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Populações devem ser ouvidas sobre as alterações climáticas

Coube a Martin Vysoka e Veronyka Kunclova, alunos da Universidade de Mendel, na República Checa, apesar de estarem há poucos dias na região aveirense, tiraram o retrato das principais alterações ambientais que sobre ela pairam: “Cheias mais frequentes, marés com maior amplitude, invasão da água salgada, episódios de ventos muito fortes, erosão acentuada ou ondas de calor mais longas e frequentes”.

Estas foram algumas das conclusões discutidas pelos alunos que participaram no “Intensive Program Adaptation to Climate Change in Europe’s Peri-Urban and Rural Areas of High Risk” (IP ACCE), que consistiu num trabalho de campo, em colaboração com aa Universidade de Aveiro (UA) sobre a adaptação às alterações climáticas em áreas peri-urbanas e rurais da região da Ria de Aveiro, mais especificamente nos concelhos de Aveiro, Estarreja, Murtosa e Ovar.

De acordo com o coordenador do curso, Peter Groenhuijzen, da Van Hall Larenstein University of Applied Sciences, da Holanda, e com a coordenadora na UA, Filomena Martins, a grande novidade e mais valia deste projeto foi o tentar introduzir as questões sociais e envolver as pessoas, os habitantes da região e os decisores nestas temáticas.

O projecto, coordenado pela Van Hall Larenstein University of Applied Sciences, da Holanda, conta com a participação 15 docentes e cerca de 60 alunos de 10 universidades e 13 nacionalidades europeias diferentes. O trabalho de campo começou no dia 8 de março e termina esta semana.
Veronyka Kunclova fez um balanço positivo da experiência, pois “apesar do pouco tempo que tivemos para trabalhar todos os dados, penso que foi possível tirar conclusões que correspondem à realidade e podem ajudar a resolver alguns destes problemas”.

A iniciativa, cujas conclusões foram apresentadas na Escola de Artes e Ofícios, e em simultâneo, em mais três municípios, resulta de um projecto do programa Erasmus, que conta com a participação do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da UA.

Os alunos, que foram divididos em quatro grupos, tendo cada um deles focado a sua atenção num dos concelhos, apresentaram cenários de intervenção que privilegiam “uma maior envolvência das pessoas nos processos de decisão sobre as alterações climáticas”.

Ficou ainda claro que “as áreas em estudo têm pouca capacidade de resiliência para responderem e recuperarem de situações ambientais extremas causadas pelas alterações climáticas”, por isso, os estudantes tentaram identificar potenciais respostas para estas situações, como por exemplo a criação de espaço para a água de superfície, de modo a evitar as inundações; uma melhor gestão das florestas para evitar os incêndios, etc.
Para além da Holanda, que coordena o programa, e de Portugal (através da UA), participam neste projeto universidades da Bulgária, Espanha, República Checa, Finlândia, Alemanha, Hungria, Roménia e Eslováquia.

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