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Sardinha: Xávega prefere não contar para as quotas de pesca

A vontade da ministra do Mar de regulamentar a chamada arte xávega para o produto desta passar a contar para as quotas de pesca pode esperar.

Ana Paula Vitorino manteve uma ronda de diálogo com as partes envolvidas neste tipo de pesca artesanal que conta com várias campanhas em actividade nas praias do concelho de Ovar, dando conta desta vontade, mas agora em face das notícias, os pescadores preferem esperar.

A ministra quer que a legislação seja actualizada à luz das exigências dos regulamentos europeus, “nomeadamente a sua inclusão nas quotas de pesca, além de outros aspectos”.

Sucedem-se as reacções às notícias de que a pesca da sardinha será proibida em zonas da região Centro e Norte por serem “áreas importantes para a reprodução da espécie, garantindo o presidente da APROPESCA que “tal criará muitos danos para subsistência dos pescadores”.

“Se isso for para à frente é algo que vai matar o sector de pesca, sobretudo a feita pelas embarcações mais pequenas. Não têm noção dos danos que isso iria causar na economia de muitas famílias”, começou por dizer Carlos Cruz.

O dirigente lembrou que “as embarcações maiores têm capacidade para ir pescar para outros locais”, mas que os barcos mais pequenos, que são a maioria, “não têm condições para ir para longe, já que área que se fala da eventual proibição é muito extensa”.

Carlos Cruz estranhou, ainda, que os estudos científicos citados para sustentar a medida falem numa redução da biomassa da sardinha, sobretudo no seu estado juvenil, garantindo que nos portos de pesca de Aveiro e Matosinhos será difícil, este ano, encontrar registos da captura dessa espécie.

“Este ano quase não se capturou a sardinha pequena do tipo T4 [apelidada de petinga] e, por isso, não se está a pôr em perigo a sustentabilidade da espécie. Isso prova-se com os registos dos portos. Somos conscientes, não temos trazido essa sardinha pequena para terra”, vincou Carlos Cruz.

“Estamos aqui para colaborar, pois como se percebe somos os principais interessados em manter a espécie. Se tivéssemos consciência que estaríamos a causar danos para o futuro seriamos os primeiros a agir”, completou.

O presidente da APROPESCA garantiu que à sua associação “não chegaram contactos da tutela para dar ou receber informações sobre o tema”, deixando críticas à forma “pouca organizada” com que o governo lida com esta situação da pesca da sardinha.

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