Carnaval

“Percurso sinuoso precisa de ser repensado”- Pedro Mendes

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Fomos falar com Pedro Mendes, presidente da Associação do Carnaval de Estarreja, que organiza a folia na cidade de vizinha.

Os preparativos para os cortejos do Carnaval estão a correr dentro do previsto?
Pedro Mendes: Os preparativos estão a decorrer a todo a vapor, pois estamos muito perto dos grandes dias. Para o Carnaval adulto, trabalha-se mais de noite do que de dia, porque as pessoas têm os seus empregos e quem não consegue tirar férias, tenta ajudar as horas que pode. Perdem-se noites e, por vezes, perde-se a paciência, mas começa a ver-se as coisas definidas e prontas. Estou muito satisfeito com o que tenho visto. Há um clima de loucura de Carnaval.

Que tipos de apoios financeiros tem o Carnaval adulto?
Podemos dividir o apoio em dois, o directo da Câmara, na ordem de 45 mil euros, e o apoio logístico ou indirecto, que está devidamente protocolado num documento em que as verbas se encontram discriminadas, que é assinado e revisto todos os anos pelas entidades co-organizadoras do Carnaval. A ACE gere, assim, um orçamento de 180 mil euros, já com todas as transferências de verbas incluídas que a Câmara Municipal de Estarreja faz. Numa segunda parte, está aquilo que os grupos investem por si. Recebem cerca de 120 mil euros de subsídio, mas como só mil desfilantes são subsidiados e eles chegam a atingir os 1.400 elementos, os grupos e escolas têm que revelar uma capacidade inventiva tremenda e conseguem fazer face a projectos de 30 mil euros, angariando verbas ao longo do ano. Nos grupos apeados, as coisas são um pouco diferentes, mas conseguem sempre apresentar um bom trabalho na avenida.

Quantos lugares de bancada serão disponibilizados?
Nas bancadas temos 1.700 lugares disponíveis, em frente à Câmara Municipal de Estarreja. Este ano, vamos recuperar duas bancadas, para aqueles que querem ver sentados o desfile logo no início, com cerca de 300 lugares, na rua Casimiro Tavares, por trás dos Paços do Concelho. Esperamos esgotar, porque mudamos a dinâmica da venda dos bilhetes e, este ano, além da pré-venda, vamos ter bilhetes para peão e bancada logo nas bilheteiras e será mais fácil a aquisição. Os bilhetes de peão custam cinco euros, acrescido de mais cinco, no caso de se preferir a bancada. O preço não sofre alteração. O tempo não está para subir preços se queremos que venham cada vez mais pessoas. Não seria um aumento de 50 cêntimos ou de um euro que iria significar um aumento de receita, mas, numa família, já seria um valor significativo. Optamos por manter.

Uma associação é o melhor modelo de organização do Carnaval?
A verdade é que tem que haver um órgão associativo que saiba compreender as vontades dos grupos e das escolas e que tenha força para os organizar entre si, ser seu interlocutor e tentar satisfazer as suas necessidades. Eu penso que é um modelo interessante. Não defendo a extinção da associação, mas considero que a Câmara deveria assumir o papel de principal organizadora do carnaval de Estarreja, até porque tem uma máquina que não tem nada a ver com os meios da associação. É verdade que a Edilidade tem vindo a assumir cada vez mais, por exemplo, na comunicação, onde o gabinete de imprensa tem feito um trabalho excepcional, que nós nunca seríamos capazes de realizar. Não sei se é o melhor modelo, mas é o que temos e funciona. A Câmara mandou fazer um estudo para saber para onde devemos ir e o rumo a tomar no futuro do Carnaval, mas não deverá passar pelo fim da associação, porque enquanto um grupo de carolas assumir, muito embora tenha defeitos, também tem coisas positivas e que facilitam a organização.

Há uma aposta na programação nocturna?
Há. Temos um Espaço Tenda, montado em frente à Câmara Municipal, onde vão decorrer muitas actividades a começar com o Quim Barreiros, e amanhã, com as escolas de samba a apresentarem os seus sambas enredo completos de 2016. A partir daí, há uma série de bandas e DJ’s, até dia 13, dia do enterro. Se se realizarem todos os desfiles previstos, não será preciso um desfile extra. Se tal acontecer, corremos o risco de fazer Carnaval depois do enterro (risos). É Carnaval e ninguém levará a mal, certamente.

O seu passado dentro do dirigismo associativo ajudou-o nesta tarefa?
O facto de conhecer por dentro a realidade dos grupos de folia e das escolas de samba e saber do potencial que existe e do capital humano, que não tem preço e que temos de potenciar, ajuda bastante. É importante haver uma proximidade maior com o Município e havendo alguém que conheça bem – neste caso, uma entidade, e conseguir sensibilizar o Executivo camartário para esta realidade, é uma grande vantagem. Ainda assim, não se consegue fazer tudo de uma vez e ainda não dispomos de um orçamento de 500 mil euros. O concelho fervilha de associativismo e é impossível ao município acudir a todos. Face ao orçamento disponível, não podemos queixar-nos, tendo em atenção a quantidade de associações que há no nosso concelho. Por outro lado, também não nos podemos esquecer que o Carnaval é o grande evento do concelho.

A um ano do final do mandato, pensa continuar?
Não gosto de dizer que não vou continuar, pois já o disse antes e depois continuei. Fiz saber, claro, que isso vai acontecer e a Câmara mandou fazer o estudo por isso mesmo. Depois, vamos ver o que se vai decidir. Não terão de ser sempre os mesmos a decidir tudo. Julgo que pode haver gente muito capaz de levar as conclusões desse estudo para a frente. Claro que há problemas perfeitamente identificados, como os locais de trabalho deficientes das escolas (de samba) ou o percurso sinuoso que precisariam de ser repensados.

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