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PS: Deputados eleitos por Aveiro visitaram o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar

A convite da equipa do PS Cortegaça, os deputados do Partido Socialista da Assembleia da República eleitos pelo círculo eleitoral de Aveiro, Hugo Oliveira, Susana Correia e Rosa Venâncio, visitaram o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar para verificarem no terreno o Plano de Gestão Florestal que está em curso e melhor se inteirarem da situação daquela que é a primeira mancha florestal a sul do Douro.
Uma visita tão mais pertinente numa época em que tanto se fala de proteção ambiental, da importância da natureza, das alterações climáticas, seca, incêndios, retenção de carbono e da erosão, não só costeira, mas também a erosão eólica e hídrica.
Estando sensibilizados para esta questão e para a justa indignação da população, após ouvirem as nossas preocupações e argumentos sobre esta problemática e tendo colocado todas as questões que acharam pertinentes, ficou a intenção de levarem o assunto a discussão na Assembleia da República, questionando o Ministro do Ambiente sobre o mesmo, entre outras iniciativas a promover pela defesa da nossa floresta.
Esperamos com esta iniciativa que a vontade e as preocupações da população sejam ouvidas pelos responsáveis e que mostrem abertura para a necessária revisão do PGF do PFDO no sentido da preservação deste espaço florestal e de um ecossistema saudável, equilibrado, sustentável e esteticamente aprazível que todos tanto prezamos.
Aproveitamos também a oportunidade para mostrar o estado preocupante da nossa costa, sensibilizando para a necessidade urgente de implementação de medidas de mitigação do problema da erosão costeira que tanto afeta o Concelho de Ovar.
Estão previstos para abate 247 hectares de floresta entre Cortegaça e o Furadouro.
Tivemos a oportunidade de constatar no terreno algumas das incongruências deste PGF e da não aplicação dos seus pressupostos, nomeadamente:
🔹 Incumprimento do estipulado no PGF, em conformidade com o “Plano de Ordenamento da Orla Costeira de Ovar-Marinha Grande”, da interdição da destruição de vegetação autóctone numa faixa de proteção costeira de 500m, que pode ser ajustada para os 1000m, como pudemos constatar na parcela prevista para abate do talhão 7 em Cortegaça e como também acontece nos talhões 48 e 57.
🔹 Incumprimento do estipulado no PGF da manutenção de arvoredo numa distância mínima de 300m entre as áreas cortadas, como pudemos verificar nos talhões 5, 6 e 7 em Cortegaça, numa área total de 21,4 hectares.
🔹 A consequência de não se garantirem os meios financeiros, humanos e técnicos para aplicação no terreno das regras estipuladas no PGF de controle das invasoras, como pudemos observar nas parcelas de floresta abatidas em anos anteriores junto ao rio do Buçaquinho (Vala de Maceda).
Essa zona está completamente infestada de Acácias, nomeadamente a Acácia de Espigas e Austrálias, impedindo a germinação e desenvolvimento de novos pinheiros e outras árvores autóctones, assim como da própria vegetação rasteira tão importante para um ecossistema equilibrado e saudável, já para não falar que estas espécies invasoras são extremamente prejudiciais para os próprios cursos de água e a sua biodiversidade.
🔹No talhão 14, junto ao Aeródromo de Manobra n°1 e no talhão 74 recentemente alvo de abate, também constatamos que o abate foi indiscriminado, não se tendo cumprido o estipulado no PGF da manutenção de 10 a 50 árvores por hectare ou preservado minimamente a vegetação rasteira, nomeadamente a urze, o tojo ou a camarinheira que desempenham um papel fundamental na prevenção da erosão dos solos, retenção de água, nutrientes e carbono, mitigação da proliferação das espécies Invasoras, proteção das árvores jovens na sua fase inicial de crescimento e claro, para toda a biodiversidade da flora e fauna autóctone.
⏩ Verificamos ainda que a parcela do talhão 14 está rodeada de espécies invasoras, como a Austrália, Acácia de Espigas e Mimosa que naturalmente serão as primeiras a ocupar o espaço agora aberto se não forem alvo de um controle periódico e sistemático o que irá exigir imensos recursos humanos e financeiros.
Algo para o que temos vindo a alertar e que aliás, já se pode observar no terreno.
⏩ No talhão 14 também constatamos outro exemplo de não cumprimento das condições estipuladas no PGF como é o caso do “espaçamento entre árvores da bordadura, de modo a conseguir uma transição suave entre a zona arborizada e a estrada” pois pura e simplesmente abateram todos os pinheiros pelo que de transição suave não tem nada.
🔹 Há ainda que referir outro incumprimento dos princípios do próprio PGF o qual indica um limite máximo de 8 hectares nas parcelas a abater mas na verdade cerca de 50% dessas parcelas ultrapassam os 8 hectares. Só para servir de comparação a referida parcela do talhão 14 tem 5,5 hectares e o talhão 74 tem cerca de 10 hectares ultrapassando assim o limite máximo.
🔹 Também observamos vários Carvalhos e Sobreiros em crescimento ou já adultos, o que por si só prova que estas espécies autóctones são viáveis nas zonas apropriadas pelo que podem ser plantadas aumentando assim a diversidade de espécies com as consequentes vantagens para o ecossistema, a biodiversidade e prevenção de incêndios.
Para além do objetivo de nos fazermos ouvir pelas autoridades competentes e da oportunidade para mostrarmos no terreno as várias incongruências e as nossas preocupações com este Plano de Gestão Florestal foi uma tarde em que todos desfrutamos da nossa floresta que tanto adoramos.
Para finalizar queremos agradecer aos deputados e a todos que marcaram presença pela vossa disponibilidade e participação nesta iniciativa por uma causa que no fundo é de todos nós, a proteção da nossa floresta.”

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