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GNR na Torreira por achado no caso da grávida da Murtosa

O achado de três sacos com carne e rastos de sangue, na vegetação do estradão de acesso à Praia do Muranzel, na Torreira, na tarde deste domingo, levantou suspeitas no caso da grávida desaparecida da Murtosa, tendo ido já para o local peritos da GNR.

A situação foi logo reportada a Filomena Silva, a tia da desaparecida, Mónica Silva, de 33 anos, grávida de sete meses, quando na noite de 3 de outubro deixou de ser vista após ausentar-se da casa, na Murtosa, onde vivia com os filhos, de 11 e de 14 anos.

Filomena Silva, que participava nas buscas, deslocou-se logo ao local do achado, deparando-se com os sacos, revistando-os, mas apercebendo-se apenas da existência de carne e não de ossos”, segundo explicou esta noite, em declarações ao OvarNews.

Mas as dúvidas levaram a que a GNR da Murtosa tivesse enviado imediatamente uma patrulha para a Torreira, isolando a zona até chegarem duas equipas da Guarda Nacional Republicana, de investigadores criminais e de peritos, que recolheram indícios.

Anabela Anjos, de São João da Madeira, disse ao OvarNews “ter sentido um cheiro nauseabundo, vindo de trás da vegetação, desconfiando logo que fosse algo estranho, mas não tive coragem de ir sozinha e pedi a um senhor que se deslocasse ao local”.

Alexandre Rebelo, de Estarreja, que integrava o grupo de populares em busca do corpo de Mónica Silva, dirigiu-se para a zona de onde vinha o cheiro nauseabundo, mas resolveu não atuar, preferindo que fosse a família de Mónica Silva a intervir no caso.

As equipas da Secção de Investigação Criminal do Comando Territorial da GNR de Aveiro deslocaram-se ao local, tendo sido apurado que os sacos não continham carne humana, identificando a empresa cujos logotipos estavam inscritos nas embalagens.

O Posto da GNR da Murtosa, que integra o Destacamento de Ovar, preservou a zona envolvente, alargando-se o perímetro de segurança, tendo sido inquiridos sumariamente pela GNR ainda no local Anabela Anjos, Alexandre Rebelo e Filomena Silva.

Irmão da desaparecida fará buscas

Entretanto, ficou a saber-se este domingo que um irmão da desaparecida, sendo mergulhador profissional, encontrando-se em Angola, deverá chegar ainda esta segunda-feira a Portugal, a fim de tentar encontrar o corpo da irmã, algures na Ria de Aveiro.

O jovem, que conhece muito bem toda a zona lagunar, deverá partir da zona da Ponte da Varela, mergulhando entre o Cais da Béstida e a Torreira, bem como os cales e esteiros da área, pelo Norte da Ria de Aveiro, até à Praia Fluvial de Monte Branco.

A Área Nascente da Ria de Aveiro, virada para a Marginal do Padre António, na Murtosa, frente a Marinhas Entre os Esteiros e Murado Frade, porque confinam entre a moradia da Família Valente e Cruz, dos pais do principal suspeito, Fernando Valente.

Familiares não desistem para encontrar corpo de Mónica Silva

As buscas para tentar encontrar a grávida de sete meses, desaparecida da Murtosa, faz este domingo dois meses, que decorreram toda a tarde, já até ao início da noite, saldaram-se pelo insucesso, só que os familiares não desistirão de procurar Mónica Silva.

Filomena Silva, tia de Mónica, um dos principais rostos do desespero da família murtoseira, disse ao OvarNews que “estando convencidos que infelizmente foi assassinada, com um bebé quase a nascer, pelo menos o corpo da Mónica vai ter de aparecer”.

Mónica Silva, de 33 anos, com dois filhos, de 14 e 11 anos, deixou de ser vista já na noite de 3 de outubro, quando se ausentou de casa, na Murtosa, levando as ecografias da gravidez, para se encontrar com alguém do círculo das suas relações de amizade.

Desde o início da tarde, dezenas de populares, convocados pelas redes sociais, bateram uma extensa zona, entre Torreira e São Jacinto, ao longo do pinhal, entre a Ria de Aveiro e o Oceano Atlântico até à área das dunas, só dando com os sacos de carne.

As buscas dos cidadãos, oriundos da Murtosa e de concelhos limítrofes do distrito de Aveiro, acompanhadas a par e passo pelo OvarNews, incidiram na vegetação, em muitos casos densa, na extensão de todo o pinhal sito a Oeste da Estrada Nacional 327.

Na tarde deste domingo as buscas passaram, na zona de Quintas do Sul, em Monte Branco, Pedrinhas, Quinta das Bichas, Bico da Mó, Quinta do Antero, Bico do Pinhal Velho, Quinta da Costa, Canto da Laurinda, Quinta da Ramada e Bico de Muranzel.

O limite das buscas foi o início a Norte da Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, onde havendo vigilância permanente de Vigilantes da Natureza, se dá como certo que o corpo da desaparecida nunca seria ali colocado, inclusivamente durante a noite.

A área protegida, que é tutelada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestal (ICNF), por sua vez dependente do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, encontra-se vedada, com os acessos condicionados, pelos Vigilantes da Natureza.

PJ de Aveiro investiga mistério

A Polícia Judiciária de Aveiro, que ainda não fez qualquer comunicado acerca do caso, continua a investigar o desaparecimento de Mónica Silva, de 33 anos, grávida de sete meses, aguardando resultados de vestígios hemáticos recolhidos há duas semanas.

Fernando Valente, empresário, de 38 anos, da Murtosa, detido pela Polícia Judiciária de Aveiro, será o principal suspeito pelos crimes de homicídio qualificado, aborto agravado e ocultação de cadáver, estando já preso preventivamente, há duas semanas.

A PJ de Aveiro realizou buscas, entre os dias 15 e 16 de novembro, nas residências e no estabelecimento da família de Fernando Valente, na Murtosa, Torreira, Pedroso (Vila Nova de Gaia) e Cuba do Alentejo, mas até agora não encontrou a desaparecida.

Nem o empenhamento de cães-pisteiros da GNR, que colaboraram com as buscas domiciliárias e aos automóveis de Fernando Valente e dos seus pais, permitiram localizar o corpo de Mónica Silva, que mantinha um relacionamento com este empresário.

Fernando Valente, ainda antes de ter sido detido pela PJ, negou ser o pai do bebé, ou qualquer tipo de envolvimento no caso, assim como os seus pais, Manuel Marques Valente e Rosa Cruz Valente, da Murtosa, que acompanharam as buscas com a PJ.

Nesta fase das investigações criminais da PJ de Aveiro estão ainda todas as hipóteses em aberto, como a eventual cumplicidade ou comparticipação direta de mais pessoas, no misterioso caso do desaparecimento e do provável homicídio de Mónica Silva.

Aguardam-se a todo o momento os resultados aos vestígios hemáticos e a outros objetos e amostras recolhidos por peritos do Laboratório de Polícia Científica, numa operação em articulação com a Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária de Aveiro.

 

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