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Pompeu José conta como vai fazer (re)nascer o Entrudo

EntrudoO programa do 65.º Carnaval de Ovar era para arrancar este sábado, mas a festa vai ter de esperar 24 horas, curiosamente porque o S. Pedro teima em fazer “caretas”.

Domingo, a partir das 21 horas, vamos ter um espectáculo gratuito envolvendo quase 200 participantes e que termina com a queima pública de uma figura com oito metros de altura, em sinal de “purificação colectiva”.

O “[Re]Nascimento do Entrudo” resulta de um convite à companhia Trigo Limpo Teatro ACERT, que para o efeito abriu o espectáculo à participação da comunidade vareira e a envolveu na definição do enredo, na criação da banda sonora, na produção de mais de 20 peças de grande formato e na encenação de toda a história perante o público.

“Procurámos envolver não só quem já integrava grupos de Carnaval, mas também cidadãos anónimos, externos, e depois destacámos uns e outros para diferentes áreas, de forma a cruzar pessoas que não estavam habituadas a trabalhar juntas”, declarou o coordenador da produção, Pompeu José.

“Disso resultou um espectáculo que tem o mar como personagem colectiva e que a certa altura evolui para um dilúvio – o que funcionará como oportunidade para, no final, atearmos fogo ao casal representado pela peça de oito metros, num gesto simbólico de purificação em que queimamos todas as nossas mágoas”, explicou.

Essa componente pirotécnica poderá apreciar-se no largo do Centro de Artes de Ovar, mas o espectáculo começa na praça da Câmara Municipal, deslocando-se depois pela Rua Elias Garcia com cerca de 60 músicos e 40 percussionistas a actuar ao vivo.

Quanto às peças de grande porte concebidas para o espectáculo, a maioria tem entre 1,5 e 4 metros de altura, todas serão iluminadas com lanternas a partir do interior e retratam sobretudo animais como elefantes, girafas e peixes – sendo que na sua produção estiveram envolvidas mais de 30 pessoas.

Um dos objectivos de Pompeu José é combinar a componente mais tradicional do Carnaval com manifestações cénicas mais modernas, representativas da vivência social actual.

“Vamos ter música, festa, vizinhos que reclamam do barulho”, enumera. Haverá também música original, excertos de composições de referência, manipuladores de adereços vestidos em tons marítimos e até alusões ao sermão de Santo António aos Peixes – “tudo com adrenalina, com sentido de urgência, a caminhar para a explosão”.

No fim, dá-se então o renascimento: “Deita-se fogo à peça principal para nos salvarmos a todos e libertarmo-nos, purificados, a sentir o cheirinho a eucalipto que sai das labaredas”. (Fotos: TT)

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