CulturaPrimeira Vista

Projecto artístico e pedagógico de Viriato da Silveira no Museu

“Retângulos de Plantina e Discos de Diamante” é o título da exposição de Viriato da Silveira que reuniu também obras de artistas por si convidados, como, Ana Loureiro, Helena Didia e Nelson Canastra, que corresponderam ao desafio do projeto que Viriato da Silveira desenvolve há várias décadas sobre “perspectiva curvilínea”.

A exposição de pintura e escultura inaugurada no dia 22 de abril, que vai estar patente até 20 de maio, é ainda uma homenagem a dois artistas já falecidos, Eleutério Sanches e Luiz Darocha com quem Viriato da Silveira conviveu enquanto alunos na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e de quem guarda obras que partilha nesta mostra de arte em que os vários autores definem os seus sentimentos, através das formas que as mãos conseguem moldar.

Tendo como ponto de partida um grande retângulo colocado no chão de uma das salas da exposição, o escultor Viriato da Silveira, que criou a tese sobre “pedagogia subjectiva”, desdobrava-se na explicação da diferença entre o que designa de “retângulo de platina”, em que as distâncias entre figuras são diferentes, e o oficialmente ensinado através do “retângulo de ouro” em que as figuras são apresentadas todas do mesmo tamanho. Base de explicação diferente de outros geómetras em que, este artista que nasceu em Díli, Timor a 26/04/1938, defende, “nós vemos que de facto as distâncias são curvas e não retas como muita gente considera serem”, por isso conclui na recente edição com o mesmo título da exposição e em que deixa agradecimentos ao Museu de Ovar, “muitos cientistas e geómetras. Artistas e desenhadores sempre tentaram apresentar as suas ideias”.

Uma demonstração neste projeto artístico e pedagógico em que o autor, que já o apresentou há mais de três décadas na Bienal de Vila Nova de Cerveira e em Cascais, incluindo várias publicações sobre o tema da “perspetiva curvilínea, que insiste serem, “características da parte curva que nós vemos”. Lembrou no entanto, que “há outros geómetras que fazem os cálculos a partir da lente de olho de peixe”, mas ao contrário desta “máquina” Viriato da Silveira, defende, “eu tenho feitos os cálculos a partir do que vejo e as distancias a que estão de nós, digamos do ser humano. São as características diferentes” conclui, realçando os diferentes estilos de arte e visões dos artistas convidados com quem promove tertúlias de arte que resultam em partilhas como a que veio acontecer no Museu de Ovar.

Na cerimónia de inauguração presidida pelo Diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, foi também possível partilhar com alguns dos artistas convidados presentes, as motivações da sua relação e afinidades artísticas com o projeto “Retângulos de Platina e Discos de Diamante” de Viriato da Silveira, autor de obras de investigação, como, Perfil Simétrico Vertical, Perspectivas Diafragmática, Rectângulo de Platina e Disco de Diamante, bem como dos livros, A Arte no Ensino e Timor – Quinhentos Anos de Arte.

Entre os trabalhos expostos dos artistas convidados, encontram-se obras na base da forma de disco e retângular, neste caso na horizontal, de Nelson Canastra, pintor e escultor, autor de “vitrais” na Sé de Braga e na Igreja de Terras de Bouro. Já Helena Didia participou com trabalhos que resultam de movimentos espontâneos, em que, através das mãos com esferográfica ou caneta de pontas finas, transmitem no papel, “perfiz” e “espectativas fractais”, como traços familiares com o projeto de Viriato da Silveira que convidou igualmente esta jovem artista luso-brasileira no âmbito de “tertúlias artísticas” que dinamiza e veio partilhar à cidade de Ovar.
José Lopes (texto e fotos)

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao Topo