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Projecto da UA estuda resiliência vareira à erosão costeira

Muitos estudos se têm feito sobre a erosão costeira no concelho de Ovar mas aquele que a Universidade de Aveiro apresentou esta semana – o INCCA – Adaptação Integrada às Alterações Climáticas para Comunidades Resilientes, visa não apenas reduzir a vulnerabilidade dos territórios costeiros mas também estudar e aumentar a resiliência das comunidades locais.

Carlos Coelho, investigador do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, explica que vão ser detalhadas questões económico-políticas actuais relativamente à gestão costeira, com foco no concelho de Ovar, caso de estudo do projecto. A abordagem quer “integrar a Adaptação às Alterações Climáticas (AAC) e a mitigação da erosão costeira em perspectivas de curto, a médio e longo-prazo, considerando as dimensões social, ambiental, económica e de engenharia da adaptação para ajudar os órgãos de decisão a conceber planos de acção para implementação de estratégias de AAC sustentáveis e duradouras”.

Pretende-se identificar e quantificar os custos e os benefícios (directos e indirectos) sociais, ambientais e económicos de medidas de adaptação (e os caminhos de longo prazo originados pelas medidas); desenvolver e utilizar modelos numéricos para projetar a evolução da posição da linha de costa no CML-termo, e antecipar o comportamento das estruturas costeiras (galgamentos e inundações); Prever os efeitos socioambientais das potenciais reações económicas a diferentes estratégias de planeamento e gestão costeira.

Com foco nas praias de Ovar, vai analisar-se, até 2023, o custo-benefício de estratégias de intervenção para o litoral português, em horizontes temporais de curto (2025), médio (2050) e longo-prazo (2100), os impactos socioambientais locais das opções de AAC, o modelo participativo e económico para a implementação da AAC e tentar reduzir a vulnerabilidade dos territórios costeiros e aumentar a resiliência das
comunidades locais.

Na sessão que decorreu online, o vereador da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, informou que o processo que levará à construção de quebra-mares no Furadouro e em Cortegaça está bem encaminhado e voltou a alertar para o perigo de ocorrer um grave acidente ambiental na costa ovarense bastante fustigada pela erosão. “O mar está a aproximar-se do local da antiga lixeira de Maceda e onde estão enterrados os detritos há mais de 30 anos”, disse. Segundo o autarca, o avanço do mar está a ocorrer – “ainda ontem voltou a galgar as margens da praia do Furadouro” – e as ondas já estão a uma escassa centena de metros do espaço onde ficaram enterrados os detritos depois da selagem do local onde eram depositados os resíduos do concelho de Ovar.

Inserida numa zona florestal protegida, a antiga lixeira de Maceda, selada desde 1998 devido a contaminação dos lençóis freáticos, motiva a preocupação da comunidade vareira pelo risco de que o acentuado avanço do mar possa conduzir ao deslizamento em massa dos detritos aí enterrados.

O projecto é financiado pelo projeto “Adaptação Integrada às Alterações Climáticas para Comunidades Resilientes”, INCCA – POCI-01-0145-FEDER030842, suportado pelos orçamentos do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, na sua componente FEDER, e da Fundação para a Ciência e
a Tecnologia, na sua componente de Orçamento de Estado.

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