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Prémio Carreira dos Vinhos do Tejo nasceu em Ovar

A ‘Gala Vinhos do Tejo 2021’ decorreu este sábado, 16 de outubro, no Hotel dos Templários, em Tomar. Foram muitos os galardoados pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVR Tejo) e pela Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, tendo-se acrescentado ao ‘Concurso Vinhos do Tejo’ e aos ‘Prémios Vinhos do Tejo’ mais três iniciativas: o ‘Tejo Academia’, o ‘Tejo Anima’ e o ‘Concurso de Fotografia Vinhos do Tejo’.

O Prémio Carreira foi atribuído a José Vidal. A quinta onde estão as suas vinhas constitui um legado e um saber-fazer preservado na mesma família há cinco gerações. Quem ouve a sua história, contada na primeira pessoa, facilmente se apercebe da paixão e cuidado que dedica da vinha ao copo.

José Vidal é o proprietário da casa agrícola Casal das Freiras, em Tomar, e membro fundador da Comissão Vitivinícola Regional do Ribatejo (então assim denominada), da Rota dos Vinhos do Tejo e da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, entidade à qual pertence como membro dos órgãos sociais.

Para ele, o melhor ano agrícola foi 2015, ano que marca o “Capítulo” e a passagem de testemunho para as mãos da sua filha Rita. A Quinta Casal das Freiras é propriedade da mesma família, desde 1882, enquadra-se entre vinhas, olivais, campos de trigo e milho, floresta e montado de sobro, o que lhe confere uma singular e diversificada paisagem agrícola.

O que poucos sabem é que José Vidal é de Ovar, terra que deixou em 1973, aos 24 anos, rumando a Tomar, onde está localizada a Quinta do Casal das Freiras (7 km a sudoeste de Tomar), em terras que outrora pertenceram aos Templários, e mais tarde à Ordem de Cristo. As vinhas ocupam uma área de 12 hectares repartidas por quatro parcelas distintas e com diferentes idades: 60, 25, 15 e 4 anos.

Esta propriedade da freguesia de Madalena entra na família Valente em 1882, ano em que foi adquirida por Manuel Valente, natural de Ovar – na época um importante porto piscatório de sardinha e de extracção de sal “que eram transportados até à Régua, no Douro”, segundo o proprietário – e bisavô de José Valente de Castro Vidal.

Para além de vinho, José Valente também se dedicou à produção de azeite, podendo ser encontradas na propriedade oliveiras milenares e um lagar do início do século XX hoje funcionando como um micro museu. Quando a filoxera (praga que em meados do século XIX, resultou na destruição de videiras) apareceu, José Valente começou a percorrer o país à procura de vinhos e toda esta zona era uma zona de produção de vinhos, sendo que numa dessas viagens encontrou esta propriedade que acabou por adquirir.

António Valente de Almeida, avô do actual proprietário, foi o sucessor a quem se seguiu a filha, Rosa Coimbra Valente de Castro Vidal, mãe e pai do actual proprietário.

José Valente de Castro Vidal decidiu deixar Ovar para se dedicar à terra e à cultura do vinho nesta quinta cuja origem do nome se prende com o facto de a gestão ter estado nas mãos de uma pequena comunidade de freiras até meados do século XIX.

(em actualização)

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