composta exclusivamente por voluntários, que se dedica à intervenção junto de animais em situações de risco.
Mas a vida da MARanimais está cada vez mais difícil, apesar de contar de há três anos para cá com um apoio de três mil Euros anuais da Câmara Municipal de Ovar, além das cotas de sócios, “que não é muito mas ajuda”. Todavia, são os donativos de pessoas particulares que sustentam as instalações, porque “vamos divulgando as despesas que temos com veterinários e não só nas redes sociais, as pessoas vêem e ajudam. É a nossa principal fonte de receita”, revela Joana Sá que tem o sonho de, um dia, conseguir contratar um funcionário “nem que fosse em part-time, pois somos todos voluntários e é muito difícil conciliar”.

Neste momento, de acordo com a campanha agora criada na GoFundMe, numa primeira fase, o objectivo é vedar uma área de 1.500 m2, dotando-a das necessárias infraestruturas eléctricas e de rede de águas e esgotos, construindo três novas alas com 17 boxes pré-fabricadas com capacidade para abrigar 3 a 5 cães cada.

A presidente da MARAnimais adianta que a obra, que tem um orçamento estimado em 75 mil euros, pode arrancar dentro de 15 dias e vai ter a ajuda do Regimento de Infantaria de Paramos que vai proceder à movimentação de terras numa área bastante inclinada. Outros apoios chegam do arquitecto Mário Manaia na elaboração do projecto e ainda de vários engenheiros que ajudam a título de voluntariado.
A primeira fase tem um prazo de execução que deve prolongar-se até março de 2021 e, no final, “não temos a ambição de ter 200 animais, prefiro ter 70, mas com um treinador, veterinário, um funcionário e dar todas as condições aos animais, num espaço de qualidade, no qual possamos realizar uma avaliação comportamental de cada animal para se saber como o animal se comporta”.

Para ajudar: Aqui e aqui.

Texto: Luís Ventura

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